Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Site da USP disponibiliza 3.000 livros

A Reitoria da USP lançou nesta semana um site que disponibiliza 3.000 livros para download, as obras estão no endereço: http://www.brasiliana.usp.br/
Entre os títulos, estão livros raros, documentos históricos, manuscritos e imagens que são parte do acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, doada à universidade.
Há planos de aumentar o catálogo para 25 mil títulos e incluir primeiras edições de Machado de Assis e de Hans Staden.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2006200922.htm

Livraria da Folha já está na internet

Loja virtual do Grupo Folha entrou no ar nesta semana com a proposta de oferecer informação diferenciada ao leitor.

Serviço inclui vitrines, listas de recomendações e um sistema de buscas inovador, para facilitar a localização dos títulos por área
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Uma livraria que, além de funcionar como ponto de venda, oferece ao leitor informação diferenciada sobre o conteúdo disponível. Com esse intuito, entrou no ar nesta semana a Livraria da Folha (www.livraria dafolha.com.br), a loja virtual do Grupo Folha.
"É uma livraria bastante editorializada, feita por uma equipe heterogênea, com formação em tecnologia e varejo, mas também em jornalismo e edição", afirma Ana Busch, diretora-executiva da Folha Online e da Livraria da Folha.
Por seis meses, a equipe navegou por dezenas de livrarias on-line de vários países, buscando as melhores propostas.
Uma inovação está na edição. "Todas as áreas têm suas próprias páginas principais, com vitrines específicas", diz a diretora-executiva. Isso evita que, passado o lançamento, os livros fiquem escondidos, como ocorre nas livrarias tradicionais.
O sistema de buscas também é inédito, elaborado de modo a facilitar a localização do volume dentro de cada área.

Temas relacionados

Na loja virtual, os livros são considerados obras de interesse múltiplo. Assim, uma ficção que tenha relação com geopolítica aparecerá também nesta página, como "ficção relacionada". Um livro de história será indicado também em turismo, para que quem vai viajar possa ficar por dentro de tudo sobre o destino que escolheu.
Além das tradicionais listas de mais vendidos, há listas de recomendações, bibliotecas básicas por assunto, por exemplo, moda, música, investimentos e compilações por temas. Nos próximos meses, o site deve receber outras ferramentas, como espaço para que os usuários deixem comentários, em sistema semelhante ao utilizado na Folha Online.
"Buscamos melhorar o site todos os dias, com base numa experiência de quatro anos vendendo livros pela internet, mesmo sem a configuração formal de loja", diz Ana Busch.
As compras podem ser feitas por meio dos cartões de crédito Visa, MasterCard, American Express e Diners Club International -em breve, será possível pagar também por boleto bancário-, e a entrega é feita em todo o território nacional.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2406200923.htm

Cinemateca recupera arquivo da TV Tupi

Acervo, agora disponível na internet, tem reportagens desde os anos 1950

Ainda em andamento, projeto já restaurou cerca de 3.000 vídeos da 1ª emissora do Brasil, e parte de jornais como o "Repórter Esso"


A Cinemateca Brasileira colocou em seu site http://www.cinemateca.com.br/ mais de 3.000 reportagens feitas para a extinta TV Tupi (1950-1980), a primeira emissora do Brasil.
O projeto Resgate do Acervo Audiovisual Jornalístico da TV Tupi, patrocinado pelo Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do Ministério da Justiça, visa recuperar um total de 400 mil vídeos. A empreitada é grande, já que para cada uma hora de material finalizado são de 20 a 30 horas de trabalho.
São filmagens captadas em 16 mm pela equipe no Brasil e no exterior por agências internacionais. Muitas delas estão sem áudio, porque eram acompanhadas por locuções ao vivo, das quais o único registro é o roteiro datilografado.
Esses scripts também estão sendo microfilmados pelo Arquivo do Estado de São Paulo.
A ideia é, numa segunda fase do projeto, recriar em estúdio locuções mais conhecidas como as do "Repórter Esso".
Além deste, as imagens históricas abrangem conteúdo de vários telejornais da época, como "Edição Extra", "Diário de São Paulo" e "Ultranotícias".
Entre os assuntos cobertos, está o noticiário político, como a queda de Juan Domingo Perón, na Argentina, em 1955, ou a Guerra do Vietnã. Também não faltam temas de variedades e esportivos.
Para o coordenador de preservação Millard Schisler, "há uma urgência" nesse projeto. "Estamos lutando contra o tempo para restaurar um material de fragilidade fenomenal. Já há hoje uma pequena porcentagem que não é mais possível telecinar [transpor de película para vídeo]. Mas é emocionante trazer de volta um minuto que seja de uma história que ninguém mais conhece."
Para Fábio Kawano, coordenador de catalogação, há uma riqueza nas cenas corriqueiras. "É interessante ver como eram retratados casos de roubos ou o trânsito na rua Augusta."

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2206200916.htm

Projeto de editora global lusófona está em xeque

Desde 2008 grupo Leya tenta entrar no Brasil; agora holding estaria à venda

Isaías Gomes Teixeira, administrador-executivo da Leya, nega venda e diz que não comenta operações efetuadas no Brasil.

MARCOS STRECKER

Desde o ano passado o mercado editorial brasileiro está agitado com o desembarque de um ambicioso grupo editorial lusitano. Ninguém comenta oficialmente, mas editoras-chave como Record, Companhia das Letras e Sextante já entraram na mira do grupo português Leya. Todas as tentativas de aquisição, no entanto, naufragaram.
Agora, as negociações estão concentradas na compra de uma participação na editora Nova Fronteira, que pertence à Ediouro. Mas a operação ainda não foi concluída, segundo Luiz Fernando Pedroso, diretor-superintendente do grupo Ediouro. A rigor, o negócio pode nem se concretizar.
Entrar no mercado brasileiro é estratégico para a holding Leya, criada em janeiro de 2008. Antes disso o empresário português Miguel Paes do Amaral, maior acionista do grupo, já vinha adquirindo de forma acelerada editoras em Portugal -inclusive as tradicionais Dom Quixote (que publica a obra de António Lobo Antunes) e Caminho (casa de José Saramago). Na época, Lobo Antunes protestou e ameaçou boicotar a editora sob nova direção. Havia especulações de que as compras visariam apenas uma valorização para revenda futura.
As aquisições continuaram desde então. A holding atualmente já domina o mercado lusitano e reúne 17 casas. As compras incluíram editoras em Angola e Moçambique.
No Brasil, a história é diferente. Ainda que a Leya tenha feito ofertas generosas, nada se concretizou. Na mais rumorosa troca de editora de um escritor nacional dos últimos anos -a de Rubem Fonseca-, a Leya teria oferecido R$ 1,5 milhão pelo passe do autor de "Feliz Ano Novo", entre luvas e adiantamento -sem sucesso.
Fontes do mercado agora apontam que o próprio grupo Leya estaria à venda na Europa. "A informação é falsa", disse à Folha Isaías Gomes Teixeira, administrador-executivo do grupo. Além de negar a venda do grupo categoricamente, ele diz que não comenta as operações da Leya no Brasil.
Estar à venda ou mudar de controle acionário não significa que o empreendimento que atingiria um mercado de "200 milhões a falar português" (declarações feitas no lançamento do grupo) não tenha futuro. Mas as dificuldades no Brasil, assim como a crise financeira que eclodiu em setembro passado, indicam que a estratégia de crescimento acelerado visando a atração de capitais em bolsa pode estar passando por uma reavaliação.
Parte das dúvidas sobre o grupo tem a ver com a recusa dos responsáveis pela holding em apresentar seus planos no Brasil. Paes do Amaral é um empresário agressivo em Portugal. Sua notoriedade cresceu com a administração bem-sucedida da emissora lusitana TVI, depois revendida.
O empresário teria feito carreira no mercado financeiro e trabalhado no banco Goldman Sachs, em Nova York. Seus hobbies incluem automobilismo, caça e esqui.

Disponivel em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2006200908.htm

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

O Homem que “reinventou” a Matemática


Em 18 de junho de 1974 falecia em Recife Malba Tahan, heterônimo de Júlio César de Mello e Souza. Depois de proferir uma palestra para normalistas pernambucanos sobre a arte de contar histórias, aos 79 anos, desaparecia um dos mais brilhantes professores e escritores de nosso tempo. Suas instruções para sepultamento foram aritméticas: além de uma mensagem a ser lida, exigiu um caixão de terceira classe, algumas flores anônimas, nada de coroas, nada de luto e muito menos discursos.

No início do século XX, era muito difícil que autores nacionais publicassem qualquer coisa. O baixo número de leitores inibia os editores. Mas Júlio Cesar não deu nem bola, queria ser escritor de qualquer jeito. Nessa tentativa, achou que se inventasse um heterônimo estrangeiro e exótico poderia ter mais sucesso, e criou seu personagem-escritor, Malba Tahan. Deu certo.

Depois de ler o “Conto das Mil e Uma Noites”, ainda menino, ficou vidrado com a cultura árabe. Estudou muito e partindo desse conhecimento construiu seu personagem, uma rara figura, com milimétricos contornos biográficos: Malba Tahan teria nascido em 1885, na Arábia Saudita, e já muito moço foi nomeado pelo Emir como prefeito de El Medina. Foi estudar em Istambul e Cairo, e aos 27 anos recebeu uma grande herança paterna, saindo depois em viagem de aventuras pelo mundo afora. Em cada aventura, Malba Tahan sempre acabava se envolvendo com algum engenhoso problema matemático, que resolvia magistralmente e depois escrevia sobre ele.

Júlio César foi professor de História, Geografia e Física antes de se dedicar à Matemática. Seu personagem foi um extraordinário sucesso e até hoje é uma referência no ensino infanto-juvenil. É possível dizer que ele mudou a história do ensino da matemática no Brasil, e é possível até dizer que antes dele as quatro operações de calcular eram enigmas indecifráveis, camuflados, fechados dentro de explicações grotescas e estranhas às crianças e adultos. Malba Tahan mudou tudo, e iniciou uma nova Era no aprendizado dos números. Júlio foi um crítico enérgico da didática clássica, principalmente daquela que nos acompanhou na primeira metade do século XX. Gritou, “esmurrou”, se rebelou, arrumou encrenca com os tradicionalistas e travou incontáveis discussões quando participava de congressos e conferências. Foi pioneiro na utilização de uma nova didática, baseada na resolução de problemas não-mecânicos, na exploração das atividades recreativas e no uso de novas mídias, tais como rádio e televisão. Suas aulas eram movimentadas e divertidas, e defendia ardorosamente a instalação de laboratórios de Matemática em todas as escolas. Adorava o estudo da Numerologia e muitas vezes era nele que se baseava para contar as magistrais histórias de seus livros.

Na “biografia” de Malba Tahan, eco da fértil imaginação de Júlio César, o escritor teria morado algum tempo no Brasil, e teria morrido nos campos de batalha da Arábia Central em 1921. Morreu lutando pela liberdade das minorias, que tanto defendia. Os livros do escritor Malba Tahan teriam sido escritos originalmente em árabe e traduzidos para o português pelo também fictício Prof. Breno Alencar Bianco. Essa riqueza de detalhes históricos está clara e genialmente estampada nos livros de Júlio César, ou de Malba Tahan.

Magistral professor, educador, pedagogo, escritor e conferencista, Júlio na vida real, nunca pisou num deserto, nunca viu uma única caravana de beduínos, nunca visitou um único país árabe e camelos mesmo, só através de fotos. As areias mais quentes que pisou foram as praianas do Rio de Janeiro, onde nasceu em 6 de maio de 1895, e onde foi catedrático, tanto na escola Nacional de Belas Artes, como na Faculdade Nacional de Arquitetura. Escreveu ao longo da vida mais de 120 livros de matemática recreativa, didática, história da matemática e ficção infanto-juvenil, sendo eles publicados com seu nome verdadeiro ou sob o pseudônimo de Malba Tahan.

Seu sucesso foi imediato, como se gerações e gerações houvessem esperado um Messias da Matemática para lhes trazer alguma luz sobre seu ensino. Livros como, “Lendas do Deserto”, “O Livro de Aladim”, “Lendas do Oásis”, “Os Números Governam o Mundo”, e o mais famoso, “O Homem que Calculava”, que foi traduzido para várias línguas, chegando só ele a mais de 60 edições, tiveram tiragens superiores a 3 milhões de exemplares, só no Brasil. Pois é, não foi só Paulo Coelho ou Jorge Amado que fez sucesso estrondoso na literatura nacional, a matemática de Julio Cesar também fez. O grande Jorge Luiz Borges colocava-o entre os mais notáveis autores da Humanidade e sobre ele, escreveu Monteiro Lobato em 1939: “O Homem que Calculava já me encantou duas vezes e ocupa lugar de honra entre os livros que conservo. Só Malba Tahan faria uma obra assim, obra alta, das mais altas, e que só necessita de um país que devidamente a admire; obra que ficará a salvo das vassouradas do Tempo como a melhor expressão do binômio ciência-imaginação. Que Allah nunca cesse de chover sobre Malba Tahan a luz que reserva para os eleitos”.

No dia 18 de junho, lembramos a perda do fabuloso Júlio César, que não queria luto em seu enterro, mas somente a citação de uma frase do não menos antológico compositor Noel Rosa: “Roupa preta é vaidade / para quem se veste a rigor / o meu luto é a saudade / e a saudade não tem cor”. Eu, meus pais, meus avós e muitas gerações que como nós aprenderam e aprenderão com Malba Tahan, não podíamos deixar de lembrar de Júlio no dia de hoje, sem luto, sem preto, só com o rigor da saudade.

Disponível em: http://cultura.updateordie.com/

A “Wikipédia” das fotografias


Depois da Wikipédia, o maior banco de dados colaborativo do mundo, chega à internet a Fotopédia, com o mesmo conceito, disposto a ser um gigante portal para armazenar imagens. Fuciona assim: se você tiver fotos no seu arquivo ou em sites como o Flickr, pode criar um álbum temático e adicioná-las, além de complementá-las com mapas e os próprios artigos da Wikipédia. Como todos os arquivos devem estar licenciados pelo Creative Commons, todas as imagens podem ser compartilhadas.

Disponível em: http://cultura.updateordie.com/

O que o Google faria se fosse uma editora?

No último dia de maio, o New York Times noticiava que durante a BEA 2009 (BookExpo America) o Google antecipou aos editores americanos sua entrada no mercado de venda de livros digitais ainda este ano. Com o lançamento do Google Editions (este é o nome previsto da iniciativa), é bem provável que tenhamos que repensar tanto o conceito de ebooks quanto o de venda e aquisição de livros.

Um dia depois, em comunicado à imprensa, Gabriel Stricker, porta-voz do Google, declarava: "Queremos construir e apoiar um ecossistema de livros digitais que permita que os nossos parceiros editores disponibilizem seus livros para compra a partir de qualquer dispositivo ligado à Web".

O Google será uma livraria on-line e competirá com a Amazon (primeiro passo para a Googlezon?). Tomando emprestada a expressão do Jeff Jarvis, jornalista e blogueiro do BuzzMachine, "What Would Google Do?" (título do seu último livro), tento imaginar este cenário um pouco mais à frente: O que o Google faria se fosse uma editora?

Pelo menos por enquanto, não acredito que o Google se transforme em uma editora (o que não lhe seria complicado), será apenas uma poderosa e contextualizada livraria on-line, fortalecida por seu próprio mecanismo de busca (como sua Pesquisa de Livros já antecipa).

Entretanto, é bem possível que no futuro (talvez, não muito distante), o Google decida oferecer também as ferramentas de edição e auto-publicação para os autores, ainda mais se levarmos em consideração o crescimento do movimento de autores independentes, os indie authors, nos EUA.

O Google Editions chegará acompanhado de uma nova buzzword, Cloud Publishing (Publicação em Nuvens), termo e conceito derivados, claro, de Cloud Computing (Computação em nuvem) que se refere, essencialmente, à idéia de utilizarmos, em qualquer lugar e independente de plataforma, as mais variadas aplicações através da internet com a mesma facilidade de tê-las instaladas em nossos próprios computadores.

Assim, na Cloud Publishing o conteúdo comprado não é possuído fisicamente, ou seja, mesmo que o download seja feito (salvo em cache pelo Google Gears, por exemplo), e acessado off-line, o leitor jamais terá propriedade sobre esse conteúdo, que poderá, a qualquer momento, ser atualizado on-line.

E isso, acreditem, será positivo para autores e leitores. Por quê? Explico: o leitor, ao comprar o acesso instantâneo a 100% do conteúdo de um único título (que permanecerá on-line), poderá consultá-lo de um browser (o cliente universal) instalado em qualquer computador, celular, TV ou quaisquer outros dispositivos de acesso. Todas as possíveis atualizações estarão automaticamente disponíveis, o que também tornará irrelevantes as discussões a respeito da "babel" de formatos de ebooks (ePub, PDF, Mobi, LRF, PDB etc).

O modelo de venda (e aquisição) de livros do Google se assemelhará ao pay-per-view. Através do poderoso mecanismo de busca do Google, os leitores encontrarão a informação que desejam, escolherão sua opção de acesso (temporária ou definitiva), efetuarão o pagamento, e acessarão o conteúdo on-line.

O livro "nas nuvens", que há poucos anos parecia um sonho distante, está logo ali, na esquina, prestes a viabilizar o conceito do livro em rede, como web service, distribuído, processável e customizável. Ganha o leitor. Ganha o autor. Também ganham os editores que se anteciparem e começarem a explorar as possibilidades (que não serão exclusivas do Google, já que são baseadas em padrões abertos).

E, consequentemente, nunca é demais lembrar, novas portas se abrem para que a criatividade dos autores explorem (e inventem) novas e interessantes formas de se contar uma história.

Disponível em: http://imasters.uol.com.br/artigo/13133