sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Evento com Shimon Peres em SP será transmitido on-line



O Ato Público com o presidente de Israel, Shimon Peres, que acontecerá em 12 de novembro, às 19 horas, será transmitido em tempo real através do site:

http://www.peresnobeldapaz.com/

O evento acontecerá no clube A Hebraica, em São Paulo. Durante o Ato, Peres falará à comunidade judaica brasileira sobre o trabalho pela paz no Oriente Médio e a cooperação entre Brasil e Israel.

O presidente israelense recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1994, como reconhecimento de seu trabalho para a ratificação dos Acordos de Oslo, assinados entre israelenses e palestinos.

Disponível em: http://www.pletz.com/blog/evento-com-shimon-peres-em-sp-sera-transmitido-on-line/

Palestra com escritor e jornalista israelense Yaron Avitov na USP


Yaron Avitov é escritor, editor, jornalista, crítico literário, professor de literatura e antologista. Nascido em Israel em 1957, é formado pela Faculdade de Letras e Sociologia da Universidade de Haifa. É autor de diversos, entre eles Yuma, A Boda e Observacion. Ganhou alguns prêmios literários, entre eles o Prêmio Primeiro Ministro de Literatura (2005) e Prêmio Amos do Presidente de Israel (1998). O autor publicou diversos títulos em espanhol. A palestra, com o tema “O idioma hebraico e a literatura israelense” será realizada neste idioma e serão abertas ao público em geral.

Dia 11 de novembro de 2009 – 19:30 – sala 167 – prédio de letras
Rua Prof. Luciano Gualberto, 403 – Cidade Universitária – SP

Realização:
USP – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Departamento de Letras Orientais – Centro de Estudos Judaicos
Embaixada de Israel no Brasil

Informações:
Centro de Estudos Judaicos – USP
cejudaic@usp.br – (11)3813-6528 - (11)3813-6528

Obra-prima da literatura infantil é lançada no Brasil

Considerada uma obra-prima da literatura infantil, "O livro inclinado", do escritor e ilustrador norte-americano Peter Newell (1862-1924), publicado originalmente em 1910 acaba de ser publicado no Brasil pela editora Cosac Naify.

De formato tão inclinado quanto a ladeira que é cenário da história, a obra promete diversão e interatividade do começo ao fim da leitura e traz o universo lúdico das histórias de roda.

O enredo traz a história de um bebê chamado Bobby, que estava em seu carrinho, sendo conduzido pela babá por uma rua um tanto íngreme.

Por descuido, ela o solta ladeira abaixo. O garoto, então, atravessa a cidade no carrinho, causando um rebuliço por onde passa.

A cada nova página, as crianças podem experimentar as sensações do bebê, dedilhando o formato do livro e de suas gravuras inclinadas. "Este livro é uma autêntica ladeira. Cada página é uma aventura e cada imagem de Peter Newell, uma situação hilariante", diz a crítica do New York Times.

Disponível em: http://www.parana-online.com.br/editoria/almanaque/news/407811/?noticia=OBRA+PRIMA+DA+LITERATURA+INFANTIL+E+LANCADA+NO+BRASIL

Google admite digitalização de livros chineses sem permissão


O portal de busca da internet Google admitiu haver digitalizado mais de 20 mil livros que estavam sob a proteção dos direitos autorais da China, informou hoje o jornal "China Daily".

Segundo o jornal, a companhia americana insistiu que os livros chineses foram digitalizados em bibliotecas dos EUA e alguns deles estavam disponíveis para uso público.

No entanto, Google também admitiu que pelo menos 20 mil livros estariam sob a proteção dos direitos autorais da China, explicou Zhang Hongbo, subdiretor da Sociedade China de Direitos autorais (CWWCS).

No último dia 21 de outubro, a CWWCS acusou o Google de digitalizar sem permissão e colocar em sua biblioteca digital, Google Books, obras de vários escritores chineses.

Zhang disse que após falar com Erik Hartmann, responsável na Ásia-Pacífico do Google Books, no próximo dia 16 de novembro a companhia americana proporcionará uma lista completa dos livros chineses digitalizados.

O vice-diretor da CWWCS afirmou que resolver o problema dependerá de futuras negociações e pediu à empresa que admita sua infração e se desculpe.

Mais de 50 escritores assinaram uma carta de protesto na qual exigem desculpas do Google e as correspondentes compensações, disseram a imprensa local.

A empresa pretende criar uma gigantesca biblioteca virtual, um serviço que oferecerá na internet livros completos, um projeto encontra grande número de opositores no mundo todo.

Google propôs um acordo com os editores e autores americanos para que recebam 63% do lucro que venha da digitalização de suas obras.

No entanto, a CWWCS indicou que os escritores chineses não aceitam um acordo deste tipo. EFE

Disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL1364071-7084,00-GOOGLE+ADMITE+DIGITALIZACAO+DE+LIVROS+CHINESES+SEM+PERMISSAO.html

Lévi-Strauss, um revolucionário na academia


O antropólogo e etnólogo Claude Lévi-Strauss, morto no fim de semana, deixou um legado importante para as ciências humanas e para pesquisadores de todo o mundo, afirmam os acadêmicos ouvidos por VEJA.com. Por meio de uma obra vasta, ele publicou mais de 30 livros. O francês contribuiu de forma decisiva para o estabelecimento do estudo moderno das relações entre os homens e da cultura humana.

Parte desse decisivo legado foi construída no Brasil. Nascido na Bélgica em 1908, Lévi-Strauss cresceu e se formou em Paris. Viveu no Brasil entre 1935 e 1939, realizando pesquisas junto a tribos indígenas e lecionando na então recém-criada Universidade de São Paulo (USP). "Como ainda era um jovem pensador, passou um tanto desapercebido na época. Sua influência foi descoberta mais tarde, por volta da década de 1960", conta Oscar Calavia Saez, professor do Departamento de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Entre os índios - Por aqui, Lévi-Strauss conduziu projetos etnográficos no Mato Grosso e Amazônia. Viveu entre os índios guaycuru e bororo, mas foi sua experiência entre os nambikwara e tupi-kawahib que consolidou sua identidade como antropólogo. As expedições estão registradas no livro Tristes Trópicos (1955), uma autobiografia intelectual do autor.

Em 1949, publicou "As Estruturas Elementares do Parentesco", logo reconhecido como um dos mais importantes trabalhos sobre o tema. "Lévi-Strauss renovou a literatura sobre parentesco lançando uma teoria totalmente diferente", confirma Saez. Através da chamada de "teoria da aliança", ele estudou como as famílias são organizadas examinando as estruturas por trás das relações interpessoais.

Segundo Saez, Lévi-Strauss atingiu seu auge intelectual nos anos 1960, quando publicou seu trabalho mais importante: "O Pensamento Selvagem" (1962). Depois de um tempo esquecido, reapareceu no início da década de 1990, quando teve sua obra revitalizada. "Cada vez mais autores passaram a se inspirar em seus trabalhos e novas interpretações surgiram, muitas vezes opostas àquelas desenvolvidas antes." O brasileiro lembra ainda outra característica marcante do trabalho do mestre: o texto fluente. "Lévi-Strauss era o Marcel Proust (1871-1922) da literatura antropológica", diz, comparando-o ao autor da série Em Busca do Tempo Perdido.

Além do campo do parentesco, seu trabalho também foi fundamental para o desenvolvimento de projetos em torno da universalidade cultural. "Seu pensamento mudou a ideia que se tinha a respeito dos chamados primitivos. A partir de seus estudos, os pesquisadores passaram a levar mais a sério a "ciência indígena" - mesmo que Lévi-Strauss não gostasse desse termo", afirma Saez. Outro tema bastante abordado por ele eram as artes. "Curiosamente, ele não vinha de uma família de acadêmicos, mas de artistas. Sempre teve grande paixão pela música e pela pintura e possui escritos muito interessantes sobre as duas áreas", conta.

Nas letras - Leda Tenorio Motta, professora do Programa de Comunicação e Semiótica da PUC-SP, diz que Lévi-Strauss também foi uma figura importante para os críticos literários. "Ele teve uma grande ascendência sobre os mais importantes intelectuais da segunda metade do século XX na França, entre eles o 'chefe de história da crítica', Roland Barthes (1915-1980)", afirma.

Segundo ela, as escolas ligadas ao pensamento de Lévi-Strauss passaram a ler a literatura pelo ângulo dos signos e dos mitos. "Podemos dizer que ele é o mestre da literatura pelos signos e mitos", completa.

Disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/variedades/levi-strauss-revolucionario-academia-509964.shtml

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Literatura aprimora formação de médicos

Laboratório da Unifesp usa livros para despertar 'olhar humanizado'



Como se posicionar diante da dor? O que é o arrependimento? Questões assim reúnem um grupo de 30 profissionais de saúde todas as sextas-feiras na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Uma obra de literatura universal, lida previamente por todos os alunos, dá a pauta dos diálogos. Médicos, universitários, pós-graduandos, psicólogos, fonoaudiólogos e até funcionários administrativos investigam sentimentos, projetos e reflexões dos personagens.

Os participantes organizam uma roda e todos podem falar. O encontro já recebeu um nome: laboratório de humanidades. "As experiências realizadas aqui envolvem a afetividade e a sensibilidade dos participantes", afirma Dante Marcello Claramonte Gallian, diretor do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da Unifesp e principal responsável pelo laboratório.

"É uma experiência de encontro com a força humanizadora da literatura", afirma o historiador Rafael Ruiz Gonzalez, um dos idealizadores do encontro. Livros tão diferentes como O Senhor dos Anéis, Primeiras Estórias, O Apanhador no Campo de Centeio e Odisseia já instigaram discussões no grupo.

A dermatologista Enilde Borges Costa acredita que a obediência a um conjunto de "regrinhas" não garante o cuidado integral de um paciente. "É preciso conquistar um olhar humanizado, que se torne um traço da personalidade do médico em todos os momentos, também fora do hospital", afirma Enilde. "Não é simples, mas o laboratório me ajuda a conquistar esse olhar", completa.

REALISMO

Como uma vida é curta para experimentar todas as situações possíveis, os participantes do encontro pegam emprestado os dramas de d. Quixote, Frodo, Brás Cubas, Alice, Raskólnikov e outras figuras literárias conhecidas.

Na última sexta-feira, Macbeth, de Shakespeare, serviu como motor da discussão que dura, no máximo, uma hora e meia, sempre no período do almoço. A perversão e os remorsos do protagonista, um nobre que assassina o rei e usurpa seu trono, intrigaram os participantes.

Surgiu naturalmente uma questão: por que a bondade e o egoísmo estão misturados nas pessoas? A pergunta, aparentemente tão abstrata, ganhou contornos de um realismo perturbador quando uma médica recordou o sofrimento concreto de uma paciente.

Idosa, a paciente infernizava seus cuidadores. Depois de muita conversa, a médica descobriu o segredo de um temperamento tão difícil. Quando ficou viúva, a paciente descobriu que o marido, um imigrante europeu, servira como oficial da Gestapo, a polícia secreta de Adolf Hitler. A senhora sofria ao pensar que o pai dos seus filhos, durante a juventude, cometera crimes a serviço de um Estado perverso. A complexidade de Macbeth ganhou um rosto e exigiu uma resposta inesperada da profissional de saúde.

"Na Unifesp, há muitas pesquisas de ponta", comenta Gonzalez. "As pessoas experimentam muitas vezes os limites da técnica. Talvez por isso sintam uma necessidade tão grande de reflexões como essas."

A mestranda Maria Sharmila Alina de Sousa estuda marcadores genéticos para tumores. Consciente das inúmeras implicações morais dos testes mais avançados que revelam qual é a chance de uma pessoa desenvolver a doença, pretende fazer um doutorado em bioética. É uma frequentadora assídua dos encontros.

No último semestre, o laboratório de humanidades foi reconhecido como disciplina da pós-graduação, mas continua aberto para qualquer aluno, até mesmo para quem não trabalha ou estuda na Unifesp.

Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091025/not_imp455995,0.php

Site reúne cartas históricas e de famosos

Página armazena desde bronca em Lindsay Lohan a manuscrito do século 9º

Recém-criado por blogueiro inglês, Letters of Note tem 50 mil visitantes únicos por dia; documentos guardados são vistos em fac-símile


Tudo o que escrever para outra pessoa pode ser usado contra você. Ou ao menos ser publicado no Letters of Note http://www.lettersofnote.com/ se você, o destinatário ou a história envolvida tiver alguma relevância em âmbito mundial.
O site, recém-criado pelo inglês Shaun Usher, 31, teve destaque em blogs como o Boing Boing e recebe hoje uma média de 50 mil visitantes únicos por dia, com a proposta de "garimpar cartas, cartões, telegramas e memorandos fascinantes".
Entre documentos encontrados por Usher, escritor de conteúdo de sites corporativos, e outros enviados por leitores, a página tem mais de 80 cartas, desde um manuscrito do século 9º até um memorando para a atriz Lindsay Lohan, todos acompanhados por fac-símiles e informações sobre qual é a fonte da carta.
No primeiro caso, está uma das "atuais preferidas" de Usher. É um modelo de texto para um convidado enviar ao anfitrião de um jantar pedindo desculpas por ter ficado bêbado. O manuscrito "de etiqueta", do ano 856, foi localizado por pesquisadores na China. "É incrível pensar que há tanto tempo as pessoas já faziam papel de idiotas ao jantar. Não importa o quanto avancemos em tecnologia, nossas personalidades são iguais", diz Usher à Folha.
O documento destinado a Lohan é um puxão de orelha na atriz que vinha faltando às filmagens de "Ela É a Poderosa" (2007). "Sabemos que seu costume de ir a festas é a real razão para a sua chamada "exaustão'", escreve um produtor.
Usher começou a blogar em 2007, para passar o tempo "num trabalho entediante de vendas". A grande repercussão de seu primeiro blog, DeputyDog, sobre arquitetura, o fez pensar na internet como mercado. Largou o emprego e passou a escrever para sites, ao ponto de ficar sem tempo para atualizar o blog.

Matéria completa disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2710200911.htm

Público cria histórias da Mônica na internet

Site Máquina de Quadrinhos tem alta visitação; Sousa fará desenho com Ronaldinho Gaúcho e gibi com personagens de Tezuka


O desenhista Mauricio de Sousa completa hoje 74 anos de idade. Os 50 anos de carreira ele já completou, em julho. E, como uma espécie de Midas dos gibis, continua transformando tudo o que toca em sucesso comercial e editorial.
O mais recente exemplo é o site Máquina de Quadrinhos http://www.maquinadequadrinhos.com.br que usuários podem criar as próprias histórias com os personagens da Turma da Mônica. O acesso é gratuito. Só paga quem quiser utilizar os pacotes maiores, ao custo de R$ 9,90 por mês.
A Máquina completa um mês de existência e, para surpresa até mesmo de Sousa, os números que começam agora a ser computados são altos: 57 mil histórias criadas por usuários, além de acessos a partir de 62 países diferentes.
"Não inventamos uma máquina, mas uma indústria", resume o desenhista, que gosta de pensar no projeto como formador de novos roteiristas para o mercado de quadrinhos.
Dois dos usuários do site, aliás, foram escolhidos para publicar nas revistas impressas de Sousa. O trabalho de triagem continua, a partir do retorno da Lector.com -empresa responsável pela configuração da Máquina- e dos votos dos leitores pela rede.
Enquanto colhe os frutos do produto on-line, Sousa tem outros projetos. No Japão, por exemplo, a Turma da Mônica dividirá os quadrinhos com personagens de Osamu Tezuka, o pai do mangá moderno e autor de Astro Boy, no Japão. O gibi deve sair no ano que vem.
Já na Itália, Sousa planeja um desenho animado estrelado pelo craque Ronaldinho Gaúcho, com cerca de 50 episódios.
Na China, o mercado é o de livros paradidáticos, de pré-alfabetização. Um sobre o descobrimento do Brasil saiu em 2007, e agora clássicos da literatura devem chegar às estantes, além de, provavelmente, uma biografia de Aleijadinho. "Pediram uma história sobre superação", explica Sousa.
As novidades não param por aí. O serviço EntreteniMônica, de promoção de eventos com a turminha, começou recentemente a operar. Se der certo, pode virar uma nova empresa.
Mas para que tanta coisa? "Eu tenho pressa", comenta ele. Mas Sousa irá diminuir em 2010 a carga de trabalho no escritório. "Quero fazer outras coisas. Montar uma empresa de pesquisa, uma fábrica de ideias, um escritório de invenções, marcas e patentes, alguma coisa não ligada a quadrinhos", explica.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2710200914.htm

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Livros do Kindle poderão ser lidos no PC


SÃO FRANCISCO - A www.amazon.com/ anunciou hoje que livros digitais armazenados no Kindle agora também poderão ser lidos em computadores pessoais.

A companhia fornecerá gratuitamente um software a partir do mês que vem para converter e-books do Kindle em arquivos que possam ser abertos no PC.

A novidade é divulgada logo após a estreia do Nook, e-reader da Barnes & Noble, que tem uam função semelhante.

A mais nova versão do e-reader da Sony também é compatível com computadores.

O Kindle vem dominando o mercado de leitores de livros digitais, que está em acelerada expansão, mas analistas preveem que para manter a liderança o aparelho da Amazon.com deve oferecer mais funcionalidades aos usuários.

Os livros comprados na loja da Amazon.com podiam ser lidos até agora no Kindle, no iPhone e no iPod Touch.

Disponível em: http://info.abril.com.br/noticias/tecnologia-pessoal/livros-do-kindle-poderao-ser-lidos-no-pc-22102009-43.shl

Descoberto planeta gasoso com matéria orgânica

Pela segunda vez, astrônomos detectaram moléculas básicas da vida na atmosfera de um planeta gigante gasoso que fica fora do Sistema Solar. O anúncio, feito por cientistas da Nasa (agência espacial norte-americana), ocorre pouco depois da descoberta de 32 planetas localizados ao redor de outras estrelas e de sinais de moléculas orgânicas em Haumea, um planeta anão do nosso Sistema Solar.

As descobertas, porém, ainda não evidenciam um sinal claro de vida extraterrestre. "Um sinal claro de vida exige, primeiro, um planeta onde possa haver vida. Depois, a detecção de moléculas relacionadas a processos biológicos. E, por fim, a evidência de que a abundância dessas moléculas requer atividade biológica", explica Mark Swain, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da Nasa. "Nós apenas não fomos capazes, ainda, de satisfazer a todos os três critérios."

O planeta no qual foi detectada a presença de água, metano e dióxido de carbono falha logo no primeiro critério. Chamado HD 209458b, esse mundo é um "Júpiter quente", um gigante gasoso que orbita muito perto de sua estrela, a um oitavo da distância que separa Mercúrio do Sol, na constelação de Pégaso, a 150 anos-luz da Terra.

A estrela em torno da qual HD 209458b gira é semelhante ao Sol. A descoberta da matéria orgânica foi feita com o uso dos telescópios espaciais Spitzer e Hubble. O Hubble detectou as moléculas e o Spitzer calculou suas concentrações.

Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,descoberto-planeta-gasoso-com-materia-organica,454734,0.htm

Schraiber tem produtos com classificação Kosher

A Schraiber, uma das principais empresas do segmento de suplementos nutricionais do Brasil, acaba de receber a classificação de produtos Kosher, atestando que os alimentos, seus ingredientes e o modo de preparo cumprem as leis dietéticas judaicas, para dois de seus produtos: a Farinha de Casca de Maracujá e o Gel Dental de Calêndula. “Ter produtos com esta indicação significa que os ingredientes que fazem parte da composição possuem qualidade e pureza desde o início de sua produção. Outro ponto importante é que a designação Kosher agrega atributos aos itens, reconhecendo o controle rigoroso nas especificações”, explica Paulo Egedi, Diretor de Marketing da Schraiber. A busca por produtos Kosher vai além dos interesses da comunidade judaica. O público consumidor de alimentos, cosméticos e suplementos nutricionais, dentre outros artigos Kosher, incluem também vegetarianos e pessoas com intolerância a lactose.



http://www.schraiber.com.br/

Disponível em: http://www.pletz.com/blog/schraiber-tem-produtos-com-classificacao-kosher/

Metrô de SP exibe painéis com poemas em 8 estações da linha 2-verde

O Metrô de São Paulo lançou nesta semana um projeto para exibir 70 painéis com poemas em oito estações e nos seis novos trens da linha 2-verde.

A iniciativa pretende colocar os 420 mil usuários diários da linha em contato com 42 textos consagrados da literatura em língua portuguesa. O objetivo é estimular o gosto pela leitura.

A expectativa de um dos idealizadores do projeto Poesia nos Trilhos, o poeta Carlos Figueiredo, é que a iniciativa garanta o primeiro contato de grande parte dos passageiros com a poesia.

O primeiro painel, com o poema "Amar", de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), fica na estação Vila Madalena. As outras estações contempladas são Sumaré, Clínicas, Paraíso, Ana Rosa, Chácara Klabin, Santos/Imigrantes e Alto do Ipiranga. No total, poemas de 21 escritores serão exibidos até o final do ano.

Entre os autores selecionados estão os brasileiros Gonçalves Dias, Augusto dos Anjos, Castro Alves e Olavo Bilac e os portugueses Luís de Camões, Fernando Pessoa e Florbela Espanca.

Segundo Carlos Figueiredo, em 2010 o objetivo é realizar exposições temáticas de poesia em estações e trens de todas as linhas do metrô.

Ele diz que existe entre os usuários do metrô uma demanda por literatura e iniciativas culturais e cita a receptividade do projeto "Embarque na Leitura", que mantém cinco bibliotecas dentro de estações. Elas possuem mais de 18.000 associados.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u641588.shtml

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Vinda do livro digital é tema que atrai público em Frankfurt

Enquanto uns adiam sua chegada, o Google anuncia loja com obras eletrônicas de qualquer dispositivo no próximo semestre

Ubiratan Brasil, ENVIADO ESPECIAL, FRANKFURT

O inglês Richard Charkin, diretor executivo da editora Bloomsbury, é um homem bonachão, que arranca gargalhadas com quase tudo o que fala. Ontem, porém, durante um encontro sobre o futuro do e-book (que atraiu o dobro de pessoas em relação à capacidade do espaço designado pelos organizadores da Feira de Frankfurt), ele conseguiu ser sério uma vez: "Neste Natal, duvido que alguém vá gostar de receber um livro eletrônico, preferindo ainda o formato no papel. Mas, não sei como será no próximo ano."

Como era esperado, o livro digital atrai pequenas multidões quando é discutida sua vinda. E o encontro de ontem recebeu um upgrade com o anúncio da empresa Google, que planeja lançar uma loja online de livros eletrônicos de qualquer dispositivo com um navegador da Web, ameaçando o crescente mercado de leitores dominado pelo Kindle, da Amazon. O projeto pretende lançar edições no primeiro semestre do próximo ano, oferecendo inicialmente cerca de meio milhão de e-books em parceria com as editoras com as quais já negociou os direitos digitais. "Não estamos focados em apenas um tipo de suporte eletrônico", disse Tom Turvey, diretor de Parcerias Estratégicas do Google, em uma coletiva de imprensa em Frankfurt.

O anúncio veio uma semana depois de a Amazon ter confirmado que vai liberar o uso do Kindle para mais de cem países além dos Estados Unidos, elevando sua posição de liderança em um mercado pequeno, mas de crescimento rápido, em que os seus concorrentes incluem o Sony Reader"s.

"São decisões importantes, pois o consumidor ainda não sabe como escolher", comentou Ronald Schild, diretor da empresa de marketing MVB, que participou do debate ao lado de Richard Charkin. Mas, ele acredita, a indecisão logo vai terminar. "Hoje, com nossa rotina dominada por aparelhos eletrônicos, as pessoas leem mais textos em meios eletrônicos do que em papel", observou Andrew Savicas, vice-presidente da O"Reilly Media, editora norte-americana cujo fundador, Tom O"Reilly, cravou o termo Web 2.0. Os números confirmam uma leve transferência para o mercado editorial - segundo a empresa de pesquisas Forrester, cerca de 3 milhões de leitores digitais serão vendidos nos Estados Unidos, contra uma previsão inicial de um milhão, um aumento favorecido por preços mais baixos, variação no conteúdo e melhor distribuição.

O problema mais crucial continua sendo a discussão sobre direitos autorais. Contra as reclamações de que vai disponibilizar livros fora de catálogo mas cujos direitos ainda persistem, o Google rebateu, afirmando que a versão eletrônica abrirá novas possibilidades comerciais para a obra.

"Esse assunto é o mais delicado nessa história", comentou a agente literária Lúcia Riff ao Estado. Apesar de o mercado brasileiro ainda estar ligeiramente distante do mundo digital, ela contou que já acrescenta adendos aos contratos de seus autores (e ela edita escritores do naipe de Luis Fernando Verissimo) incluindo o formato e-book. "É preciso fazer uma adaptação, ainda com o mercado incerto."

Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091016/not_imp451278,0.php

O grande esforço para acabar com o livro

O e-book nem pegou e já inventaram o vook, que agrega videoclipes e dramatizações à narrativa. Que chatice...

Sérgio Augusto - O Estado de S.Paulo

No dia em que o novo best seller de Dan Brown chegou às livrarias do Hemisfério Norte, a versão eletrônica vendeu bem mais que a edição impressa. Os corifeus do e-book e a própria Amazon, empório exclusivo do Kindle, o iPod dos livros digitais, só não festejaram a auspiciosa largada por mais tempo e com mais estardalhaço porque, no meio da corrida, a versão impressa de “O Símbolo Perdido” fez uma ultrapassagem espetacular e fechou a semana com vários corpos de vantagem. Dos primeiros 2 milhões de exemplares vendidos, apenas 100 mil eram e-books. A indústria editorial ainda depende mais de tinta, celulose e cola do que supõe a vã tecnofilia.

Mas ela vai mal das pernas, como, aliás, quase todos os negócios que dependem de papel, gráfica e letras que não sejam de câmbio. Só os exageradamente otimistas acreditam que a salvação esteja nos e-books. Como eles não responderam por mais de 1,6% dos livros vendidos no primeiro semestre deste ano, melhor esperar sentado e rezar para que as futuras gerações, seduzidas pelo novo gimmick eletrônico, tenham menos preguiça de ler, maior capacidade de concentração e mais vontade de crescer espiritualmente. Mesmo eletrônico, um livro destina-se, basicamente, à leitura.

Em 19 de novembro faz dois anos que a Amazon lançou o Kindle. A última versão (mais delgada, tela de 15 cm, teclas angulares) custa US$ 259 (R$ 460), um pouco mais em conta do que a versão original (que em junho não saía por menos de US$ 359), ainda assim um hardware caro, um capricho conspícuo. Um iPod não é baratinho, mas armazena e reproduz música, acumula os proveitos de um aparelho de som, de um toca-CDs e de um walkman, ao passo que um e-reader, bem, o homem nunca precisou de um aparelho para ler livros, certo?

Ainda que a leitura digital viabilize algo de fundamental importância, a possibilidade de se navegar em qualquer texto, à procura de trechos, palavras, até letras e vírgulas, a remissão total e absoluta - e concretize o sonho de se ter, literalmente, à mão e em qualquer lugar uma biblioteca inteira, seu custo desanima. Um estudo da Forrester Research estimou que o e-reader só será um sucesso avassalador quando custar menos de US$ 100.

O Kindle não é o único artefato de leitura digital de livros e demais impressos disponíveis na praça. Com ele concorrem, entre outros, o Sony Reader (mais barato: US$ 199) e o holandês iRex (mais caro: US$ 399), mas 45% do mercado já lhe pertencem. Esta semana a Amazon ampliou seus domínios, oferecendo os serviços do seu e-reader para mais de cem países, entre os quais o Brasil.

Mais cedo do que se esperava, os brasileiros poderão usufruir o que antes era privilégio dos americanos: baixar livros da Amazon em 60 segundos (ao preço médio de US$ 9,99, cerca de R$ 18) e publicações estrangeiras, direto na versão internacional do Kindle, só diferente da americana no que diz respeito à tecnologia de transmissão de dados, aos cuidados da AT&T e seus parceiros internacionais. As primeiras encomendas começarão a ser expedidas de Seattle daqui a oito dias.

Seu catálogo de livros ultrapassa os 300 mil títulos, mais 85 jornais e revistas por assinatura. Todos, por enquanto, em inglês, à exceção do jornal carioca O Globo, o primeiro da América Latina a aderir ao Kindle. As editoras Bloomsbury, Hachette, HarperCollins, Lonely Planet e Simon & Schuster integram o pool montado pela Amazon, que ainda espera a adesão da Random House. Das editoras brasileiras, a primeira a aderir será a Ediouro, que até o fim do ano terá 500 dos seus 10 mil títulos em Kindle, completando o serviço no prazo de um ano.

A eventual consolidação do modo digital de consumir livros como quem acessa um smart phone pode até resultar na redenção do hábito da leitura, especialmente entre os jovens, mas não livrará a indústria editorial da praga da pirataria, da napsterização do livro. Corsário à espreita é o que não falta. Há um site suíço, RapidShare, especializado em baixar literatura de graça na internet; já pegaram nele 102 cópias da versão e-book de O “Símbolo Perdido”. Os bucaneiros atacam onde dão sopa. Já devem estar de olho no vook.

Vook é a última palavra em e-book, o livro digital com imagens, o book eletrônico televisivo. Um empresário do Vale do Sicílio, Bradley Inman, teve a ideia, a Simon & Schuster perfilhou-a e o híbrido multimídia foi posto recentemente à venda, a US$ 6,99 o "exemplar". Tem texto, videoclips, narrativas ilustradas por dramatizações semelhantes às de uma telessérie e pode ser baixado por qualquer navegador em desktops, laptops, netbooks, smart phones, mas não em e-readers. Ou seja, no Kindle um vook não entra. Faz sentido, pois Inman o criou com o intuito de cobrir as deficiências do e-book, todos enfadonhamente desprovidos de imagens, capas bonita, fontes atraentes e demais encantos gráficos do livro impresso.

A oferta ainda é pobre; a bem dizer, paupérrima. Até agora, só quatro vooks foram lançados: um de dieta e ginástica para mulheres; um guia alimentar para mulheres; um romance água com açúcar de Jude Deveraux; e um thriller curto de Richard Doetsch, intitulado Embassy. A julgar pelos trailers, só os dois primeiros têm alguma utilidade e não ofendem a velha arte de se contar uma história com engenho, imaginação, palavras bem escolhidas e imagens expressivas. Como os bons livros de todo o sempre, que além do mais, guardam um cheiro, misto de tinta, cola e míldio, que nenhum e-book é capaz de emular.

Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,o-grande-esforco-para-acabar-com-o-livro,449165,0.htm

Fliporto receberá escritor israelense Yaron Avitov

O escritor israelense Yaron Avitov está vindo para o Brasil. Ele é convidado da Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas – Fliporto – e vai participar do painel “As múltiplas identidades do escritor e da Iberoamérica” no dia 06/11. Yaron Avitov esteve no Brasil em 2008 quando participou da Bienal do Livro de São Paulo e debateu com alunos e professores da USP e UNB o tema “Literatura israelense e hebraica desde o século 19 até os dias atuais”.

Disponível em: http://www.pletz.com/blog/fliporto-recebera-escritor-israelense-yaron-avitov/

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Como fazer um bom negócio no sebo

Beatriz Monteiro



Sebos aderem ao sistema de créditos virtual e passam a oferecer, em certos lugares, livros nunca antes encontrados

Uma revolução, ainda que tímida, vem acontecendo nos sebos de todo o Brasil. Mais de uma centena deles já aderiram ao Programa Nacional de Troca de Livros, encabeçado pelo portal Estante Virtual. Mas o que isso significa?

Assim como a fronteira geográfica entre pessoas foi facilmente derrubada com a Internet, a do livro também. Hoje, o caminho que um livro é capaz de percorrer é infinito perto do que poderia alcançar se dependesse de um espaço físico para existir.

Em São Paulo, vinte e quatro sebos espalhados pela cidade já oferecem a possibilidade de troca por um exemplar presente no acervo ou através de crédito virtual a ser gasto com títulos presentes no banco de dados do portal Estante Virtual.

Clientes que frequentam sebos levam, em média, de cinco a dez livros para serem avaliados pelo livreiro. Com o montante arrecadado, acabam indo para casa com outras obras ou com o crédito para aquisição de outro exemplar via web.

Alguns sebos favorecem a troca presencial oferecendo um bônus extra de 5% na troca por crédito local, como é o caso do Sebo Mandrak, localizado no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo.

A busca incessante e o gasto demasiado por um livro acabou. Na era digital, sebos se servem de ferramentas para aumentar o número de exemplares seminovos à venda. Com isso, os acervos aumentarão sua oferta, facilitando a democracia e o acesso à leitura.

Nota da jornalista:
A escrivaninha em que escrevo, hoje, tem como decoração uma série de livros, entre eles, alguns que fortaleceram minha personalidade. “Mongólia”, de Bernardo Carvalho, “Che Guevara”, de Jorge Castañeda, Santa Maria do Circo, de David Toscana e “Eu Vi Ramallah”, de Mourid Barghouti. Todos eles lidos apenas uma vez. Se levá-los ao sebo e os vender, como seminovos, terei a soma de um crédito capaz de formar um outro repertório de livros e serei responsável por transmitir a outro leitor a mesma emoção que tive quando terminei de ler cada obra descrita acima.

Leia também:

O prazer da troca de livros
http://catracalivre.folha.uol.com.br/2009/08/o-prazer-da-troca/">http://catracalivre.folha.uol.com.br/2009/08/o-prazer-da-troca/

Melhores sites para baixar livros
http://catracalivre.folha.uol.com.br/2009/07/melhores-sites-para-baixar-livros/

Acesse os sebos que já aderiram ao programa
http://www.estantevirtual.com.br/mod_perl/participantes.cgi?imagemap=off&filtro=programadetrocas&alvo=cidade&pchave=S%E3o%20Paulo

Disponível em: http://catracalivre.folha.uol.com.br/2009/08/catraca-ensina-como-fazer-um-bom-negocio-no-sebo/

Cientista israelense recebe Prêmio Nobel de Química

A Professora Ada Yonath, cientista israelense e pesquisadora chefe da área de Biologia Estrutural, recebeu o Prêmio Nobel de Química, segundo anunciado por Estocolmo. Yonath divide este prestigioso prêmio com Venkatraman Ramakrishnan, do Reino Unido, e Thomas Steitz, dos Estados Unidos. Yonath é a primeira mulher a receber o Prêmio Nobel de Química, desde 1964. Seus estudos são sobre a estrutura do ribossoma, seu sistema de síntese de proteínas e o modo de ação dos antibióticos. O Presidente de Israel Shimon Peres saudou a ganhadora dizendo que “toda a nação se emociona contigo” e “A relevância de suas pesquisas abriu muitas portas da ciência. Lhe envio um forte abraço e te agradeço em o Nome do Estado de Israel”, completou.
Yonath é a primeira bióloga israelense que enviou ao espaço um estudo a bordo de uma nave da NASA, e durante anos, cooperou com 12 missões. Seus estudos contribuiram para o desenvolvimernto dos antibióticos mais eficientes, capazes de atacar a intromissão de bactérias. Yonath se manteve ocupada durante a maior parte de sua carreira científica com a revelação da estrutura dos ribossomas. Seus esforços incluem avanços técnicos pioneiros revolucionários da biologia estrutural de todo o mundo e culminaram com a determinação das estruturas de duas sub-unidades ribossômicas. Suas pesquisas são a chave do desenvolvimento de novos métodos de cura para diferentes enfermidades.
Yonath nasceu em Jerusalém em 1939, ficando órfã de pai desde muito cedo. Apesar de ter sido necessário ajudar na renda familiar, continuou seus estudos cursando a “Nova Escola Secundária” de Tel Aviv. Ao concluir o serviço militar no exército de Israel, estudou na Universidade Hebraica de Jerusalém onde se formou em Química com especialização em Biofísica. Um ponto que marcou seus estudos para seu terceiro título foi ter completado, com excelência, seu grau no Instituto Weitzmann em Rehovot, iniciando seu trabalho de pesquisa. Em 1968 obteve seu Diploma de Doutorado e logo em seguida concentrou-se em sua pesquisa de pós doutorado no Instituto “Carnegie Mellon” em Pittsburg e no Instituto de Tecnología MIT, dos Estados Unidos.

Disponível em: http://www.pletz.com/blog/cientista-israelense-recebe-premio-nobel-de-quimica/

Leitor digital Kindle chegará oficialmente ao Brasil

A Amazon anunciou nesta quarta-feira (7) que vai começar a vender o leitor digital Kindle para fora dos Estados Unidos entre os países que poderão comprar o eletrônico está o Brasil. Com as taxas de importação e de entrega, o produto que custa US$ 279 nos EUA (cerca de R$ 490) vai chegar aos brasileiros por US$ 585,32 (o equivalente a R$ 1.028,75).


O Kindle tem capacidade para armazenar 1,5 mil livros e bateria que dura quatro dias com o wireless ativado ou duas semanas com ele desativado. Ele ainda apresenta função de leitura em voz alta (em inglês) e permite que o usuário baixe qualquer livro, em qualquer lugar, em apenas 60 segundos, através da conexão wireless embutida.

Essa função, que dispensa o uso do computador para fazer downloads, será viabilizada no Brasil com uma conexão 3G gratuita (usada somente para o download de livros digitais). Os títulos, no entanto, são pagos: o catálogo tem 300 mil títulos com preço médio de US$ 12 para lançamentos. Há 100 mil livros que custam menos de US$ 6.

Também é possível baixar os primeiros capítulos de uma obra gratuitamente, para decidir se quer ou não comprar o conteúdo.
O Kindle tem tela de 6 polegadas, mede 20 cm x 13,4 cm x 0,9 cm x, pesa 289 gramas e pode ser carregado via cabo USB, diretamente do computador. A capacidade interna do equipamento é de 2 GB, sendo que aproximadamente 1,4 GB estão disponíveis para armazenamento de livros.

Preço
A versão vendida nos Estados Unidos, que usa a rede da Sprint Nextel para fornecer conteúdo, teve redução de US$ 40 e foi para US$ 259 nesta quarta, nos EUA. O produto foi lançado em 2007 por US$ 400 e, no início do ano, custava US$ 360.

A diferença do modelo de US$ 259 para aquele que será vendido ao Brasil e outros cerca de cem países é o tipo de conexão. Segundo a agência de notícias AP, a versão internacional do produto vai fornecer os livros para serem baixados no Kindle pela rede da AT&T.

Vendas
Em entrevista nesta quarta, Jeff Bezos, diretor-executivo da Amazon, afirmou que o Kindle é o produto mais vendido da loja virtual. Apesar disso, ele se recusou a divulgar números de vendas relacionados ao leitor digital.
De acordo com um estudo da Forrester Research, as vendas de leitores digitais devem somar 3 milhões neste ano. Deste total, a Amazon responde por 60%, enquanto a Sony tem 35% do mercado.

Já a Associação de Editoras Norte-americanas divulgou que os livros digitais (compatíveis com leitores como o Kindle) responderam por 1,6% de todos os livros comprados no primeiro semestre. As vendas aumentam rápido: os e-books somaram US$ 81,5 milhões no primeiro semestre, nos EUA, contra US$ 29,8 milhões no mesmo período de 2009.

Segundo Bezos, a Amazon vende 48 cópias para o Kindle de cada cem cópias “físicas” comercializadas no site. Há cinco meses, esse número era de 35 para cem. De acordo com o diretor-executivo, esse crescimento acontece mais rápido do que o esperado.

Disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1332565-6174,00.html

Híbrido de livro e vídeo gera controvérsia

Editoras lançam produtos que combinam recursos de texto eletrônico, vídeo e internet para tentar atrair o interesse do leitor

Tecnologia altera mundo literário e compete com leitura tradicional; alguns autores, porém, desdenham da ideia de combinar mídias


Por mais de 500 anos, o livro vem sendo uma entidade notavelmente estável: uma sequência coerente de palavras conectadas, impressas em papel e delimitadas por capas.
Mas na era do iPhone, Kindle e YouTube, o conceito de livro está ganhando elasticidade, enquanto as editoras combinam recursos de texto, vídeo e internet em um esforço para manter o interesse dos leitores.
Na quinta-feira, por exemplo, a Simon & Schuster, editora dos livros de Ernest Hemingway e de Stephen King, anunciou quatro lançamentos, produzidos em colaboração com um parceiro multimídia, que ela classifica como "vooks" (ou "vivros", em português), produtos que combinam vídeos e texto eletrônico e podem ser lidos e vistos on-line ou em um iPhone ou iPod Touch.
No começo de setembro, Anthony Zuiker, criador da série de TV "CSI", lançou "Level 26: Dark Origins", um romance publicado em papel, como livro eletrônico e em versão em áudio, no qual os leitores são convidados a se conectar à web a cada cinco capítulos a fim de assistir a vídeos curtos que adensam a trama.
Algumas editoras afirmam que essas formas multimídia híbridas são necessárias para atrair os leitores modernos, que desejam algo diferente. Mas os especialistas em leitura apontam para a possibilidade de que tentar alterar os parâmetros dos livros degrade o ato da leitura.
"Não há dúvida de que essas novas mídias terão resultado excelente no que tange a envolver e a interessar o leitor", disse Maryanne Wolf, professora de desenvolvimento infantil na Universidade Tufts e autora de um livro sobre a relação entre ciência e leitura. Mas acrescentou: "Será que alguém vai continuar lendo Henry James ou George Eliot? Será que as pessoas terão paciência?".
A maneira mais evidente pela qual a tecnologia alterou o mundo literário é o livro eletrônico. Ao longo dos últimos 12 meses, aparelhos como o Kindle, da Amazon, e o Reader, da Sony, ganharam popularidade. Mas as edições digitais que eles exibem são em geral fiéis à ideia tradicional de um livro, e usam palavras e ocasionais imagens ou fotos.
Os novos híbridos acrescentam muitos outros recursos. Em um dos "vooks" da Simon & Schuster, cujo tema é a dieta e o exercício físico, os leitores podem clicar em vídeos que demonstram como executar os exercícios.
Em "Embassy", um romance curto de suspense de Richard Doetsch, a trama de sequestro é revelada por um vídeo que simula um telejornal e mostra que a vítima é a filha do prefeito; o vídeo substituiu parte do texto original de Doetsch.
"Todo mundo está tentando refletir sobre como os livros e a informação serão combinados no século 21", disse Judit Curr, diretora editorial da Atria Books, a divisão da Simon & Schuster que está lançando as versões eletrônicas em parceria com a Vook, uma companhia multimídia. "Não podemos mais ser lineares com o texto", ela acrescentou.
Em alguns casos, tecnologias de rede social permitem conversações entre leitores, e isso influencia a maneira pela qual os livros são escritos.
Embora as editoras devam continuar publicando livros criados por escritores que trabalham sozinhos, Susan Katz, editora responsável pela divisão infantil da HarperCollins, prevê que "haverá uma espécie popular de literatura na qual o autor será visto como líder de um grande grupo e selecionará" entre as sugestões oferecidas pelos leitores.
Jude Devereaux, autora de livros românticos que já escreveu 36 romances convencionais, disse que adorou sua experiência com "Promises", um "vook" exclusivo que se passa em uma fazenda da Carolina do Sul no século 19 e integra vídeos e trechos de diálogo em áudio para criar uma atmosfera. Devereaux diz que gostaria de ver versões novas de livros amplificadas pelo uso de música ou até mesmo de perfumes. "Gostaria de poder usar todos os sentidos", ela afirma.
Alguns escritores desdenham da ideia de combinar as duas mídias. "Como romancista, jamais, em hipótese alguma", permitiria que vídeos substituam a prosa, disse Walter Mosley, autor de "Devil in a Blue Dress" e outros romances. "A leitura permite que nossa capacidade cognitiva cresça", diz Mosley. "E nossa capacidade cognitiva na verdade começa a andar para trás quando assistimos televisão ou ficamos o tempo todo no computador."

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0410200921.htm

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

16º Salão do Livro da Hebraica traz atrações para crianças e adultos


De 6 a 12 de outubro, o clube A Hebraica realiza a 16ª edição de seu Salão do Livro, com programação especial para os públicos adulto e infantil. O evento coincide com o cinquentenário da Biblioteca do Clube que, em parceria com a Livraria Cultura, irá promover lançamentos de livros, shows, contação de histórias. Convidados especiais como a escritora Tatiana Belinky e o rabino Henry Sobel estão confirmadas. Na abertura oficial do Salão, às 18h do dia 6 de outubro, serão premiados os vencedores do IV Concurso Literário Ben Gurion. Com a presença dos autores Moacir Amâncio, Michel Gordon, Rabino Alexandre Leoni e Saul Kirschbaum, será lançado o Selo Comemorativo dos 50 anos da Biblioteca da Hebraica.

PROGRAMAÇÃO SALÃO DO LIVRO

06.10 – (3ª feira)
18h – Abertura oficial Salão Livro: 18h
20h – Premiação IV Concurso Literário Ben Gurion e Lançamento Selo comemorativo 50 anos da Biblioteca
Autores convidados: Moacir Amâncio, Michel Gordon, Rabino Alexandre Leoni, Saul Kirschbaum

07.10 – (4ª feira) – Salão do Livro das 10 às 21h
15h – Lançamento do livro “Lendas judaicas” e “Gabriel, já para o banho” do autor Ilan Brenman
19h – Palestra Resistência e superação – Vivendo na economia real – Josef Yaari autor do livro “O leão da montanha”

08.10 – (5ª feira) – Salão do Livro das 10 às 21h
11h -Alunos da Escola Maternal visitam o salão e montam um painel com trabalhos realizados em classe – Livro Tatiana Belinky
19h – Lançamento do livro “Primeiros judeus de São Paulo” de Paulo Valadares, Guilherme Faiguenboim, Niels Andreas

09.10 – (6ª feira) – Salão do Livro das 10 às 17h
10:30h – A Hora da História – grupo de contação para crianças

10.10 – (sábado) – Salão do Livro das 10 às 21h
11h – Presença da escritora Tatiana Belinky – com contadora de histórias Sylvia Lohn
14h – Tarde de autógrafos – Sonhar, dormir e psicanalisar : viagens ao informe de Décio Gurfinkel
16h – Tarde de autógrafos “Israel e a paz no Oriente Médio” de Henrique Rattner – convidado especial Rabino Henry Sobel
17h – Tarde de autógrafos – Qualquer lugar de mim de Erez Milgron
19h – Palestra com autógrafos do livro “A árvore em que meu pai catava nozes” de Michel Rosenthal Wagner

11.10 – (domingo) – Salão do Livro das 10 às 21h
11h – Canções de Faz de conta – Show musical infantil com Carlos Navas cantando musicas de Chico Buarque e Vinícius de Morais
17h – Palestra de Michel Gordon autor do livro “Um judeu no Islã”

12.10 – (feriado – 2.feira) – Salão do Livro das 10 às 21h
15h – Palestra Guila Flint – Tema conflito israelense palestino

Livro diz que verdadeiro criador do Fusca era judeu


Ferdinand Porsche pode não ser o verdadeiro criador do Fusca. Segundo o historiador holandês Paul Schilperoord, que acaba de lançar um livro intitulado Ware Verhaal van de Kever (A Verdadeira História do Fusca), quem teve a idéia de criar um automóvel pequeno, com motor traseiro, suspensão independente e uma carroceria arredondada, completamente diferente dos carros da época, foi um engenheiro e jornalista húngaro, chamado Josef Ganz.
Uma versão chegou a ser fabricada por uma pequena indústria alemã, denominada Standard Fahrzeugfabrik. De acordo com o livro, Ganz, que inclusive havia chamado seu carro inicialmente de Maikäfer (Meu Besouro), tentou inutilmente obter apoio financeiro para produzi-lo em grande série, ao mesmo tempo em que publicava vários artigos propondo uma revolução no design automotivo e criticando os pesados e inseguros carros da época. Desagradando aos grandes fabricantes e, por ser judeu, ele acabou sendo preso pela Gestapo, polícia secreta nazista, devido a uma acusação forjada de chantagem.














Libertado, Ganz mudou-se para a Suíça, onde continuou tentando sem sucesso produzir seu carro – o projeto chegou a ser roubado pelo próprio governo suíço. A idéia do engenheiro húngaro, na mesma época, teria chegado ao ditador Adolf Hitler que, entusiasmado e desejoso de motorizar a população alemã, encarregou Ferdinand Porsche de sua concretização, obviamente ocultando a autoria do projeto inicial por um judeu. A Standard Fahrzeugfabrik, coincidentemente, foi proibida de usar o nome Volkswagen, carro do povo, na promoção de seu automóvel.

Após a Segunda Guerra Mundial, Ganz tentou durante vários anos provar na justiça seus direitos sobre o Fusca. Ele acabou indo morar na Austrália, onde trabalhou na Holden (hoje parte da GM), falecendo pobre e sem chegar a ser reconhecido, a não ser por um restrito número de designers e engenheiros. Embora sua história não fosse desconhecida, o livro de Schiperood é o primeiro inteiramente dedicado a ela e está sendo cogitado para servir de base para um futuro filme.

A história de Ganz pode ser encontrada em detalhes no site www.ganz-volkswagen.org , em inglês.

Disponível em: http://autoestrada.uol.com.br/interno.cfm?id=2552

Relações Exteriores aprova acordos entre o Mercosul e Israel

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional aprovou nesta quarta-feira o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 1665/09, da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, que aprova os textos Acordo/Quadro de Comércio entre o Mercosul e Israel e o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Israel.

O relator na comissão, deputado Dr. Rosinha (PT-PR), votou favoravelmente à proposta. O Acordo/Quadro de Livre Comércio entre o Mercosul e Israel define o objetivo, as regras gerais e a estratégia para os acertos comerciais a serem realizados. O segundo texto, derivado do primeiro, centra-se nas regras para o intercâmbio de bens, assim como nas outras negociações bilaterais ou regionais conduzidas pelo Mercosul.

É um acordo de abertura de mercados para bens, com cláusula evolutiva sobre a possibilidade de entendimentos, no futuro, sobre acesso a mercados em serviços e investimentos. O acordo cobre os temas de comércio de bens, regras de origem, salvaguardas, cooperação em normas técnicas, cooperação em normas sanitárias e fitossanitárias, cooperação tecnológica e técnica e cooperação aduaneira.

Liberalização
O texto prevê a liberalização total de mais de 90% do comércio entre as duas regiões em até dez anos. Os produtos foram divididos em quatro cestas, com prazos diferenciados para o fim das tarifas de importação: imediato, quatro, oito e dez anos.

Um percentual pequeno de produtos, entre 5% e 8%, estará sujeito a cotas de importação. Entram nessa lista produtos agrícolas, como açúcar, carnes e laticínios. Apenas 2% dos produtos estariam fora do acordo.

De acordo com Dr. Rosinha, esses produtos, de modo geral, são bens produzidos nos "kibutz", as pequenas comunidades agrícolas que se constituem no esteio social e político de Israel.

Ele informa ainda que, de acordo com a exposição de motivos que acompanha os textos, esse entendimento com Israel é o "primeiro acordo de livre comércio do Mercosul com parceiro extrarregional" e insere-se, em perspectiva mais ampla, na "estratégia de promoção de acordos com países do Oriente Médio e do Magrebe".

Avanços
O relator afirmou que o acordo constitui-se num grande avanço econômico, comercial e diplomático para o Mercosul. Apesar de o comércio do bloco com o resto do mundo ter quintuplicado de 1991 a 2007, disse, é importante explorar ainda mais o potencial de produção e exportação, aumentando a sua participação relativa no comércio internacional.

Segundo Dr. Rosinha, apesar de o Mercosul centrar sua estratégia de ampliação no âmbito da Organização Mundial do Comércio, isso não exclui negociações bilaterais e regionais, as quais, se bem não vão resolver os temas sistêmicos da OMC, podem contribuir de forma significativa para melhorar o desempenho comercial do bloco.

Tramitação
Os acordos estão sendo analisados em regime de urgência e já foram aprovados pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Ainda falta a análise da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio e votação pelo Plenário.

Disponível em: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/09/30/politica,i=145486/RELACOES+EXTERIORES+APROVA+ACORDOS+ENTRE+O+MERCOSUL+E+ISRAEL.shtml

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A importância da mãe na descoberta do hábito da leitura

A importância da mãe na descoberta do hábito da leitura Instituto Pró-Livro coleta depoimentos na feira para ilustrar pesquisa que aponta o papel materno no estímulo ao ato de ler

Ubiratan Brasil

Um convite foi feito para diversas mães nos primeiros dias da Bienal do Livro: gravar um depoimento sobre como incentivar a leitura entre os filhos. A ação partiu do Instituto Pró-Livro, que encomendou uma pesquisa ao Ibope, chamada Retratos da Leitura no Brasil, para avaliar a importância materna no descobrimento da leitura.

Os números são curiosos, segundo a pesquisa, um em cada três leitores tem lembranças da mãe lendo algum livro e 49% deles creditam ao afeto materno o grande incentivador no processo de ler por prazer. Já entre as crianças de 5 a 10 anos, 73% citam as mães como quem mais as estimularam a ler.

A partir desses dados, equipes do Instituto Pró-Livro gravaram depoimentos no fim de semana e prometem repetir a dose no próximo, quando termina a Bienal. As declarações serão disponibilizadas no site do instituto e editadas para a produção de um vídeo a ser utilizado em campanhas de estímulo à leitura.

Em um primeiro momento, já foram coletados depoimentos de leitores famosos como Matheus Nachtergaele, Tony Ramos, Walcyr Carrasco e Mauricio de Sousa. Também pessoas não conhecidas contaram suas histórias. Algumas primeiras conclusões já surgiram. A biografia do bispo Edir Macedo (O Bispo, de Douglas Tavolaro, editado pela Larousse do Brasil) desponta como uma das obras mais citadas. Há também a história de uma mãe que, ao não saber mais como fazer para o filho se interessar pela leitura, resolveu o problema ao lhe dar uma revista Playboy.

Outra pesquisa divulgada durante a Bienal busca detalhar a importância do livro no orçamento familiar. O estudo foi realizado com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, divulgado em 2007. Os dados permitiram traçar o perfil do mercado consumidor, por nível de renda, escolaridade, local de compra e outras variáveis importantes. O único detalhe desabonador é que as informações obtidas não são recentes. Foram coletados ao longo de 12 meses (julho de 2002 a junho de 2003), em uma amostragem de aproximadamente 50 mil domicílios, distribuídos em áreas urbanas e rurais de todos os Estados do País.

Encomendada por oito entidades ligadas ao mercado editorial e coordenada pelo pesquisador titular do IBGE Kaizô Iwakami Beltrão, a pesquisa O Livro no Orçamento Familiar mostra que gastos anuais com o conjunto de itens de material de leitura foram de R$ 5,471 bilhões, somando-se o total de despesas com revistas, jornais, livros didáticos e não didáticos, fotocópias, livros religiosos, técnicos, dicionários, apostilas e bibliotecas.

Ao se dissecar esse número, descobre-se que o gasto médio anual com revistas, por família, chega a R$ 42. Com jornais, esse dado é de R$ 17, enquanto as despesas com livros não didáticos é quase quatro vezes menor - apenas R$ 11 por ano, ou seja, apenas 0,05% da renda familiar.

A pesquisa mostra ainda que é pequena a porcentagem da população brasileira que adquire livros não didáticos: 7,47%. Os números poderão ser checados no próximo ano, quando o IBGE terminar de tabular a nova pesquisa, agora compreendendo o período entre julho de 2008 e junho deste ano.

Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090916/not_imp435574,0.php

Trocando Livros








O Trocando Livros é um site que tem como objetivo facilitar a troca de livros entre pessoas de todo o Brasil.

Com certeza sua estante possui diversos livros que já foram lidos ou que você não tem mais interesse.

Saiba mais em:

http://www.trocandolivros.com.br/

Perguntas e respostas.

Para criar uma conta no Trocando Livros preciso pagar alguma coisa?
Não. Você pode criar sua conta gratuitamente.

Quais informações preciso fornecer para criar uma conta?
Você precisa apenas preencher seu e-mail, CEP e uma senha.
Somente quando você for solicitar ou enviar um livro, o sistema pedirá que informe seu endereço completo.

Como faço para trocar livros?
Primeiramente você precisa montar sua lista com os títulos que você quer disponibilizar para troca.
Quando alguém solicitar um de seus livros, você será avisado por email. Você o envia pelo correio e confirma no site para ganhar 1 crédito.
Com este crédito você poderá solicitar qualquer livro disponível no Trocando Livros. 1 Crédito = 1 Livro.

Existe outra forma de obter créditos?
Sim. Usuários do Trocando Livros podem comprar créditos. Cada crédito custa R$ 14,90 e a quantidade disponível para venda é limitada.

Quem paga o custo dos Correios?
O usuário que envia.
Mas lembre-se: se você é o remetente, você pagará o envio. Porém, quando for solicitar um livro, outro usuário pagará ao enviar para você.

Posso enviar livros riscados ou com anotações?Não. O livro deve estar em ótimo estado e não pode conter rasuras ou anotações.
Livros com nomes, dedicatórias ou carimbos em apenas uma das páginas podem ser enviados.

Tenho que devolver o livro que eu solicitar?Não. Quando você recebe um livro que você solicitou, ele passa a ser seu.

Novas aquisições

O novo romance do escritor israelense David Grossman “A mulher foge”

Orah e Avram (Abrão), os protagonistas deste romance, são nomes primordiais. Abrão, o nome do patriarca do judaísmo antes da aliança com Deus, e Orah, derivação feminina de "luz", a primeira entidade criada no Gênesis sobre o céu e a terra. E é no território do primordial que esse romance acontece, em meio a uma caminhada sem rumo pela Galileia. Por temer receber a notícia da morte do filho, que serve no exército, Orah foge para o norte de Israel, levando consigo Avram, um amigo e antigo amante que conheceu quando jovem no setor de isolamento de um hospital e que, mais tarde, foi severamente torturado pelos egípcios na guerra de Yom Kipur, em 1973. A consequência dessa experiência, para ele, foi uma vida inteira de negação, frustração e niilismo. Para Orah, divorciada e sozinha, restou ser mãe de dois rapazes em Israel, onde os jovens servem no exército durante três anos e para quem morrer com uma bomba é um dever banal, diante da opção bem pior de que essa bomba exploda dentro de um ônibus. Orah, que deveria ser a mulher iluminada, não consegue encontrar mais em si mesma a luz necessária para compreender essa realidade e foge. Mas é na fuga que ela revela sua força. Enfrentar a guerra e o medo; as divisões internas de Israel; o casamento e a separação; o passado e a recuperação de algum sentido na vida pelo encontro com a natureza e com o diálogo os temas das conversas entre Orah e Avram são tão fundamentais quanto os nomes que protagonizam. Dentro de uma situação de conflito coletivo e duradouro, como conciliar as preocupações individuais de uma mãe que, afinal, prefere a companhia do filho à missão patriótica? Como manter a causa pacifista, se aqueles que podem atirar contra um filho são justamente aqueles com quem se quer fazer a paz? É no limite de Israel e no limite de si mesmos que Orah e Avram descobrem um ao outro, a si próprios e a sua condição de israelenses irreversivelmente exilados. Viver em Israel, afinal, é viver em exílio permanente, estar sempre de fora da normalidade e ver o mundo a distância. Mas é também no fim da terra conhecida, na fronteira com o inimigo, que se pode restaurar alguns caminhos há tanto tempo bloqueados.


HQ

Em 1933, Hitler subiu ao poder e iniciou uma caçada implacável aos judeus. Com apenas dezesseis anos, Esther é bruscamente separada dos pais e refugia-se em uma fazenda no sul da Holanda. Muitos anos depois, em companhia do filho e do neto, Esther visita o lugar que lhe serviu de esconderijo e conta, pela primeira vez, as atrocidades que ela presenciou e viveu durante o Holocausto. Para a protagonista de "A busca", remexer o passado é uma forma de encerrar esse capítulo de sua história, ao mesmo tempo em que tenta descobrir o que aconteceu aos seus pais, amigos e ao homem que arriscou a vida para abrigar dezenas de famílias judias em sua fazenda. Contada de modo claro mas sem perder de vista que se trata de um livro juvenil, "A busca" é um abrangente panorama da perseguição nazista e de como as ideias de um homem afetaram de modo tão brutal a vida de milhões de pessoas.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Livro conta a história dos judeus de SP por meio do cemitério da Vila Mariana

MARIANA BARROS

Grande parte da história da comunidade judaica em São Paulo está concentrada em um terreno de 10 mil metros quadrados na Vila Mariana (zona sul) uma área correspondente a meia praça Buenos Aires, na região central.
Há 90 anos, esse pedaço de terra foi transformado no primeiro cemitério israelita da cidade. Ele abriga 5.500 sepulturas tanto de pioneiros anônimos da migração judaica na capital quanto de famosos como o pintor lituano Lasar Segall (1891-1957) e o arquiteto modernista Gregori Warchavchik (1896-1972).
Seguindo a estrela de Davi impressa nos túmulos, os pesquisadores Paulo Valadares e Guilherme Faiguenboim e o fotógrafo Niels Andreas recuperaram costumes fúnebres, construíram narrativas e extraíram as raízes da imigração judaica. O resultado está no livro "Os Primeiros Judeus de São Paulo - Uma Breve História Contada Através do Cemitério da Vila Mariana" (editora Fraiha, R$ 110), que tem lançamento marcado para o dia 15.
Foi a falta de documentação dos primeiros imigrantes que levou os autores a preencherem lacunas de registros em cartórios, igrejas, delegacias e livros de cemitérios.
"A maioria dos descendentes são pessoas comuns. Como poderão descobrir a sua história?", diz Faiguenboim, para responder em seguida: "As lápides são documentos", referindo-se às inscrições que serviram de ponto de partida.
O próprio Andreas conta ter encontrado uma parte desconhecida de sua história: o túmulo de seu irmão natimorto, bebê que ele nunca soube que sua mãe tivera.
A obra resgata ainda a trajetória dos fundadores do cemitério, como o industrial Maurício Klabin (1860-1923), que cedeu o terreno.
Dali também saíram pistas para narrar a vida das polacas, prostitutas judias que, devido ao preconceito, tiveram seu sepultamento negado no local. Reunidas em associações para pressionar sua aceitação, encontraram vagas principalmente nos cemitérios Chora Menino, em Santana (zona norte), e no de Cubatão (Baixada Santista). Duas foram enterradas no da Consolação (centro) sob a inscrição "Deseja-se que sua alma não seja mais encarnada".
Embora hoje praticamente não existam mais vagas no cemitério da Vila Mariana, outros dois continuam recolhendo as histórias da tradição judaica, o do Butantã (zona oeste) e o de Embu.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0509200915.htm

A verdade sobre o Grito

A verdade sobre o Grito
________________________________________
Debaixo de uma das traves de palmeiras à beira do Ipiranga, dom Pedro 1º assiste a um show do futebol brasileiro
________________________________________


QUANDO FAZIA as pesquisas para meu primeiro livro ("O Chalaça"), um romance histórico que tem como protagonista o secretário particular do primeiro imperador do Brasil, deparei-me com um documento surpreendente: uma carta de dom Pedro 1º para sua amante Domitila de Castro Canto e Melo, a marquesa de Santos.
Tais papéis contavam uma nova versão para a independência do país.
Tratava-se de uma revelação tão retumbante que, confesso, tive receio das possíveis repercussões e a omiti.
Porém, passados 15 anos do livro e quase 200 desde o Dia do Grito, finalmente tomo um gole de coragem e trago a público esta importante página da história pátria: "Titília, minha querida, nestes dias aconteceram coisas mui divertidas que não posso deixar de te contar. Tudo começou quando voltávamos de Santos. Estávamos ao lado do riacho Ipiranga quando o Chalaça espreguiçou e disse: "Bem que podíamos dar uma parada e jogar uma partidinha de futebol".
Imediatamente aprovei a ideia e ordenei à comitiva que desmontasse dos burros. Por sorte havia dois pares de palmeiras que nos serviriam perfeitamente de traves. Porém, havia um problema. Não estávamos em 22, mas apenas em 13. Então mandei que o Chalaça fosse convidar nove homens entre os camponeses que estavam ali perto a nos observar. Como não se nega um convite do príncipe regente, logo tínhamos onze de cada lado. Um dos times, só com os portugueses da comitiva, ficou escalado assim: Joaquim; Manuel, Joaquim Manuel, Manuel Joaquim e Manu; Quim, Manuelzão e Quinzinho; Maneco, Quinzão e Jota Eme.
No outro ficamos o Chalaça, eu (de goleiro, é claro) e os nove brasileiros. Não lembro de todos, mas sei que havia um de pernas tortas, um de fartos bigodes, um que possuía um nome grego (talvez Sófocles), um branco alcunhado de Galinho e um negro chamado Nascimento.
Mal começou a peleja e vi que seria um passeio. Os brasileiros trocavam passes com tanta maestria que mais pareciam bailarinos. Penetrávamos na defesa adversária como se fôssemos faca e ela, manteiga. Eu não precisei fazer uma defesa sequer e fiquei encostado numa das palmeiras assistindo ao espetáculo.
Os nossos golos brotavam naturalmente, e o primeiro tempo terminou com o redondo placar de 10 a 0. Foi então que minha comitiva, irada por perder de forma tão vexaminosa, cercou-me e exigiu que eu e o Chalaça deixássemos o time dos brasileiros e passássemos à equipa dos lusitanos. "Teu dever é defender Portugal", diziam eles.
Pensei em como seria terrível enfrentar aquela equipa e não tive dúvidas, ergui a bola e gritei: "Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus e pelo meu time, juro promover a liberdade do Brasil! Independência ou morte!'
O jogo continuou e terminamos ganhando por 23 a 1 (o Chalaça fez um golo contra).
Pois bem, minha Titília, esta é a verdadeira história da Independência do Brasil. Mas, pensando no futuro, creio que vou inventar uma versão menos prosaica, com soldados, espadas e cavalos brancos. Um beijo do teu imperador e goleiro, Pedro."

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk0809200920.htm

Leituradiaria.com

Serviço gratuito de leitura de livros por e-mail, RSS ou WAP.
Os trechos dos livros são enviados periodicamente para você gratuitamente.

Uma maneira simples de ler livros para você que gosta de praticidade.


http://www.leituradiaria.com/

Livros brasileiros podem ser lidos de graça no celular

Editora gaúcha aposta na gratuidade do formato para conseguir emplacar a leitura em meios digitais no Brasil; todos os envolvidos no projeto são voluntários.

Rafael Cabral

Até pouco tempo atrás, texto no celular era sinônimo de mensagens SMS. Com o crescimento das vendas de smartphones, no entanto, o telefone foi adaptado para um fim inesperado: a leitura de livros. Só o Stanza, um programa de leitura específico para o iPhone, foi baixado por 2 milhões de usuários em 2009 e registrou o download de 12 milhões de livros. Já popularizada no Japão e na Coréia do Sul, a prática começa a ganhar adeptos no Brasil, que já tem até uma editora especializada na publicação de obras para o aparelho.
Inaugurada em novembro de 2008, a editora gaúcha Plus http://editoraplus.org/ é a primeira a disponibilizar o seu catálogo, formado por livros eletrônicos inéditos, para o dispositivo. Sem fins lucrativos, a Plus é uma organização que tem como objetivo a popularização dos e-books no País. Capistas, revisores, diagramadores, críticos e autores: todos os envolvidos são voluntários.

Registrados em Creative Commons (licença alternativa ao copyright), todos os títulos são gratuitos tanto para os leitores quanto para os autores, que arcam apenas com o registro de R$ 49,00 exigido pela Biblioteca Nacional. “Não queremos tomar o dinheiro de ninguém, apenas fazer que as pessoas não tenham mais desculpas para deixar de ler”, explica Eduardo Melo, diretor da editora que, desde janeiro, disponibilizou dezessete lançamentos.

O editor vê nos dispositivos portáteis (celulares e e-readers) o futuro da publicação, mas acredita que o mercado literário brasileiro ainda não consegue ver além do papel. “É um caminho totalmente inexplorado por aqui. Muito em breve os meios digitais serão rentáveis. O problema é que as nossas editoras são como avestruzes, estão todas com a cabeças embaixo da terra”, alfineta.

Projetos semelhantes ao da organização gaúcha podem ser vistos, em um estágio mais avançado, no exterior. Um exemplo é o Books In My Phone http://www.booksinmyphone.com/, que reúne tanto obras inéditas de autores estreantes quanto clássicos da literatura como Balzac e Tolstoi. Mesmo que não pareça lá muito confortável ler um calhamaço como Guerra e Paz no telefone, esse é um mercado em crescimento. Tanto é que até a Amazon, fabricante do Kindle, estuda vender ao menos uma parte de seus cerca de 350 mil e-books também para telefones celulares.

Os dispositivos para leitura eletrônica como o Sony Reader e o próprio Kindle sem dúvida são mais apropriados para baixar livros do que celulares, já que usam a tecnologia da tinta eletrônica e têm controle de luz para não irritar os olhos. O problema ainda é o preço.

Uma pesquisa da consultoria Forrester Research afirma que os e-readers não serão populares até que seus preços caiam para cerca de US$ 50, ou R$ 92. O Kindle DX hoje custa US$ 489, enquanto o Daily Edition, lançado pela Sony na semana passada, fica em US$ 399.

A estratégia da Sony para bater a Amazon é converter sua livraria digital de mais de 1 milhão de títulos, para o formato EPUB, padrão para publicação que permite a leitura de livros em diversos aparelhos. Inclusive nos acessíveis celulares.

Disponível em: http://www.estadao.com.br/tecnologia/link/not_tec2977,0.shtm

Bibliófilo escolhe os cem melhores livros da área

Bibliófilo escolhe os cem melhores livros da área.
Seleção do inglês Jason Godfrey está no livro Bibliográfico


Antonio Gonçalves Filho


Com primeira edição lançada simultaneamente em todo o mundo, a Cosac Naify publica outro livro sobre a evolução da produção editorial, Bibliográfico: 100 livros clássicos sobre Design Gráfico (tradução de Cid Knipel, 224 págs., R$ 99). Escrito pelo designer e bibliófilo inglês Jason Godfrey, a edição é organizada em seis seções com mais de 600 ilustrações: Tipografia, Livros de Referência, Didáticos, Histórias, Antologias e Monografias. São mais de uma centena de títulos selecionados por Godfrey, de edições esgotadas a monografias recentes de conhecidos designers como Stefan Sagmeister e Peter Saville.

De certo modo, Bibliográfico complementa o trabalho de compilação feito por Philip B. Meggs em História do Design Gráfico. Alguns trabalhos comentados no primeiro ganham projeção no segundo, caso da poderosa imagem do pugilista Muhammad Ali registrada em 1968 pelo diretor de arte norte-americano George Lois. Nela, o lutador posa como um São Sebastião contemporâneo, simbolicamente flechado pela mídia. Lois era o rei das capas da revista americana Esquire. No mesmo ano ele convenceu o ex-presidente Richard Nixon a se deixar fotografar, enquanto um batalhão de maquiadores passava batom e sabe-se lá mais o que em seu rosto. No livro de Godfrey, a produção da reportagem de Muhammad Ali para a Esquire é acompanhada da página dupla da revista. A foto está no livro The Art of Advertising, de 1977, uma das raridades de Bibliográfico.

O livro História do Design Gráfico ganha capítulo especial nesse livro de Godfrey, que presta tributo ao empenho com que Philip Meggs se dedicou à elaboração desse volumoso estudo. Meggs lecionava na Universidade de Richmond, em 1968, quando ficou claro para ele que seus alunos não conheciam nada sobre a história do design. Compilando os textos de suas conferências, o professor impressionou o mercado editorial, em 1983, ao apresentar um livro de abrangência ilimitada. Ou quase. Há apenas uma referência ao design brasileiro em sua obra, mas a diretora de arte Elaine Ramos promete corrigir essa lacuna brevemente. "No começo, planejamos agregar um encarte à edição de História do Design Gráfico, mas resolvemos ampliar o projeto e torná-lo independente". Resultado: em 2010 sai pela Cosac Naify uma história do design brasileiro com mais de 2 mil imagens.

O Brasil tampouco marca presença entre os 100 livros selecionados como modelos pelo inglês Godfrey, apesar dos reconhecidos méritos de nossos designers especialmente após o advento da arte de tendência construtiva no País, isto é, na passagem da década de 1950 para 1960. É possível reconhecer uma ou outra influência assimilada pelos artistas brasileiros que tinham acesso na época a livros como Graphic Design Manual (1965) do suíço Armin Hofmann. Ele não só ditou regras para conterrâneos como arrebanhou um número expressivo de admiradores entre os artistas concretos e neoconcretos brasileiros. É possível identificar a marca da pureza formal de Hoffmann em obras de peso como a de Lothar Charoux (1912-1987) , Luís Sacilotto (1924-2003) e Willys de Castro (1926-1988). Nada mais justo: os livros de design, de modo geral, formam um olhar rigoroso.

A designer de livros Elaine Ramos, que já trabalhou em alguns clássicos da área publicados pela Cosac Naify, revela que sua educação visual se desenvolveu com a leitura (e a feitura) dessas obras. A editora tem apostado na produção de títulos sobre a tradição do país na área. Foram publicados livros de e sobre Alexandre Wollner e estudos sobre o design brasileiro da década de 1960. Agora chegou a vez dos anos 1950, que marcam a modernidade no Brasil. Quem organiza o livro é André Stolarski.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090905/not_imp429940,0.php

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

"1808", um sucesso de simplicidade e trabalho.


A história de d. João 6º chegou a 100 semanas na lista de mais vendidos porque o autor botou o pé na estrada.

O "1808", do jornalista Laurentino Gomes, bateu a marca mágica dos sucessos editoriais e entrou na 100ª semana de presença nas listas dos livros mais vendidos. Para quem acha que brasileiro não lê, foram 500 mil exemplares. Na categoria de trabalhos de não-ficção de autores nacionais, a melhor marca está com "Estação Carandiru", do médico Drauzio Varela, lançado em 1999, que chegou a 160 semanas.
Há poucas semanas a professora canadense Margaret MacMillan publicou um livro sobre as atuais dificuldades da historiografia, contando que uma estudante decidiu estudar um período porque ele estava "subteorizado". Laurentino foi na direção oposta. No "1808" não se encontram expressões como "burguesia mercantil" ou "pacto colonial". É uma obra simples, dividida em 29 pequenos capítulos, contando a chegada de d. João 6º ao Brasil. Mostra que ele não foi o paspalho retratado pela burrice convencional.
Por trás do sucesso de "1808" há uma lição. Em 2007, quando Laurentino percebeu o próprio êxito, resolveu cavalgá-lo. Contratou uma assessoria que rastreou as vendas do livro, reinventou a obra lançando uma edição juvenil, um audiolivro, uma caixa com DVD, criou um sítio na internet e entrou no Twitter. Gastou R$ 300 mil do seu bolso (mas ganhou R$ 2 milhões). Deixou o emprego que tinha na Editora Abril e, nas suas palavras, "botei o pé na estrada". Visitou 60 cidades, fez 250 palestras, autografou 5.000 exemplares e respondeu a 10.000 e-mails.
É dura a vida de um autor. Há seis meses ele descobriu (graças aos leitores) que a Editora Planeta rodara 8.000 exemplares embaralhando capítulos de uma biografia de Indira Gandhi. Pior: esse reparte fora mandado para livrarias da internet para ser vendido a R$ 9,90 e acabara em livrarias a R$ 40.
Laurentino publicará em setembro de 2010 seu novo livro, "1822", pela Ediouro. Para recontar a história da Independência, ele foi ao sertão piauiense e visitou o campo da batalha de Jenipapo, em Campo Maior.
Nela morreram 400 brasileiros ignorados pela história. Deles há a lembrança dos túmulos e um monumento de concreto, perdido numa mata de carnaúba.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc3008200918.htm

A MIDIATECA DISPONIBILIZA UM EXEMPLAR PARA EMPRÉSTIMO
.
.

Bonner faz sua leitura sobre o JN


Noticiário chega aos 40 com livro que relata o mecanismo de seus bastidores

A obsessão de ser compreendido por um público tão heterogêneo quanto permitem as dimensões de um país como Brasil faz de William Bonner um didático por excelência. A evidência de quem persegue o tom está no livro Jornal Nacional - Modo de Fazer (Ed. Globo, 244 págs., R$ 35,90), que o editor chefe e apresentador do JN lança agora, para celebrar os 40 anos que o maior noticiário do País completa na terça-feira. Bonner relata como é feito o JN, quem são os profissionais envolvidos nele e, melhor, cenas de bastidores. Ao Estado, ele falou por e-mail, desculpando-se pela falta de tempo para uma conversa de viva voz: "Vamos estrear cenário novo na segunda, temos gravado pilotos diariamente", conta.

O livro é bastante didático. A quem ele é dirigido?

Sobre a questão do didatismo, imaginei que seria necessário para que os mecanismos do JN fossem compreendidos por quem quer que se interessasse pela leitura. É claro que jornalistas poderão ter essa curiosidade e certas explicações lhes parecerão dispensáveis. Mas haverá também leitores entre estudantes e telespectadores que são leigos em jornalismo.

Você se mostra muito tranquilo para quem comanda o principal telejornal do País. Qual foi o momento de maior tensão durante o JN?

Preciso observar que não sou tão tranquilo assim. O rigor que aplicamos na apuração jornalística exige atenção absoluta, além de uma humildade que não combina com a imagem que muita gente possa ter de um editor-chefe de Jornal Nacional. O cargo exige a humildade de ouvir opiniões divergentes das minhas. Ao mesmo tempo em que um chefe tende a baixar a adrenalina de todos, um chefe que muda de ideia, convencido por novos argumentos, precisa mudar a ordem de paginação do jornal, os tempos reservados aos assuntos... E isso eleva muito a adrenalina dele. Sobre tensão durante a apresentação, tenho que dizer que todas as apresentações do JN são tensas. Seja porque a edição de textos e a apresentação ocorrem simultaneamente, seja porque não conheço ninguém que fala com tanta gente sem um certo nível de tensão. E conto um "causo": perguntei ao Cid Moreira, no dia em que o vi de perfil pela primeira vez (e nunca esqueci isso, porque a TV só mostrava o Cid de frente), quando ele deixou de ficar nervoso para apresentar o JN. E ele, com aquela voz: "Nunca. Eu sempre fico nervoso quando estou aqui."

No livro, você esclarece que o termo "âncora" não implica emitir opinião, como faz Boris Casoy, e que o JN não emite opinião. Casoy diz que a seleção dos assuntos, o tempo dado a cada um e a inflexão do apresentador também são um meio de expressar opinião. Você concorda?

Não concordo - embora tenha um respeito enorme pelo Boris, que me levou a citá-lo, no livro. A seleção de assuntos diz respeito ao processo incontornável de edição, que, no caso de um jornal generalista como o JN, tem o objetivo de levar as principais notícias aos telespectadores. Se eu, como editor chefe, escolhesse assuntos distantes desse objetivo, talvez pudesse aceitar que escolher é opinar. Mas a comparação entre o que o JN noticia com os principais jornais do Brasil e do mundo mostrará um alto grau de coincidência: geralmente a manchete do JN é a manchete dos jornais, o conteúdo do JN se assemelha às primeiras páginas. E, dentro de cada reportagem, a gente oferece opiniões plurais, emitidas por pessoas que divergem. É diferente de eu ou Fátima dizermos se um dos lados está certo ou errado.

O JN inaugura novo cenário na próxima segunda-feira. De que forma você interfere nessa repaginação?

O cenário foi concebido pela equipe do diretor de arte Alexandre Arrabal com a supervisão da direção do Jornalismo. No cenário, mesmo, dei um pitaco ou outro, mas mal os reconheço no resultado final porque evoluíram para soluções melhores. A bancada nova do JN foi desenvolvida em absoluto respeito à ergonomia. Isso faz uma diferença incrível. É a melhor bancada que já tivemos (Fátima não se cansa de elogiar). Acho bem difícil que haja algo melhor em qualquer outra televisão do mundo em termos de funcionalidade para a edição e conforto para a apresentação.

A reforma será só no cenário ou pressupõe mudanças no formato?

O cenário é a etapa final de um processo de reformulação que começou há cinco meses. Primeiro, com a mudança na forma de participações ao vivo dos repórteres: mais longas, mais frequentes e com maior interação com os apresentadores. Depois, modificamos as formas de enquadramento das câmeras.

Você e Fátima Bernardes têm adotado tom mais coloquial na bancada. O que motivou essa aproximação?

Depois de tantas edições em que um estava na bancada e o outro estava fora, nós percebemos que é absolutamente possível apresentarmos o JN com menos "sisudez", digamos assim, sem perdermos a seriedade. Nós nos tornamos menos solenes. E isso vai ficar mais evidente com o cenário novo.

Por fim, mas não menos importante: quem escolhe suas gravatas?

Tá brincando? Eu, ué!

Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090829/not_imp426456,0.php

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Biblioteca Nacional no Twitter

Dois perfis da Fundação Biblioteca Nacional no Twitter têm promovido uma interação diferenciada com usuários da BN. Desde 2008, o perfil http://twitter.com/fbn divulga serviços,eventos e notícias relacionados à FBN. Neste mês, a Biblioteca Nacional Digital(http://twitter.com/BNDigitalBR) também começa a participar da rede, com o intuito de divulgar os projetos desenvolvidos por
sua equipe.

Rio abre 1ª mostra de ''dinos virtuais'': Animais podem ser vistos na internet


A primeira exposição virtual e em três dimensões de dinossauros e outros animais pré-históricos do Brasil está disponível desde ontem na internet. A iniciativa é do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"Não é mais suficiente apenas mostrar na internet um grupo de imagens ou vídeos. As pessoas querem interagir. O programa permite que o visitante percorra as salas do museu como se estivesse em um vídeo game e veja as peças modeladas tridimensionalmente", disse o diretor da unidade, Sérgio Azevedo.

No site, o museu tem a arquitetura original do prédio, que fica na Quinta da Boa Vista, no Rio, mas as 12 salas que podem ser visitadas online não têm a mesma disposição das originais.

Por enquanto, o internauta pode ver 23 peças, entre vértebras, crânios e modelos inteiros de dinossauros, tartarugas e jacarés pré-históricos. Ao clicar em um objetos, é possível ter um pouco da história, alimentação, hábitat e etimologia do animal.

Uma lista de indicações bibliográficas também está disponível para pesquisadores e cientistas. A ideia é aumentar gradativamente a coleção virtual. As peças, segundo Azevedo, complementam o que está exposto no museu.

O programa foi desenvolvido como projeto de doutorado do paleontólogo Pedro Romano e de mestrado do design gráfico Marcos Monnerat.

O lançamento do site http://www.latec.ufrj.br/dinosvirtuais/catalogo/ é parte da programação do 2º Congresso Internacional de Arte Paleontológica, que acontece no próprio museu.

Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090826/not_imp424633,0.php

Ser e estar livreiro em tempos modernos

Em tempos antigos, nas mais diversas civilizações, a leitura e o saber formavam um misto de paixão e poder a que apenas os mais privilegiados tinham acesso. Nos tempos modernos, essa paixão ainda persiste para muitos, com o mesmo entusiasmo. Mas o acesso tornou-se bem mais democrático. Ferramentas de comunicação, em suas mais modernas formas tecnológicas, e o livro, um dos principais vetores do saber, convivem democraticamente disseminando o conhecimento.

Mesmo assim, para os pessimistas, o livro e o exercício da atividade do livreiro estariam com os dias contados, quase uma visão apocalíptica do fim dos tempos. Os mais nostálgicos se lembram das lojas de discos, superespecializadas e cobiçadas, que desapareceram no tempo. Cabe a nós, livreiros, então, a sobrevivência desse segmento.

Entretanto, não nos podemos iludir. Vivemos hoje na era do conhecimento e da informação: o que é novidade num curto espaço de tempo se torna ultrapassado. Opções eletrônicas para a leitura, como o E-Book, o Kindle, o Reader e outras tecnologias, brevemente baterão à nossa porta e os novos leitores, que cresceram convivendo com os smart fones, acesso à banda larga e computadores de última geração, não terão dificuldades com o novo. Portanto, as livrarias, as editoras e distribuidoras devem preparar-se para o hoje. O hoje já é o futuro, não haverá outro caminho senão a atualização, a informação e o conhecimento.

A inovação e a criatividade do livreiro serão as principais ferramentas para enfrentar os novos tempos. Já vislumbro os leitores "baixando" legalmente o conteúdo digital em seus E-Books, diretamente nos caixas das livrarias, como ocorre atualmente com os celulares pré-pagos nos caixas dos supermercados. Acompanhar e adotar as novas tecnologias é o caminho.

O livro físico não desaparecerá das prateleiras das livrarias, mas o eletrônico, rapidamente, estará presente em nossa vida e caminhará paralelamente ao livro físico, sem sombra de dúvida. Precisamos, sim, incentivar cada vez mais as pequenas e médias livrarias a privilegiarem o livro como o seu principal produto de venda.

O sucesso de uma livraria, na minha opinião, está calcado em quatro vertentes: bom atendimento, prestação de serviço, bom sistema de informação (automação comercial) e acervo rico e atualizado.

Quando falo de acervo rico e atualizado, reconheço que não é fácil mantê-lo com capital próprio, e, aí, sim, a aquisição de livros via sistema de consignação ajuda. Porém me preocupo muito quando vejo que algumas livrarias trabalham com quase 100% de seu estoque consignado. Penso que um bom livreiro, para atingir o sucesso financeiro no médio prazo, precisa, na medida do possível, capitalizar a sua livraria, um bom acervo é a verdadeira "poupança" do livreiro. Livrarias que dispõem de bons livros em seus estoques em momento de aperto financeiro, como o atual, poderão diminuir suas compras e só adquirir as novidades, os best sellers, e trabalhar sob encomendas; com o acervo próprio (poupança) terão gorduras para queimar e se capitalizar novamente. O ideal é trabalhar de forma híbrida: parte adquirida, parte consignada.

Outro problema das consignações é o controle. Se ele for falho, poderá prejudicar não só o livreiro, como também o distribuidor e o editor. A consignação é sempre uma boa estratégia de negociação, especialmente em eventos, lançamentos e por um período predeterminado. Se permanente, deve ser muito bem estudada e planejada pelas partes envolvidas, livreiro, distribuidor e editor. Sem falar que hoje, conforme regulamentação da Receita Federal, todas as consignações devem ter um período determinado. É trabalhoso e, sem um controle adequado e um bom sistema de informática, quase impossível de controlar.

Mesmo com todas essas dificuldades que estamos atravessando, esperamos um crescimento entre 3% e 5%, o que, para este ano, podemos considerar bom, acima desse porcentual, somente as livrarias que estavam capitalizadas, que mantiveram seus investimentos e abriram novas lojas e/ou ampliaram as já existentes. É óbvio que as redes que abrirem novas livrarias passarão a vender mais, porém não sei se com a mesma rentabilidade. As médias e independentes terão de usar muita criatividade e recorrer a parcerias para manterem, pelo menos, o faturamento do ano anterior.

Sem dúvida, ainda corremos o risco de fechamento de livrarias de pequeno e médio porte, provocando uma concentração ainda maior do setor. Temos consciência de que a sobrevivência delas, que hoje representam 65% desse mercado, ainda é muito temerosa. Consequência, em primeiro lugar, de práticas comerciais predatórias, em especial de alguns sites que também comercializam livros e de alguns varejistas do setor; segundo, em razão dos custos elevados para manter uma livraria aberta; terceiro, carência do hábito de leitura da população em geral; quarto, há também, em alguns casos, o problema de gestão administrativa e de carência de profissionais capacitados para o varejo livreiro; e, por último, a falta de ações governamentais específicas em defesa das livrarias, que tenham como foco a sobrevivência delas, como o incentivo à abertura de novas livrarias fora dos grandes centros.

Hoje, cerca de 1.600 municípios, em todo o Brasil, não têm sequer uma livraria.

O que vemos, então, é que não serão os livros eletrônicos e as novas tecnologias de comunicação os nossos principais predadores.

Vitor Tavares, executivo na área de livrarias há 20 anos, é presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL) e diretor das Livrarias Loyola

Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090818/not_imp420498,0.php

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Acervos digitais

Instituições oferecem verdadeiras bibliotecas na rede. Saiba como e onde acessá-las.

A Biblioteca de Alexandria foi, na Antiguidade, a maior fonte de conhecimento e cultura da humanidade. A ideia de um prédio que abarcasse toda a produção humana foi objeto de sonho ao longo dos séculos. Agora esta biblioteca tem sido reconstruída cotidianamente e está ao alcance de qualquer cidadão.

Inúmeros projetos que pretendem digitalizar acervos de bibliotecas e museus têm proliferado na rede e o Brasil é um dos principais representantes mundiais nesse trabalho. Aqui, o professor poderá conhecer projetos nacionais e internacionais, todos em português, que vêm proporcionando arquivos digitalizados, como livros, documentos históricos, filmes e obras de arte. Essas são fontes confiáveis de pesquisa que podem ser sugeridas a seus alunos ou usadas em sala de aula.

Biblioteca Nacional ­­­do Brasil
http://bndigital.bn.br/
Criada em 2006, a Biblioteca Digital Nacional é um dos maiores acervos digitais mundiais. O acervo conta com obras raras e um ótimo sistema de busca, que classifica as obras por: autor, título, assunto, local de publicação, data, tipo de publicação e coleção.

Obras raras
http://www.obrasraras.usp.br/
A Biblioteca Digital de Obras Raras e Especiais da Universidade de São Paulo tem facilitado o acesso a livros raros que estão espalhados pelas várias bibliotecas da instituição. Os critérios escolhidos para a seleção do material foram o estado de conservação, peculiaridades físicas ou de conteúdo, além de terem sido privilegiadas as obras que não podiam ser acessadas por qualquer pesquisador. O acervo contabiliza 42 mil livros completos e digitalizados, além de capas e partes de obras. A coleção abrange publicações que vão do século XV ao XVII.

Domínio público
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp
O Portal Domínio Público, criado pelo Ministério da Educação, tem 122.543 arquivos, entre textos, imagens, sons e vídeos. O acervo é composto por obras que já se encontram em domínio público ou que tiveram licença para ser publicadas. O portal oferece, além das obras, páginas especiais para os principais autores. Machado de Assis, por exemplo, tem toda a sua produção literária publicada no portal e um site especial com cronologia, bibliografia, vídeos e um espaço dedicado para a opinião do leitor chamado “postagens”.

Bibvirt
http://www.bibvirt.futuro.usp.br/
A Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa é um projeto desenvolvido pela Escola do Futuro da Universidade de São Paulo. O acervo da BibVirt, como é conhecido o portal, é constituído por imagens, sons, textos e vídeos e separado por outros tópicos, facilitando a pesquisa do usuário. Todo o material publicado já faz parte do domínio público e pode ser reproduzido livre e legalmente.

Biblioteca Nacional de Portugal
http://www.bnportugal.pt/
O acervo digital da Biblioteca Nacional de Portugal especializou-se na digitalização de obras raras e em estado de conservação ruim, que, muitas vezes, não podiam ser manuseadas. A maior parte do material é de iconográficos e de obras cartográficas. As digitalizações abrangem, também, jornais portugueses, enciclopédias e dicionários do período que vai do século XIV ao XVII. O acervo é constituído por 35% de material artístico, 35% de história e geografia, 12% de ciências sociais, 11% de ciências aplicadas e 4% de literatura e linguística. A maior parte do material digitalizado pode ser acessado gratuitamente.

World Digital Library
http://www.wdl.org/pt/
Na 37ª Conferência-Geral da Unesco, em outubro de 2007, foi lançado um protótipo da Biblioteca Mundial Digital. O site ganhou uma versão definitiva este ano e pode ser acessado nas seis línguas oficiais das Nações Unidas (árabe, chinês, inglês, francês, russo e espanhol) e também português. O acervo é constituído por manuscritos, mapas, livros raros, filmes, pinturas, fotografias e desenhos arquitetônicos. Todo o material oferecido é primário, sendo assim, nada é traduzido. No entanto, a busca e toda a interface do site podem ser visitadas em português. As obras estão organizadas por localidade, tempo histórico, assunto, material pesquisado e instituição que forneceu os arquivos digitalizados.

Europeana
http://www.europeana.eu/portal/
A biblioteca digital da União Europeia ainda está em fase de protótipo, no entanto, seu recente lançamento foi um grande sucesso. No dia da estreia do site os acessos foram tantos que o portal teve de sair do ar por algumas horas. A proposta do Europeana é reunir todo o acervo das principais instituições culturais da Europa, como a British Library, em Londres, e o Louvre, em Paris. O site, que terá sua versão 1.0 lançada em 2010, pretende reunir um total de 10 mil objetos digitalizados. Por enquanto, a maior parte do material disponível no site é originário da França. A navegação pelo portal pode ser feita em português, ou qualquer outra língua dos países membros da UE. O acervo é constituído por imagens, textos, sons e música. O site oferece um sistema de busca cronológico (que está em fase de desenvolvimento) e a possibilidade de se fazer um cadastro. O usuário cadastrado tem um espaço pessoal chamado My Europeana, em que pode guardar pesquisas, marcar itens favoritos ou sublinhar conteúdos e adicioná-los às suas pastas.

Disponível em: http://www.cartanaescola.com.br/edicoes/38/acervos-digitais

Professores de Física ganham portal

Parceria entre SBF e CNPq promete facilitar a vida do professor de física.

Quando voltarem ao trabalho em agosto próximo, os professores de Física no ensino médio terão uma ferramenta a mais para ajudá-los em suas atividades de sala de aula. Criado pela Sociedade Brasileira de Física (SBF) com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o portal Píon (www.pion.org.br) já está no ar. O nome do portal é uma homenagem ao físico brasileiro Cesar Lattes, co-descobridor da partícula elementar conhecida por Méson pi ou Píon. Essa é a segunda iniciativa da Sociedade Brasileira de Física no apoio aos professores do ensino médio. A primeira foi a criação do periódico Física na Escola publicada desde 2000.

“O professor de física conta basicamente com o livro-texto. O portal será uma maneira de ele ampliar o acesso a mais informações, tanto do ponto de vista pedagógico como do de conteúdos em física”, explica Nelson Studart, físico, docente da Universidade Federal de São Carlos (SP) e idealizador e coordenador do portal. “Nosso principal objetivo é fornecer material instrucional para ajudar o professor de física no ensino médio em suas aulas”.

Para isso, o portal conta com uma série de conteúdos como simulações, aulas, textos, imagens e links. A sessão de artigos, por exemplo, contém adaptações para web de textos originalmente publicados na revista Física na Escola, da SBF, ou escritos por internautas e colaboradores. Já a sessão “Você sabia” oferecerá uma seleção de desafios em física, elaborados especialmente para professores e estudantes do ensino médio.

Disponível em: http://www.cartanaescola.com.br/online/professores-de-fisica-ganham-portal/

Machado no MASP

Simpósio discute o legado de Machado de Assis na literatura brasileira e mundial.

O auditório do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) receberá nos dias 25 a 29 de agosto o Simpósio Internacional Caminhos Cruzados: Machado de Assis pela crítica mundial.

O evento é organizado pela Universidade Estudal Paulista(Unesp) com o objetivo de criar um diálogo amplo e inédito sobre o Bruxo do Cosme Velho. Entre os palestrantes, todos especialistas na obra de Machado, estarão, entre outros, o professor Abel Barros Baptista que leciona literatura brasileira na Universidade Nova de Lisboa e autor de dois livros sobre Machado e Roberto Scwarz, autor do livro Um mestre na Periferia do Capitalismo: Machado de Assis.

As incrições são gratuitas e podem ser feitas no www.machadodeassis.unesp.br/simposio

Informações sobre o evento: (11) 3871-2339

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Novas aquisições

Faça a sua reserva através do catálogo on-line da Midiateca:
http://www.midiateca.peretz.com.br:8010/sophia/









sexta-feira, 26 de junho de 2009

Site da USP disponibiliza 3.000 livros

A Reitoria da USP lançou nesta semana um site que disponibiliza 3.000 livros para download, as obras estão no endereço: http://www.brasiliana.usp.br/
Entre os títulos, estão livros raros, documentos históricos, manuscritos e imagens que são parte do acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, doada à universidade.
Há planos de aumentar o catálogo para 25 mil títulos e incluir primeiras edições de Machado de Assis e de Hans Staden.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2006200922.htm

Livraria da Folha já está na internet

Loja virtual do Grupo Folha entrou no ar nesta semana com a proposta de oferecer informação diferenciada ao leitor.

Serviço inclui vitrines, listas de recomendações e um sistema de buscas inovador, para facilitar a localização dos títulos por área
.

Uma livraria que, além de funcionar como ponto de venda, oferece ao leitor informação diferenciada sobre o conteúdo disponível. Com esse intuito, entrou no ar nesta semana a Livraria da Folha (www.livraria dafolha.com.br), a loja virtual do Grupo Folha.
"É uma livraria bastante editorializada, feita por uma equipe heterogênea, com formação em tecnologia e varejo, mas também em jornalismo e edição", afirma Ana Busch, diretora-executiva da Folha Online e da Livraria da Folha.
Por seis meses, a equipe navegou por dezenas de livrarias on-line de vários países, buscando as melhores propostas.
Uma inovação está na edição. "Todas as áreas têm suas próprias páginas principais, com vitrines específicas", diz a diretora-executiva. Isso evita que, passado o lançamento, os livros fiquem escondidos, como ocorre nas livrarias tradicionais.
O sistema de buscas também é inédito, elaborado de modo a facilitar a localização do volume dentro de cada área.

Temas relacionados

Na loja virtual, os livros são considerados obras de interesse múltiplo. Assim, uma ficção que tenha relação com geopolítica aparecerá também nesta página, como "ficção relacionada". Um livro de história será indicado também em turismo, para que quem vai viajar possa ficar por dentro de tudo sobre o destino que escolheu.
Além das tradicionais listas de mais vendidos, há listas de recomendações, bibliotecas básicas por assunto, por exemplo, moda, música, investimentos e compilações por temas. Nos próximos meses, o site deve receber outras ferramentas, como espaço para que os usuários deixem comentários, em sistema semelhante ao utilizado na Folha Online.
"Buscamos melhorar o site todos os dias, com base numa experiência de quatro anos vendendo livros pela internet, mesmo sem a configuração formal de loja", diz Ana Busch.
As compras podem ser feitas por meio dos cartões de crédito Visa, MasterCard, American Express e Diners Club International -em breve, será possível pagar também por boleto bancário-, e a entrega é feita em todo o território nacional.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2406200923.htm

Cinemateca recupera arquivo da TV Tupi

Acervo, agora disponível na internet, tem reportagens desde os anos 1950

Ainda em andamento, projeto já restaurou cerca de 3.000 vídeos da 1ª emissora do Brasil, e parte de jornais como o "Repórter Esso"


A Cinemateca Brasileira colocou em seu site http://www.cinemateca.com.br/ mais de 3.000 reportagens feitas para a extinta TV Tupi (1950-1980), a primeira emissora do Brasil.
O projeto Resgate do Acervo Audiovisual Jornalístico da TV Tupi, patrocinado pelo Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do Ministério da Justiça, visa recuperar um total de 400 mil vídeos. A empreitada é grande, já que para cada uma hora de material finalizado são de 20 a 30 horas de trabalho.
São filmagens captadas em 16 mm pela equipe no Brasil e no exterior por agências internacionais. Muitas delas estão sem áudio, porque eram acompanhadas por locuções ao vivo, das quais o único registro é o roteiro datilografado.
Esses scripts também estão sendo microfilmados pelo Arquivo do Estado de São Paulo.
A ideia é, numa segunda fase do projeto, recriar em estúdio locuções mais conhecidas como as do "Repórter Esso".
Além deste, as imagens históricas abrangem conteúdo de vários telejornais da época, como "Edição Extra", "Diário de São Paulo" e "Ultranotícias".
Entre os assuntos cobertos, está o noticiário político, como a queda de Juan Domingo Perón, na Argentina, em 1955, ou a Guerra do Vietnã. Também não faltam temas de variedades e esportivos.
Para o coordenador de preservação Millard Schisler, "há uma urgência" nesse projeto. "Estamos lutando contra o tempo para restaurar um material de fragilidade fenomenal. Já há hoje uma pequena porcentagem que não é mais possível telecinar [transpor de película para vídeo]. Mas é emocionante trazer de volta um minuto que seja de uma história que ninguém mais conhece."
Para Fábio Kawano, coordenador de catalogação, há uma riqueza nas cenas corriqueiras. "É interessante ver como eram retratados casos de roubos ou o trânsito na rua Augusta."

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2206200916.htm

Projeto de editora global lusófona está em xeque

Desde 2008 grupo Leya tenta entrar no Brasil; agora holding estaria à venda

Isaías Gomes Teixeira, administrador-executivo da Leya, nega venda e diz que não comenta operações efetuadas no Brasil.

MARCOS STRECKER

Desde o ano passado o mercado editorial brasileiro está agitado com o desembarque de um ambicioso grupo editorial lusitano. Ninguém comenta oficialmente, mas editoras-chave como Record, Companhia das Letras e Sextante já entraram na mira do grupo português Leya. Todas as tentativas de aquisição, no entanto, naufragaram.
Agora, as negociações estão concentradas na compra de uma participação na editora Nova Fronteira, que pertence à Ediouro. Mas a operação ainda não foi concluída, segundo Luiz Fernando Pedroso, diretor-superintendente do grupo Ediouro. A rigor, o negócio pode nem se concretizar.
Entrar no mercado brasileiro é estratégico para a holding Leya, criada em janeiro de 2008. Antes disso o empresário português Miguel Paes do Amaral, maior acionista do grupo, já vinha adquirindo de forma acelerada editoras em Portugal -inclusive as tradicionais Dom Quixote (que publica a obra de António Lobo Antunes) e Caminho (casa de José Saramago). Na época, Lobo Antunes protestou e ameaçou boicotar a editora sob nova direção. Havia especulações de que as compras visariam apenas uma valorização para revenda futura.
As aquisições continuaram desde então. A holding atualmente já domina o mercado lusitano e reúne 17 casas. As compras incluíram editoras em Angola e Moçambique.
No Brasil, a história é diferente. Ainda que a Leya tenha feito ofertas generosas, nada se concretizou. Na mais rumorosa troca de editora de um escritor nacional dos últimos anos -a de Rubem Fonseca-, a Leya teria oferecido R$ 1,5 milhão pelo passe do autor de "Feliz Ano Novo", entre luvas e adiantamento -sem sucesso.
Fontes do mercado agora apontam que o próprio grupo Leya estaria à venda na Europa. "A informação é falsa", disse à Folha Isaías Gomes Teixeira, administrador-executivo do grupo. Além de negar a venda do grupo categoricamente, ele diz que não comenta as operações da Leya no Brasil.
Estar à venda ou mudar de controle acionário não significa que o empreendimento que atingiria um mercado de "200 milhões a falar português" (declarações feitas no lançamento do grupo) não tenha futuro. Mas as dificuldades no Brasil, assim como a crise financeira que eclodiu em setembro passado, indicam que a estratégia de crescimento acelerado visando a atração de capitais em bolsa pode estar passando por uma reavaliação.
Parte das dúvidas sobre o grupo tem a ver com a recusa dos responsáveis pela holding em apresentar seus planos no Brasil. Paes do Amaral é um empresário agressivo em Portugal. Sua notoriedade cresceu com a administração bem-sucedida da emissora lusitana TVI, depois revendida.
O empresário teria feito carreira no mercado financeiro e trabalhado no banco Goldman Sachs, em Nova York. Seus hobbies incluem automobilismo, caça e esqui.

Disponivel em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2006200908.htm

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O Homem que “reinventou” a Matemática


Em 18 de junho de 1974 falecia em Recife Malba Tahan, heterônimo de Júlio César de Mello e Souza. Depois de proferir uma palestra para normalistas pernambucanos sobre a arte de contar histórias, aos 79 anos, desaparecia um dos mais brilhantes professores e escritores de nosso tempo. Suas instruções para sepultamento foram aritméticas: além de uma mensagem a ser lida, exigiu um caixão de terceira classe, algumas flores anônimas, nada de coroas, nada de luto e muito menos discursos.

No início do século XX, era muito difícil que autores nacionais publicassem qualquer coisa. O baixo número de leitores inibia os editores. Mas Júlio Cesar não deu nem bola, queria ser escritor de qualquer jeito. Nessa tentativa, achou que se inventasse um heterônimo estrangeiro e exótico poderia ter mais sucesso, e criou seu personagem-escritor, Malba Tahan. Deu certo.

Depois de ler o “Conto das Mil e Uma Noites”, ainda menino, ficou vidrado com a cultura árabe. Estudou muito e partindo desse conhecimento construiu seu personagem, uma rara figura, com milimétricos contornos biográficos: Malba Tahan teria nascido em 1885, na Arábia Saudita, e já muito moço foi nomeado pelo Emir como prefeito de El Medina. Foi estudar em Istambul e Cairo, e aos 27 anos recebeu uma grande herança paterna, saindo depois em viagem de aventuras pelo mundo afora. Em cada aventura, Malba Tahan sempre acabava se envolvendo com algum engenhoso problema matemático, que resolvia magistralmente e depois escrevia sobre ele.

Júlio César foi professor de História, Geografia e Física antes de se dedicar à Matemática. Seu personagem foi um extraordinário sucesso e até hoje é uma referência no ensino infanto-juvenil. É possível dizer que ele mudou a história do ensino da matemática no Brasil, e é possível até dizer que antes dele as quatro operações de calcular eram enigmas indecifráveis, camuflados, fechados dentro de explicações grotescas e estranhas às crianças e adultos. Malba Tahan mudou tudo, e iniciou uma nova Era no aprendizado dos números. Júlio foi um crítico enérgico da didática clássica, principalmente daquela que nos acompanhou na primeira metade do século XX. Gritou, “esmurrou”, se rebelou, arrumou encrenca com os tradicionalistas e travou incontáveis discussões quando participava de congressos e conferências. Foi pioneiro na utilização de uma nova didática, baseada na resolução de problemas não-mecânicos, na exploração das atividades recreativas e no uso de novas mídias, tais como rádio e televisão. Suas aulas eram movimentadas e divertidas, e defendia ardorosamente a instalação de laboratórios de Matemática em todas as escolas. Adorava o estudo da Numerologia e muitas vezes era nele que se baseava para contar as magistrais histórias de seus livros.

Na “biografia” de Malba Tahan, eco da fértil imaginação de Júlio César, o escritor teria morado algum tempo no Brasil, e teria morrido nos campos de batalha da Arábia Central em 1921. Morreu lutando pela liberdade das minorias, que tanto defendia. Os livros do escritor Malba Tahan teriam sido escritos originalmente em árabe e traduzidos para o português pelo também fictício Prof. Breno Alencar Bianco. Essa riqueza de detalhes históricos está clara e genialmente estampada nos livros de Júlio César, ou de Malba Tahan.

Magistral professor, educador, pedagogo, escritor e conferencista, Júlio na vida real, nunca pisou num deserto, nunca viu uma única caravana de beduínos, nunca visitou um único país árabe e camelos mesmo, só através de fotos. As areias mais quentes que pisou foram as praianas do Rio de Janeiro, onde nasceu em 6 de maio de 1895, e onde foi catedrático, tanto na escola Nacional de Belas Artes, como na Faculdade Nacional de Arquitetura. Escreveu ao longo da vida mais de 120 livros de matemática recreativa, didática, história da matemática e ficção infanto-juvenil, sendo eles publicados com seu nome verdadeiro ou sob o pseudônimo de Malba Tahan.

Seu sucesso foi imediato, como se gerações e gerações houvessem esperado um Messias da Matemática para lhes trazer alguma luz sobre seu ensino. Livros como, “Lendas do Deserto”, “O Livro de Aladim”, “Lendas do Oásis”, “Os Números Governam o Mundo”, e o mais famoso, “O Homem que Calculava”, que foi traduzido para várias línguas, chegando só ele a mais de 60 edições, tiveram tiragens superiores a 3 milhões de exemplares, só no Brasil. Pois é, não foi só Paulo Coelho ou Jorge Amado que fez sucesso estrondoso na literatura nacional, a matemática de Julio Cesar também fez. O grande Jorge Luiz Borges colocava-o entre os mais notáveis autores da Humanidade e sobre ele, escreveu Monteiro Lobato em 1939: “O Homem que Calculava já me encantou duas vezes e ocupa lugar de honra entre os livros que conservo. Só Malba Tahan faria uma obra assim, obra alta, das mais altas, e que só necessita de um país que devidamente a admire; obra que ficará a salvo das vassouradas do Tempo como a melhor expressão do binômio ciência-imaginação. Que Allah nunca cesse de chover sobre Malba Tahan a luz que reserva para os eleitos”.

No dia 18 de junho, lembramos a perda do fabuloso Júlio César, que não queria luto em seu enterro, mas somente a citação de uma frase do não menos antológico compositor Noel Rosa: “Roupa preta é vaidade / para quem se veste a rigor / o meu luto é a saudade / e a saudade não tem cor”. Eu, meus pais, meus avós e muitas gerações que como nós aprenderam e aprenderão com Malba Tahan, não podíamos deixar de lembrar de Júlio no dia de hoje, sem luto, sem preto, só com o rigor da saudade.

Disponível em: http://cultura.updateordie.com/

A “Wikipédia” das fotografias


Depois da Wikipédia, o maior banco de dados colaborativo do mundo, chega à internet a Fotopédia, com o mesmo conceito, disposto a ser um gigante portal para armazenar imagens. Fuciona assim: se você tiver fotos no seu arquivo ou em sites como o Flickr, pode criar um álbum temático e adicioná-las, além de complementá-las com mapas e os próprios artigos da Wikipédia. Como todos os arquivos devem estar licenciados pelo Creative Commons, todas as imagens podem ser compartilhadas.

Disponível em: http://cultura.updateordie.com/

O que o Google faria se fosse uma editora?

No último dia de maio, o New York Times noticiava que durante a BEA 2009 (BookExpo America) o Google antecipou aos editores americanos sua entrada no mercado de venda de livros digitais ainda este ano. Com o lançamento do Google Editions (este é o nome previsto da iniciativa), é bem provável que tenhamos que repensar tanto o conceito de ebooks quanto o de venda e aquisição de livros.

Um dia depois, em comunicado à imprensa, Gabriel Stricker, porta-voz do Google, declarava: "Queremos construir e apoiar um ecossistema de livros digitais que permita que os nossos parceiros editores disponibilizem seus livros para compra a partir de qualquer dispositivo ligado à Web".

O Google será uma livraria on-line e competirá com a Amazon (primeiro passo para a Googlezon?). Tomando emprestada a expressão do Jeff Jarvis, jornalista e blogueiro do BuzzMachine, "What Would Google Do?" (título do seu último livro), tento imaginar este cenário um pouco mais à frente: O que o Google faria se fosse uma editora?

Pelo menos por enquanto, não acredito que o Google se transforme em uma editora (o que não lhe seria complicado), será apenas uma poderosa e contextualizada livraria on-line, fortalecida por seu próprio mecanismo de busca (como sua Pesquisa de Livros já antecipa).

Entretanto, é bem possível que no futuro (talvez, não muito distante), o Google decida oferecer também as ferramentas de edição e auto-publicação para os autores, ainda mais se levarmos em consideração o crescimento do movimento de autores independentes, os indie authors, nos EUA.

O Google Editions chegará acompanhado de uma nova buzzword, Cloud Publishing (Publicação em Nuvens), termo e conceito derivados, claro, de Cloud Computing (Computação em nuvem) que se refere, essencialmente, à idéia de utilizarmos, em qualquer lugar e independente de plataforma, as mais variadas aplicações através da internet com a mesma facilidade de tê-las instaladas em nossos próprios computadores.

Assim, na Cloud Publishing o conteúdo comprado não é possuído fisicamente, ou seja, mesmo que o download seja feito (salvo em cache pelo Google Gears, por exemplo), e acessado off-line, o leitor jamais terá propriedade sobre esse conteúdo, que poderá, a qualquer momento, ser atualizado on-line.

E isso, acreditem, será positivo para autores e leitores. Por quê? Explico: o leitor, ao comprar o acesso instantâneo a 100% do conteúdo de um único título (que permanecerá on-line), poderá consultá-lo de um browser (o cliente universal) instalado em qualquer computador, celular, TV ou quaisquer outros dispositivos de acesso. Todas as possíveis atualizações estarão automaticamente disponíveis, o que também tornará irrelevantes as discussões a respeito da "babel" de formatos de ebooks (ePub, PDF, Mobi, LRF, PDB etc).

O modelo de venda (e aquisição) de livros do Google se assemelhará ao pay-per-view. Através do poderoso mecanismo de busca do Google, os leitores encontrarão a informação que desejam, escolherão sua opção de acesso (temporária ou definitiva), efetuarão o pagamento, e acessarão o conteúdo on-line.

O livro "nas nuvens", que há poucos anos parecia um sonho distante, está logo ali, na esquina, prestes a viabilizar o conceito do livro em rede, como web service, distribuído, processável e customizável. Ganha o leitor. Ganha o autor. Também ganham os editores que se anteciparem e começarem a explorar as possibilidades (que não serão exclusivas do Google, já que são baseadas em padrões abertos).

E, consequentemente, nunca é demais lembrar, novas portas se abrem para que a criatividade dos autores explorem (e inventem) novas e interessantes formas de se contar uma história.

Disponível em: http://imasters.uol.com.br/artigo/13133

Buenos Aires será a Capital Mundial do Livro em 2011

Buenos Aires foi escolhida para ser a Mundial do Livro em 2011 pela Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em razão da "qualidade e variedade do programa proposto e pela estratégia apresentada para o evento", informou a Unesco nesta segunda, 15, em um comunicado.

Um comitê de seleção composto por representantes das três principais associações de profissionais internacionais do mundo do livro e da Unesco elegeu a capital argentina. O comitê destacou a presença de duas cidades africanas - Lagos, na Nigéria e Porto Novo, no Benin - entre as sete candidatas e expressou seu desejo de que a literatura e a política editorial sejam reforçadas nessas regiões.

Caracas (Venezuela), Havana (Cuba), Sharjah (Emirados Árabes) e Teerã (Irã) completaram a lista de candidatas para ser a Capital Mundial do Livro de 2011.

Buenos Aires é a décima primeira cidade designada Capital Mundial do Livro, para promover o Dia Mundial do Livro e o do Direito do Autor ( 23 de abril), depois de Madri (2001), Alexandria (2002), Nova Delhi (2003), Amberes (2004), Montréal (2005), Turin (2006), Bogotá (2007), Amsterdã (2008), Beirute (2009) e Liubliana (2010).

A iniciativa evidencia a colaboração entre os principais organismos ligados ao livro e o compromisso das cidades de promover o livro e a leitura, segundo a Unesco.

Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,buenos-aires-sera-a-capital-mundial-do-livro-em-2011,387720,0.htm

Tecnologia

Enviando um fax de graça pela internet.

Se você precisar enviar um fax e não tem um aparelho, fique tranquilo.

O MyFax oferece envio de fax pela internet, sem custo algum, para mais de 40 países, inclusive Brasil, Portugal, Japão, Estados Unidos e até para a China.
O envio gratuito é limitado a 2 fax por dia, de até 9 páginas cada.

Aproveite: www.myfax.com/free


Como criar arquivos em PDF pela internet.

Sabia que é possível criar arquivos em formato PDF sem precisar instalar nada no computador?

Você pode converter arquivos do Office (Word, Excel e Power Point) e até mesmo fotos para o formato PDF.

É muito simples.

1. Envie seus arquivos por email para pdf@koolwire.com, anexando os arquivos que deseja converter. Você pode anexar diversos arquivos de diferentes formatos (.doc, .xls, .ppt);

2. Os arquivos em PDF serão enviados a seguir para o seu email.

Vantagens:

• Não é preciso instalar nenhum software no seu computador
• Não é preciso fazer upload de um arquivo de cada vez
• É possível incluir diferentes formatos de arquivo em um mesmo email

Limitações:

• Não converte arquivos do Office97
• Não converte arquivos protegidos por senha

sexta-feira, 29 de maio de 2009

145 anos depois, livro é devolvido à biblioteca

Um caso curioso ocorreu numa biblioteca universitária do Estado da Virgína, nos Estados Unidos. Depois de 145 anos, ou exatos 52.858 dias de atraso, um livro emprestado pela Washington and Lee University Library foi finalmente devolvido.

A obra era o volume número 1 do “History of the War in the Peninsular and in the South of France”, uma obra que trata sobre as guerras napoleônicas, que foi emprestada para o C. S. Gates, um historiador e soldado americano, em 11 de junho de 1864.

O livro passou por três gerações dos Gates até que membros da família descobriram o livro “perdido” e resolveram devolvê-lo a sua legítima proprietária.

Sorte deles que a biblioteca não cobrou a multa de US$ 1 por dia de atraso. Além do recorde de livro com o prazo de devolução mais atrasado do mundo, também seria a multa de biblioteca mais cara da história.

Disponível em: http://wl.blog.br/archives/1341

Marcha da Vida é registrada por Márcio Pitliuk e pelo fotógrafo Márcio Scavone

A Marcha da Vida, realizada desde 1989 para lembrar as vítimas do Holocausto, leva a cada ano mais de 10 mil pessoas aos campos de extermínio da Polônia, onde nazistas da Alemanha, sob liderança de Hitler, mataram 6 milhões de judeus durante a 2ª Guerra. Nesses 20 anos, ninguém teve a idéia de registrar a marcha, que começa nos campos poloneses e termina em Israel. O projeto pioneiro chega agora assinado por dois brasileiros, o publicitário, dramaturgo e escritor Márcio Pitliuk, e o fotógrafo Márcio Scavone, que lançam amanhã, 26.05 às 19h, na Livraria Cultura, o livro Marcha da Vida, publicado em três línguas (português, espanhol e inglês). O volume faz parte de um projeto maior, que engloba um documentário dirigido também por Pitliuk. O filme, em fase de montagem, deve estrear em setembro. O livro é um registro emocionado de Pitliuk e Scavone, que no ano passado acompanharam os passos de 300 estudantes de São Paulo e do Rio e mais 200 adultos, do antigo campo da morte de Auschwitz-Birkenau às muralhas de Jerusalém, chegando ao Muro das Lamentações, o lugar mais sagrado do judaísmo. Nos 60 anos da criação do Estado de Israel, a dupla registrou imagens marcantes como a comoção de estudantes diante dos campos de Auschwitz e Maidanek e das pedras de Treblinka, sinistro conjunto escultórico que se ergue, segundo Scavone, “como um monolito” numa paisagem desolada. Lá, conclui Pitliuk, “nem os passarinhos ousam cantar”. Pode parecer uma poesia de T.S.Eliot,mas foi de fato a insólita beleza desse lugar que no passado exalou o cheiro da morte. A responsável pelas fotos de Scavone, “conta toda a expectativa, esse é um lugar que parece um bosque com um jardim de esculturas”, define Scavone. Todos esses campos, segundo sua impressão, são presenças fantasmagóricas que impressionam pelo aspecto cenográfico de um filme de terror. “Maidanek parece um cenário de Hollywood”, observa, para logo em seguida revelar a imagem que mais lhe impressionou: a nuvem em forma de um fantasma que sai da chaminé do forno crematório do campo de extermínio polonês de Auschwitz-Birkernau, a 300 metros da residência familiar de Rudolf Hoess, seu comandante, que, ao lado de seus cinco filhos, podia ver de seu quarto a macabra edificação.
Por lá passaram grandes escritores como Elie Wiesel, Imre Kertész e Primo Levi, sobreviventes do Holocausto, além de Edith Stein, que morreu na câmara de gás. Algumas das fotos feitas por Scavone estarão expostas na Livraria Cultura até dia 7 de junho.
No auditório Eva Herz, na mesma livraria, um sobrevivente de três campos de concentração, Julio Gartner fará três dias de palestras (quarta, quinta e sexta, às 10h) relatando a traumática experiência que o fez pesar menos de 30 quilos ao final da guerra. Gartner esteve no gueto de Varsóvia, destruído pelo oficial nazista Amon Goeth, comandante do campo de extermínio de Plaszow, na Polônia, e retratado no filme “A Lista de Schindler”, de Spielberg. Autor do texto que acompanha as fotos do livro Marcha da Vida, Márcio Pitliuk também realizou o filme que será lançado no segundo semestre, produzido pela Conspiração Filmes, para que a história do Holocausto jamais seja esquecida. “Agora é hábito comparar genocídios como os de Ruanda com o Holocausto, mas há um detalhe que faz toda a diferença”, observa Pitliuk.“O genocídio alemão foi um ato organizado pelo governo de Hitler com uma logística monstruosa, uma verdadeira indústria de matar criada pelos nazistas, com bancos alemães financiando a construção de campos e fornos crematórios”. Tudo testemunhado pela população vizinha aos campos, como os habitantes de Lublin,que não só podiam ver Maidanek como sentir o cheiro de carne saindo do forno crematório, o mesmo registrado por Scavone no livro.
Alguns campos poloneses surgem hoje, 70 anos após o início da guerra, como bucólicas paisagens silenciosas no meio do nada, o que obrigou o fotógrafo a viajar no inverno para captar a atmosfera de desolação de lugares como Birkenau. Era necessário recriá-la, segundo a dupla de realizadores , Pitliuk e Scavone, para pessoas que não tiveram a oportunidade de fazer a Marcha da Vida, criada justamente quando caiu o muro de Berlim e a Polônia se abriu ao mundo ocidental. A marcha reprisa a trágica jornada dos prisioneiros entre Auschwitz, campo de trabalhos forçados, e Bikernau, campo de extermínio, três quilômetros de agonia percorridos há seis décadas pelas vítimas do nazismo. E por que a uma marcha como essa vem agregada a palavra vida? Porque ela termina em Israel, que garante a sobrevivência de um povo um dia ameaçado de extinção por um lunático. “Tenho amigos não-judeus e, para eles, o Holocausto é algo tão distante que resolvi documentar a marcha em filme, justamente para mostrar que os barracões onde doze pessoas dividiam uma cama de madeira ainda estão lá”, justifica Pitliuk. Respostas para o Holocausto existem e são muitas. Falta explicar, segundo o escritor, como os alemães aceitaram e até colaboraram para matar professores de seus filhos e médicos que salvaram suas vidas.

Marcha da Vida.
Márcio Pitliuk e Márcio Scavone
225 pág. R$ 100.
Livraria Cultura.
Avenida Paulista, 2.073.

Disponível em: http://digital.estadao.com.br/download/pdf/2009/05/25/D3.pdf

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O combate contra Hitler pelo rádio

Obra traz os 58 discursos que Thomas Mann fez para a BBC na luta antinazista.

Ubiratan Brasil

A voz soa grave, com respirações calculadas e com raiva contida, mas perceptível. Entre outubro de 1940 e novembro de 1945, o escritor alemão Thomas Mann (1875-1955) participou da luta contra o nazismo por meio de boletins transmitidos pela rádio inglesa BBC a todo o território europeu. Eram textos escritos e lidos por ele em alemão, um total de 58 discursos. A tensão de sua voz pode ser detectada a partir de gravações disponíveis em sites de busca, como no YouTube, lá, é possível ouvir três dos textos lidos por Mann. Esses mesmos textos chegam finalmente às livrarias brasileiras com o volume Ouvintes Alemães! (tradução de Antonio Carlos dos Santos e Renato Zwick), a ser lançado nesta semana pela Jorge Zahar Editor.

Mann escreveu e gravou os discursos na Califórnia, Estados Unidos, onde passou a viver a partir de 1938. Contrário ao nazismo desde antes da ascensão de Adolf Hitler ao poder, o escritor mudou-se com a família para a Suíça em 1933, ano em que Hitler se tornou chanceler. Três anos depois, perdeu a nacionalidade alemã e, antes que a situação se tornasse totalmente insuportável, buscou exílio na América.

Lá, ele recebeu o convite da BBC e logo aceitou. "Eu achei que não podia perder essa oportunidade de fazer contato, embora frouxo e precário, com o povo alemão e também com os habitantes dos territórios subjugados, pelas costas do regime nazista que, assim que teve poder para isso, me privou de todos os meios de exercer influência intelectual na Alemanha", explicou Mann no prefácio da primeira edição do livro, lançada em setembro de 1942, contando então com 25 discursos.

Os textos representam breves falas em que o escritor comentava os acontecimentos da 2º Guerra e buscava influenciar os alemães. Para isso, utilizava uma tática inteligente, como se observa ao longo da leitura dos textos, apesar do ódio que alimentava contra Hitler e seu regime, Mann buscou moderar sua emoção para evitar que fosse vítima de seu próprio veneno. Afinal, ele sabia que qualquer adjetivo exacerbado que utilizasse poderia aumentar (e não minar) o fascínio que o Führer exercia sobre os adeptos dos nazistas.

Assim, Mann concentra seu foco em Hitler, "o sujeito miserável que ainda se diz o Führer da Alemanha". Ao longo dos discursos, o escritor traçou um detalhado perfil do comandante alemão, sublinhando obviamente os seus defeitos. Ele ironiza, por exemplo, as qualidades de guerreiro de Hitler, ressaltadas por historiadores nacional-socialistas, que o viam como uma mistura de Napoleão, César, Frederico e Carlos Magno. Seu cérebro, na verdade, estava deteriorado, escreveu Mann, tripudiando ainda sobre o humor do líder, detalhe destacado pela imprensa (jornais americanos, por exemplo, diziam que Hitler fazia piadas com muita frequência), mas que o autor de A Montanha Mágica interpretava como sinais de paranoia.

É curioso notar esse combate tão explícito, uma vez que Thomas Mann preferia a ficção como meio de luta contra o fascínio exercido pelo nazismo. Sua oposição aos nazistas foi definida em 1922, quando se declarou favorável à democracia, à época, representada pela frágil República de Weimar. Na verdade, Mann alimentava discussões sobre o que era ser alemão em um período bastante conturbado. A tetralogia José e Seus Irmãos, por exemplo, publicada entre 1933 e 1943, desenvolve os temas do exílio e da vida errante, e refere-se a certa proximidade entre os povos judeus e os alemães. Diferentemente de seu irmão Heinrich, Thomas Mann preferia trabalhar como artista a ser um militante. Isso explica a rara presença em sua produção de obras analíticas sobre o nazismo e o fascínio por Hitler na Alemanha e em outros países. Mário e o Mágico, uma longa novela de 1929, é um dos poucos exemplos dessa vertente, assim como um curtíssimo ensaio, Frère Hitler, de 1938. Mann expressa mais abertamente sua decepção com os europeus encantados com "um homem medíocre e que entrou na política por falta de aptidão para outra profissão qualquer".

Foi o agravamento da guerra que trouxe ao autor a percepção da importância de ser mais enfático e direto, recursos que utiliza nos discursos de Ouvintes Alemães!. Os campos de concentração, por exemplo, ignorados por muitos de seus compatriotas, são temas de diversos pronunciamentos, nos quais o escritor os descreve como uma macabra combinação de ossos humanos, barris de cal, encanamentos de gás e crematórios.

Com o avançar do conflito e a consequente derrocada alemã, Mann torna-se mais enfático, ressaltando a coragem daqueles que ousavam ouvir suas palavras, pois, diante da proibição da audição de transmissões feitas pelos aliados, o ato se revelava clandestino e perigoso. O escritor ironiza o próprio sucesso ao lembrar que até Hitler ouvia suas palavras, a julgar por um discurso feito pelo Führer no qual combatia críticas relacionadas a temas que haviam sido tratados por Mann.

A irradiação era um processo complicado por causa dos escassos recursos técnicos da época. Tanto que os primeiros discursos do escritor foram lidos por um funcionário da BBC que se expressava em alemão. Convencido de que sua própria voz daria mais ênfase ao trabalho, Mann sugeriu um percurso complicado mas que se revelou eficaz: ele gravava nos estúdios da NBC em Los Angeles; dali, a gravação era enviada via aérea para Nova York e então transferida, por telefone, para outra gravação em Londres, onde finalmente era colocada no ar. Um esforço que se veria premiado.

Ouvintes Alemães!
Thomas Mann
Jorge Zahar
224 págs., R$ 39,90

Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090517/not_imp372057,0.php

Estrangeiros avaliam os nossos autorores

Tradutores e professores revelam como os livros brasileiros são recebidos lá fora.

A criação de uma rede transnacional pela internet, dedicada à instalação de um banco de dados, levou os organizadores do projeto Conexões Itaú Cultural, Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira, iniciado no ano passado, a levantar informações curiosas não só para os escritores como para o mercado editorial brasileiro. A primeira delas é que nem só de Paulo Coelho vive a literatura do Brasil. O escritor vivo mais citado numa pesquisa desenvolvida com tradutores, professores e bibliotecários estrangeiros de 19 países pelos organizadores do projeto não foi Coelho, mas o autor gaúcho Moacyr Scliar, de 62 anos, autor de 17 romances, livros de contos e infantis. O Estado teve acesso exclusivo à lista dos nomes mais lembrados pelos participantes da pesquisa, liderada, como era de se esperar, pelo canônico Machado de Assis, citado 25 vezes na relação dos 55 especialistas consultados, seguido por Clarice Lispector e Guimarães Rosa.

Não é só uma lista dos dez mais. Ela incorpora todos os autores citados mais de uma vez pelos tradutores e professores de português em universidades estrangeiras, trazendo nomes recém-traduzidos para o inglês, caso do escritor e redator-chefe da revista Veja, Mário Sabino, autor de O Dia em Que Matei Meu Pai, que recebeu uma entusiasmada crítica na Austrália. Casos como o de Sabino, com uma carreira relativamente curta na ficção e considerável índice de lembrança entre os pesquisados, atestam que a difusão e o alcance da literatura brasileira no exterior cresceram muito com a presença de editoras brasileiras em feiras internacionais e a troca de informações pela internet entre autores, tradutores e professores.

O Instituto Itaú Cultural já realiza um trabalho de coleta de referências sobre escritores brasileiros por meio de sua Enciclopédia Virtual da Literatura Brasileira, disponível na internet, mas o projeto de mapeamento é ainda mais ambicioso, pretendendo funcionar como uma "cartografia digital da cultura brasileira", segundo Claudiney Ferreira, gerente do Núcleo de Diálogos do instituto. Um conjunto de ações começa a ser implementado para ampliar o banco de dados do Itaú sobre literatura, desde a gravação de um programa de rádio com escritores até o lançamento de um blog, já no ar para captar informações sobre a presença e a recepção da literatura brasileira no mundo. Outra estratégia do instituto é a realização de encontros anuais entre críticos e escritores para discutir literatura brasileira, como Encontros de Interrogação, cuja quarta edição começa hoje com debates sobre o espaço da literatura brasileira. Durante o evento serão divulgados os resultados da pesquisa a que teve acesso o Estado.

O editor Felipe Lindoso, consultor de Literatura do Itaú, diz, a respeito da pesquisa com os estrangeiros, que a radiografia da literatura brasileira no exterior não pretendeu reforçar a dicotomia entre alta literatura e literatura de entretenimento. Tanto que Paulo Coelho aparece na lista com quatro citações, mesmo número alcançado por João Ubaldo Ribeiro e Murillo Mendes, todos atrás de Chico Buarque (sete menções) e Mario de Andrade (sete menções). Entre os estrangeiros consultados estão nomes respeitadíssimos como o do tradutor alemão Berthold Zilly, da Universidade de Berlim, que traduziu Memorial de Aires, o último romance de Machado de Assis, e o norte-americano Charles A. Perrone, autor de um livro sobre Chico Buarque e grande especialista em Haroldo de Campos.

Segundo a pesquisa do Itaú com esses especialistas, há ainda alguns obstáculos que dificultam a entrada dos escritores, especialmente os novos, no mercado internacional. A última Feira de Frankfurt pode ter reunido 43 editores brasileiros e levado quase dois mil títulos para a Alemanha, mas as ações governamentais são quase nulas na área, segundo a pesquisa. Não há incentivo para o ensino do português em países estrangeiros ou um programa oficial que promova traduções lá fora que funcione, nem mesmo o da Fundação Biblioteca Nacional, dizem os especialistas da área. "Está crescendo o interesse geral no Brasil e a literatura apenas pega carona", diz o americano Charles Perrone, que depende de traduções para ensinar literatura brasileira na Universidade da Flórida.

"Quanto aos autores novos, o especialista estrangeiro recorre a sites como o Cronópios para se informar", conta Claudiney Ferreira, que se inspirou num relatório publicado por Ricardo Reis há 32 anos, na revista Escrita, para elaborar a pesquisa e mandar as perguntas aos estrangeiros.

Os Dez Mais

Os dez escritores mais citados pelos especialistas estrangeiros consultados na pesquisa realizada pelo Itaú Cultural são os seguintes:

Machado de Assis
Clarice Lispector
Guimarães Rosa
Graciliano Ramos
Jorge Amado
José de Alencar
Manuel Bandeira
Moacyr Scliar
Rubem Fonseca
Drummond de Andrade

Países

Para o mapeamento internacional da literatura brasileira foram consultados 55 especialistas (professores e tradutores) de 19 países. Entre os dez principais estão:

EUA (11)
Alemanha (9)
Brasil (7)
Argentina (4)
Itália (4)
Espanha (3)
França (2)
Inglaterra(2)
Áustria e Croácia (1)

Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090521/not_imp374352,0.php

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O discurso do ódio perdeu

O intelectual festeja o cancelamento da visita do presidente do Irã ao Brasil, mas diz que o mundo não pode esquecer as lições deixadas pelo holocausto do povo judeu.

Elie Wiesel tem 80 anos, 58 quilos e 1,73 metro de altura. É franzino. Diz estar cansado e sentir o peso da idade. Quando abre a boca, é um gigante que fala. Sobreviveu à prisão em dois campos de concentração nazistas. Perdeu a mãe e a irmã em Auschwitz. Viu o pai morrer em Buchenwald. Decidiu que sua missão seria não deixar morrer a verdade sobre o holocausto dos judeus. Escreveu cinquenta livros, tornou-se um humanista, um porta-voz da tolerância, e ganhou o Nobel da Paz em 1986. Há pouco, estava em Genebra, protestando contra a presença do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, na conferência sobre racismo da ONU. Passou por Nova York, onde mora (e onde perdeu todas as suas economias de meio século de trabalho, cerca de 13 milhões de dólares, pelas mãos do maior golpista de Wall Street, Bernie Madoff), e em seguida foi a Paris para dar mais uma palestra. Viajou feliz ao saber que Ahmadinejad cancelara sua visita ao Brasil. Antes de embarcar, falou a VEJA.

O cancelamento da visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, é um bom sinal?
Sem dúvida. Seja qual for o motivo real do cancelamento da visita, é uma vitória da democracia e dos direitos humanos sobre o discurso do ódio. Ahmadinejad não merece visitar nenhuma sociedade civilizada, democrática. Como gesto político, o convite que o governo brasileiro lhe fez pode ter suas razões, mas é um grande erro do ponto de vista moral. Convidar alguém para ir a sua casa equivale a prestar-lhe uma homenagem, e Ahmadinejad simplesmente não merece ser homenageado.

Mesmo o Brasil mantendo relações diplomáticas regulares com o Irã e ele sendo o representante do povo iraniano?
Até no mais alto nível da política e das relações internacionais há limites. Ahmadinejad foi além dos limites. Ele não só nega o holocausto judeu. Ele já disse que quer destruir o estado de Israel. Essa mensagem não pode ser aceita em lugar nenhum.

A diplomacia brasileira diz que seria pior deixar Ahmadinejad isolado. Faz sentido?
Só para quem não aprendeu com a história. Antes da II Guerra, os países democráticos achavam que seria pior isolar Hitler e selaram o Acordo de Munique (tratado de 1938 no qual a França e a Inglaterra, junto com a Itália, entregaram um pedaço da então Checoslováquia à Alemanha de Hitler, na ilusão de que a concessão evitaria a guerra). Como se sabe, foi um desastre. Essa abordagem, tanto naquela época como hoje, é um desastre moral, político e estratégico. Não comparo ninguém a Hitler, mas Ahmadinejad não merece confiança, fé política, respeito.

Por que ninguém protesta contra visitas do primeiro-ministro da China, que oprime o Tibete e viola os direitos humanos?
Tenho repulsa pelo que a China faz com o Tibete, até por motivos de ordem pessoal, porque o Dalai-Lama é meu amigo querido. Acho que todos devem deplorar e criticar o comportamento da China, mas não é a mesma coisa. Ahmadinejad diz que Israel deve ser varrido da face da Terra. Ele ameaça a existência de outra nação. Ele foi longe demais. Mesmo no mal, deve-se levar em conta o grau, a intensidade.

O presidente Barack Obama propôs abrir um canal de diálogo com o Irã. Ele está errado?
Tudo depende do nível dos contatos. Mesmo entre países que rompem relações diplomáticas, quase sempre há algum tipo de contato, ainda que em nível inferior. No caso dos Estados Unidos, certamente Obama não está pensando em convidar Ahmadinejad para visitar a Casa Branca.

Por que negar o holocausto tem de ser um crime e não um direito garantido pela liberdade de expressão?
Porque dói. Dói nos sobreviventes, nos seus filhos e nos filhos de seus filhos. Quem nega o holocausto, por causa da dor que inflige aos sobreviventes e seus descendentes, comete mais do que apenas um pecado. É uma crueldade, uma felonia. Mesmo assim, nem todos os países punem a negação do holocausto. Na Alemanha e na França, isso é crime. Nos Estados Unidos, não. Há o entendimento de que negar o holocausto é um direito assegurado pela Primeira Emenda da Constituição americana, a que garante a liberdade de expressão.

Está errado?
Sou um grande admirador da Primeira Emenda, mas acho que ela deveria comportar uma exceção em relação ao holocausto. Não seria uma novidade, pois há exceções. A mais conhecida é a que considera a circunstância do "risco claro e imediato", ilustrada pela hipótese de fogo no teatro. Se você está em um teatro lotado e começa a gritar "fogo, fogo", sem que haja fogo algum, e seu grito leva as pessoas a correr em tumulto para a saída, resultando em feridos ou até mortos, você não terá proteção da Primeira Emenda. Ou seja, não poderá alegar que ao gritar "fogo, fogo" estava apenas se valendo de seu direito de expressão e poderá acabar na cadeia por ter produzido ferimentos ou mortes. Com base nisso, acho que negar o holocausto também deveria ser crime, porque também fere.

Por que as entidades judaicas nos Estados Unidos não vão à Suprema Corte com esse pleito?
No início dos anos 80, quando eu presidia a Comissão sobre o Holocausto por indicação do presidente Jimmy Carter, havia manifestações de pessoas negando o holocausto. Reuni um grupo de grandes juristas para discutir o que fazer. Eu achava que deveríamos processar os mentirosos, não pela negação do holocausto em si, mas pelo sofrimento que causavam às vítimas. Todos os juristas me disseram: "Não, não faça isso. Não toque na Primeira Emenda". Nos Estados Unidos é assim. A Constituição é um documento sagrado, tratado como uma bíblia moderna. Mesmo sem a exceção que eu defendo, acredito que a Primeira Emenda faz parte da grandeza americana.

Qual é a melhor punição para quem nega o holocausto?
A memória. No plano legal, não sei qual é a punição mais adequada, porque não sou jurista. Mas sei que nossa memória, a memória dos sobreviventes e das suas testemunhas, é a melhor punição que pode haver.

O senhor teme que essa memória desapareça em, digamos, 300 ou 500 anos, pela ação dos que negam o holocausto?
Não. É um evento da história fartamente documentado. Há milhões de pedaços de todos os lados, das vítimas, dos criminosos, das testemunhas, das crianças que escreveram poemas, das mães que fizeram cartas, está tudo documentado. Além disso, acredito profundamente que quem escuta uma testemunha do holocausto torna-se também uma testemunha.

Quase 65 anos depois do fim da II Guerra, as lições do holocausto estão devidamente absorvidas?
Tentamos entendê-las, mas precisamos prestar mais atenção. Há alguns anos fui convidado para falar na Assembleia da ONU e disse que, se o mundo tivesse aprendido as lições do holocausto, não teria havido tragédias como as do Camboja, da Bósnia, de Ruanda ou de Darfur.

O senhor ainda se arrepende de ter ajudado a popularizar a palavra holocausto para designar a matança de judeus na II Guerra?
Sim, porque a palavra holocausto não é adequada para descrever o horror. Acho que não existe uma palavra adequada. Hoje, em vez de holocausto, prefiro usar apenas Auschwitz, nome do campo de concentração onde houve a maior matança de judeus. Auschwitz talvez seja a palavra que mais se aproxima do que queremos designar. Só Auschwitz.

A filósofa Hannah Arendt cunhou a expressão "banalidade do mal" ao escrever sobre o julgamento do nazista Adolf Eichmann em Jerusalém, em 1961. Qual é o significado dessa expressão para o senhor?
Eu também estive no julgamento de Eichmann em Jerusalém e não vi essa banalidade. Eichmann sabia o que estava fazendo. Não era um burocrata cumpridor de ordens. Fui amigo de Hannah. Tivemos várias conversas sobre isso e sempre discordei dessa ideia. Discordo também da tese de Hannah de que os judeus foram passivos, não reagiram à altura, não fizeram o bastante para resistir ao esmagamento nazista. Eu dizia: "Hannah, não havia alternativa. Era impossível. Você fugia de um gueto e não tinha para onde ir". Mas Hannah tinha suas convicções. Fez uma carreira brilhante, era uma mulher inteligentíssima. O livro Origens do Totalitarismo é uma obra-prima. Mas acho que se equivocou ao falar da banalidade do mal em Eichmann e da passividade dos judeus.

O racismo e a xenofobia cedem mas não morrem. São doenças incuráveis?
De alguma forma, as pessoas entendem umas às outras, mas o racismo e a xenofobia ainda estão por aí. Deploro o racismo. Deploro a xenofobia. No início dos anos 80, quando estava no auge o Movimento Santuários nos EUA (o movimento dava abrigo e proteção a imigrantes ilegais, sobretudo salvadorenhos que fugiam da guerra civil), eu me insurgi contra a denominação que lhes davam de "ilegais". Nenhum ser humano pode "ser ilegal". Pode fazer algo ilegal, mas não pode "ser ilegal". O antissemitismo, que é uma expressão de racismo, parece incurável. Pensei que o antissemitismo tivesse morrido em Auschwitz, em 1945. Hoje sei que os judeus morreram em Auschwitz.

O racismo está diminuindo nos Estados Unidos?
Cheguei aos EUA em 1956 e percorri o país para conhecê-lo melhor. Quando visitei o sul, vi o racismo funcionando na vida cotidiana e, pior ainda, legalmente, previsto em lei. Nunca senti vergonha de ser judeu. Mas, no sul dos Estados Unidos, senti vergonha de ser branco. Hoje, o racismo é ilegal. Isso não quer dizer que não haja racismo, porque há, mas a lei deixou de ser racista e passou a punir o racismo. A mudança que ocorreu foi coroada com a eleição de Obama. Fui convidado para sua posse. Sentei três fileiras atrás dele, e senti orgulho do que vi. Tive a impressão de que a história tentava corrigir suas injustiças. Um negro é presidente dos Estados Unidos. Não é pouca coisa.

Se o senhor pudesse salvar uma minoria de todo o preconceito e sofrimento, que minoria escolheria?
É preciso pensar, porque há tantas. Escolheria os ciganos da Hungria, da Romênia, de várias partes da Europa. Acho que os escolhi apenas porque li há poucos dias uma reportagem no New York Times sobre as dificuldades que eles estão enfrentando, e o assunto ficou na minha cabeça. Na verdade, não acredito que se possa lutar em defesa de uma minoria. Luta-se por todas elas.

Os mais idosos costumam sonhar mais com a infância e a juventude. Isso acontece com o senhor?
Sim, tem acontecido comigo à medida que fico mais velho.

Os horrores do holocausto aparecem mais do que antes?
Sim. Quando isso começou a me acontecer, procurei amigos que também estiveram em campos de concentração, e todos me disseram que estavam passando pela mesma coisa. Quanto mais velhos ficamos, mais sonhamos com esse passado.

Todas as noites?
Não, mas muito frequentemente.
O senhor ainda tem o número que os nazistas tatuavam no braço dos prisioneiros dos campos de concentração?
Sim, está aqui (puxa a manga da camisa e aparece a inscrição azul-esverdeada, ainda legível, encravada na pele do antebraço esquerdo). Minha identificação é essa aí, A-7713. A identificação do meu pai era A-7712. Ele estava na frente de mim na fila.

Doía?
Um pouco. Era coisa rápida. Os nazistas eram profissionais nisso, tinham técnica. Afinal, criaram uma máquina imensa, fizeram isso milhares, milhões de vezes

O senhor pensou em tirar a marca do braço?
Nunca.

Disponível em: http://veja.abril.com.br/130509/entrevista.shtml. acesso em: 18.05.2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Amos Oz, caneta preta para política e azul para as histórias

Aos 70 anos, recém-completados, autor mostra em romance e coletânea seus dois estilos de escrita

ARAD, Israel - Há quatro décadas Amos Oz é conhecido em Israel e em todo o mundo por duas de suas características: sua visão política ardentemente liberal e a observação íntima presente na sua ficção. Ele sempre insistiu que se tratam de coisas distintas, e de fato assim parecem ser. Seus romances e contos não são alegorias do conflito palestino, mas histórias profundamente humanas de ambiguidade e melancolia. Os ensaios políticos, por sua vez, expõem argumentos com transparência completa.

Uma das maneiras pelas quais ele mantém a separação entre as duas formas de escrita é a utilização de canetas de cores diferentes - uma preta e uma azul - que repousam na sua escrivaninha neste escritório repleto de livros na sua casa nesta cidade desértica.

"Eu nunca confundo as duas", diz ele a respeito das canetas. "Uma serve para mandar o governo ao inferno. A outra é para contar histórias."

Nos seus 70 anos, comemorados na semana passada com um festival de três dias em Arad e uma conferência acadêmica realizada na Universidade Ben-Gurion em Bersheva, além do lançamento simultâneo da tradução inglesa do seu mais novo romance e de uma nova coletânea de obras traduzidas de ficção e não ficção intitulada O Leitor de Amos Oz, ele oferece uma oportunidade de enxergar seus dois estilos de escrita por meio de uma única lente. Ficção e não ficção emanam da mesma fonte, diz ele - a empatia. As duas tentam imaginar o próximo.

"É esta a minha profissão", destacou ele num inglês preciso e manso enquanto caminhava, em um recente final de tarde, sob as tonalidades rosadas do deserto de Arava e o Mar Morto reluzindo no horizonte. "Acordo pela manhã, bebo uma xícara de café, sento-me à escrivaninha e começo a me perguntar: ‘E se eu fosse ele? E se eu fosse ela? Como me sentiria? Como reagiria?’"

Oz, cujo humor é tão seco quanto o clima, é um dos autores mais estimados de Israel - ao lado de A. B. Yehoshua, Aharon Appelfeld e David Grossman - e o seu novo romance, Rimas da Vida e da Morte, lança um olhar algo brutal sobre a vida e a sensibilidade de uma celebridade da literatura.

O protagonista, conhecido simplesmente como Autor, se mostra cheio de uma camaradagem forçada em relação a figuras culturais menores, de elogios insinceros a mulheres vulneráveis e de falsa modéstia diante daqueles que o admiram. Mas ele demonstra um poder de observação especialmente aguçado para o detalhe narrativo e uma propensão quase incontrolável à invenção.

Tão logo uma garçonete lhe traz café, ele cria a história dela, repleta de amores e perdas. Ao final, o Autor evoca uma compaixão surpreendente; sua jornada é compulsiva e desprovida de alegrias, mas ainda assim vital de alguma maneira.

O escritor nega que o personagem tenha traços autobiográficos, apesar de ter argumentado, numa entrevista publicada em 1990 no jornal Haaretz: "Sempre existe uma parte de mim que não se envolve, que se senta à parte e observa. Às vezes é um olhar que se mantém distante, quase hostil. Muito frio."

O novo livro discute, tanto explícita quanto implicitamente, os méritos de se escrever ficção, sugerindo que se trata menos de um nobre esforço do que de uma compulsão, como o sexo e o sonhar.

"A necessidade de se contar uma história é algo elementar, primevo", acrescentou Oz quando a questão foi levantada. Mas isso não significa que se trate de uma tarefa simples, especialmente num lugar como Israel. Como ele destacou: "Não é fácil escrever romances e contos no coração de um drama político."

Como ele lembrou outro dia. "Quando meus amigos e eu começamos a defender a solução de dois Estados em 1967, éramos tão poucos que seria possível realizar nossa assembleia nacional dentro de uma cabine telefônica."

Esta perspectiva é hoje amplamente difundida: a administração Obama disse estar firmemente comprometida com esta solução, apesar de ela ter perdido apoio entre israelenses e palestinos, conforme cada um dos dois lados enxerga o outro com mais suspeita, desconfiando das suas pretensões guerreiras. A campanha militar israelense na Faixa de Gaza, alguns meses atrás, realizada para impedir o disparo de foguetes do Hamas contra cidades israelenses próximas a esta, só fez aumentar esta desconfiança mútua.

Amos Oz apoiou o ataque, considerado por ele uma resposta apropriada aos disparos de foguetes, mas segundo ele a ofensiva deveria ter sido suspensa depois de alguns poucos dias, em vez de ter prosseguido por três semanas. Ao mesmo tempo, ele se mostrou entristecido com o comportamento dos soldados israelenses em Gaza.

O novo governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu representa uma posição bastante à direita de Oz. A administração não se comprometeu com a solução de dois Estados e diz que jamais partilhará Jerusalém com os palestinos. Oz guarda esperanças apenas modestas de que o governo possa surpreendê-lo.

Ser um israelense de 70 anos, segundo ele, é como ser um americano de 250 anos. Ele testemunhou o nascimento do seu país há 61 anos. "Eu participei da Festa do Chá em Boston", disse o autor, piscando. "Conheci George Washington e Abraham Lincoln pessoalmente."

Disponível em: http://www.estadao.com.br/arteelazer/not_art369483,0.htm

Tradução de Augusto Calil

Localizados autores do “bilhete de Auschwitz”

Três ex-prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, que haviam grafado seus nomes num bilhete colocado dentro de uma garrafa, em 1944, foram localizados pelo jornal alemão Bild. Escrito a lápis num pedaço de saco de cimento, o pergaminho foi encontrado no mês passado por pedreiros que reformavam uma escola no lugar onde ficava o campo. Na mensagem, sete presos se identificavam, dos quais cinco sobreviveram ao nazismo e três ainda estão vivos. Na época, eles tinham entre 18 e 20 anos. “Queríamos deixar um sinal de nossa existência para depois de nossa morte”, explica o polonês Waclaw Sobczak, de 85 anos. “Nunca pensamos que encontrariam nossa garrafa. E tínhamos muito medo que nos matassem, caso ela fosse achada.” Segundo Sobczak, o autor do bilhete foi o também polonês Bronislaw Jankowiak, que sobreviveu ao extermínio e mudou - se para a Suécia, onde morreu em 1997. “A vida no campo era horrível e todos sabiam que, sem motivo nenhum, podiam ser mortos a qualquer instante. Pensávamos que nunca sobreviveríamos a esse inferno”, diz Sobczak. A nota trazia o nome, lugar de origem e o número de identificação tatuado no braço dos prisioneiros. Apesar de os judeus terem sido 90% das vítimas de Auschwitz, apenas um entre os sete signatários do bilhete era judeu, o francês Albert Veissid que hoje vive em Marselha. O jornal cita também os sobreviventes poloneses Karol Czekalski, que conseguiu escapar juntamente com seu irmão, e Stanislaw Dubla, morto num acidente de trem em 1952. O pergaminho será exposto no museu de Auschwitz, administrado pelo Estado polonês. “Esses jovens colocaram a mensagem na garrafa para deixar um sinal. Mas não apenas ela foi preservada: alguns dos nomes listados também sobreviveram. É uma história muito emocionante”, diz o diretor do museu, Piotr Cywinski. Mais de um milhão de pessoas foram assassinadas em Auschwitz-Birkenau.

Disponível em: http://digital.estadao.com.br/download/pdf/2009/05/09/A16.pdf

OSWIECIM (Polônia) – Efe – 09/05/2009.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Títulos disponíveis na Midiateca


Durante muito tempo, acreditou-se que a inteligência fosse uma característica inata. O fator genético era considerado bem mais influente do que o fator ambiental. Porém, devido aos avanços da neurociência, ficou demonstrado que inteligência, talento e vocação são características que podem ser adquiridas com facilidade e um pouco de esforço. Neste livro, dedicado aos estudantes de todos os níveis, o Pierluigi Piazzi (conhecido carinhosamente pelos seus alunos como Prof. Pier) ensina a usar a inteligência para se tornar uma pessoa mais inteligente.








Estimulando Inteligência mostra como criar um ambiente doméstico e escolar que estimule o aumento do nível de inteligência das crianças, dos jovens e, por que não, dos adultos. Encarando as falhas do sistema escolar brasileiro como se fossem os sintomas de uma doença, o prof. Pier elabora um diagnóstico certeiro e indica a medicação adequada.







Sobre o autor

Pierluigi Piazzi é professor de um dos maiores cursinhos pré-vestibulares de São Paulo. Formado em física pela Universidade de São Paulo, tem viajado por mais de 10 anos pelo Brasil visitando centenas de escolas para ministrar palestras para alunos, pais, professores e coordenadores, ensinando como os erros comuns ao viciado processo de ensino brasileiro podem ser evitados. Desde 1980, o prof. Pier é membro da Mensa, organização internacional reconhecida na América do Norte e na Europa, e praticamente ignorada no Brasil por algumas "autoridades de ensino", por ser uma instituição que se dedica, conforme consta em seu estatuto, a "identificar e cultivar a inteligência humana para o benefício da humanidade, proporcionar um ambiente social e intelectualmente estimulante para seus membros e encorajar pesquisas sobre a natureza, características e usos da inteligência".

Literatura

Local terá ala alusiva a Gabriel García Márquez, o "Gabo"

A partir de meados deste ano, começa a funcionar no museo del Caribe a Mediateca Macondo. O espaço será um centro de documentação especializado na obra do escritor Gabriel García Márquez, cujo apelido é Gabo.
Haverá ainda uma sala dedicada à vida dele, onde será recriada a Redação de um jornal típico dos anos 50, em alusão à carreira do escritor, que foi também jornalista.
Seus primeiros contos, antes de serem publicados no livro "Olhos de Cão Azul", saíram em um jornal.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/turismo/fx0705200903.htm

Sugestões de alguns títulos de Gabriel García Márquez disponíveis na Midiateca.

Cem anos de solidão
Crônica de uma morte anunciada
Doze contos peregrinos
O amor nos tempos do cólera
O outono do patriarca
Os funerais da mamãe grande

Novo Kindle promete substituir leitura em papel


Amazon lança versão do leitor eletrônico com formato maior e memória para 3.500 livros

Grandes jornais e editoras de livros didáticos dos EUA oferecerão conteúdo no novo sistema; não há data para lançamento no Brasil


Com a promessa de popularizar um novo jeito de ler jornais, livros didáticos e documentos pessoais, a Amazon lançou no dia último dia 06 a nova versão do leitor eletrônico Kindle, agora em formato maior.
O Kindle Deluxe tem 9,7 polegadas, duas vezes e meia o tamanho da tela eletrônica das duas versões anteriores. Também é mais caro: custa US$ 489, ou US$ 130 a mais do que o modelo antecessor. Nos Estados Unidos, o aparelho começa a ser comercializado nos próximos meses. Não há data para sua chegada ao Brasil.
Ao apresentar o novo Kindle, o presidente da Amazon, Jeffrey Bezos, disse que o aparelho é um passo em direção a uma "sociedade sem papel".
De acordo com a Amazon, três jornais -"The New York Times", "The Boston Globe" e "The Washington Post"- vão oferecer o aparelho a preços reduzidos aos assinantes que optarem por planos mais longos.
Os três jornais vão iniciar testes, a partir do segundo semestre, em regiões nas quais não há entrega de cópias em papel, disse Arthur Sulzberger Jr., presidente do conselho e publisher do "New York Times".
O lançamento do Kindle DX surge em um momento em que os jornais enfrentam queda acentuada de vendas nos EUA e perdas expressivas de receita com a publicidade em papel.
Para Sulzberger Jr., a substituição do papel pela leitura eletrônica está mais próxima. "Sabemos, há mais de uma década, que um dia um leitor eletrônico ofereceria produto tão satisfatório quanto um jornal em papel. Esse sonho continua a se aproximar de sua realização", afirmou.
A Amazon também fechou acordo com as três maiores editoras de livros didáticos do país para que deixem seus títulos à venda para uso no aparelho.
Além disso, cinco universidades, entre as quais a de Princeton e a estadual do Arizona, concordaram em iniciar testes de viabilidade para a substituição da carga de livros didáticos pelo Kindle DX, que pode ser lido em posição vertical ou horizontal. Os alunos poderiam também diluir o custo do Kindle economizando com livros didáticos ao longo do tempo.
O Kindle já tinha ferramentas para facilitar a leitura, como marcadores de textos e busca por palavras. Mas a nova versão, além da tela maior, tem memória para 3.500 livros, ante 1.500 da versão anterior.
Até agora já existem no mercado 275 mil títulos de livros em formato digital. Embora as editoras tentem encorajar o consumo do produto, a receita gerada nesse mercado não deve se tornar significativa antes de cinco ou dez anos.
Com dificuldades para convencer seus leitores a pagar pelo conteúdo on-line, agora que o faturamento com publicidade digital está em queda, os jornais buscam explorar outros formatos de leitura eletrônica.
Rupert Murdoch, o proprietário da News Corporation (Fox e "Wall Street Journal"), também montou uma equipe de executivos para estudar a possibilidade de investir em um aparelho de leitura eletrônica para seus jornais. Mas ele desafiou a Amazon: "Não daremos o direito de uso do nosso conteúdo aos criadores do Kindle", afirmou.
Desde sua estreia, em 2007, o Kindle já conquistou muitos usuários, mas os produtos da Amazon e de seus concorrentes, como o Reader, da Sony (que sai a partir de US$ 279 com memória para cerca de 160 livros), estão em estágio inicial.
A Amazon não divulga os números de vendas. Mas, no mercado, os livros em formato eletrônico respondem por menos de 1% das vendas de livros.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0705200928.htm

Pioneiro do mangá no Brasil ganha livro

Obra reúne cinco HQs de Claudio Seto, filho de imigrantes japoneses

Quadrinista escolheu pessoalmente suas melhores histórias de samurai pouco antes de morrer, no ano passado


IVAN FINOTTI

Em 1967, quando gigantes como Tarzan, Fantasma e Tio Patinhas dominavam as bancas de jornais de todo o Brasil, um desenhista de cartazes de liquidação das lojas Arapuã de Lins (455 km a oeste de São Paulo) roubou a cena. Era a estreia de Claudio Seto (1944-2008), filho de imigrantes japoneses, nascido na vizinha Guaiçara, desenhista de samurais.
Seu primeiro gibi, feito para a editora Edrel, de São Paulo, já destoava nas bancas por ser um livro de 150 páginas, em vez das usuais 36. Além disso, "O Samurai" fazia a felicidade da criançada e dos adolescentes por trazer sangue aos montes, além de japonesas voluptuosas.
E, finalmente, havia o fato de as histórias de vingança e de códigos de honra tratarem de um universo japonês pouco conhecido, mas que já despertava interesse -"National Kid" começou a passar no Brasil em 1964. "Claudio Seto é, sem dúvida, o pai do mangá no Brasil", diz o jornalista Gonçalo Júnior, autor de "A Guerra dos Gibis" (Companhia das Letras), que traça a história das histórias em quadrinhos no Brasil. "Mais que isso, ele é provavelmente o primeiro a desenhar mangás no Ocidente, fora do Japão. Na minha opinião, é o cara mais importante dos quadrinhos brasileiros até a década de 80."
E, mesmo assim, mesmo para leitores vorazes de mangás, Claudio Seto não passa hoje de um desconhecido. Foi para tentar mudar esse panorama que o editor Toninho Mendes, da Jacarandá, pegou um avião para Curitiba e pediu que Seto escolhesse as cinco melhores histórias de sua lavra. "Ele entrou no escritório e voltou meia hora depois com os cinco gibis", lembra Toninho.
Seto ajudou ainda a escolher o nome do livro e a capa e se prontificou a escrever uma introdução para cada história. As introduções são ouro puro: "O Sósia" é um marco das histórias que desenhei na década de 70. (...) As primeiras páginas ainda trazem os finos traços da pena (de metal) gillot francesa, no estilo tradicional bico de pena. Mas, depois, o uso da pena caseira de bambu afiado (madeira) originou os traços que seriam definitivos para o gênero samurai."
Seto se mudou do interior de São Paulo para Curitiba nos anos 70. Ele estava de passagem pela cidade no histórico 17/7/1975, quando nevou -o que o convenceu a ficar para sempre. Lá, comandou um estúdio para a editora Grafipar. Morreu lá em novembro passado, após um AVC.

FLORES MANCHADAS DE SANGUE

Autor: Claudio Seto
Lançamento: Devir/Jacarandá
Quanto: R$ 28 (128 págs.)


Quadrinista inovou no modo de narrar HQ

Como um samurai saído dos filmes de Akira Kurosawa, Claudio Seto era um respeitável senhor monossilábico. Marcial, comandava seus desenhistas e roteiristas apenas com sorrisos. O problema era decifrar cada um deles. "Você tinha que interpretar se o sorriso era de aprovação ou de reprovação", lembra o quadrinista e editor Franco de Rosa, que trabalhou com Seto em Curitiba nos anos 70 e 80. "Ele comandava sem comandar, apenas com gestos sutis."
O estúdio de Seto na editora curitibana Grafipar foi responsável por reunir nomes que seriam importantes para a HQ brasileira, como Mozart Couto e Watson Portela, além de Rosa. Os gibis eram divididos por gêneros: sertão, pampas, eróticos, terror, ficção científica ou policial. Chegaram, segundo o historiador de HQs Gonçalo Júnior, a vender até 5 milhões de exemplares por mês.
Segundo Franco de Rosa, as inovações de Claudio Seto foram muitas. A mais marcante é a narrativa fragmentada (muito usada em "Lobo Solitário" e por Frank Miller): um quadrinho mostra a ponta da espada; outro, o rosto do samurai; um terceiro, a expressão do oponente; e por aí vai, uma página inteira sem texto, apenas desenhos a contar a história.
A quadrinização é inovadora, com quadrinhos verticalizados ou horizontalizados ao extremo. Às vezes, Seto desenhava em cima de fotografias, criando um clima soturno. E as primeiras páginas eram sempre exuberantes, com o título desenhado como se fosse uma montanha, por exemplo. "Foram inovações recebidas com chacotas por muitos colegas", diz Rosa.
Em 1970, os japoneses Kazuo Koike e Goseki Kojima lançaram "Lobo Solitário", sobre um samurai que vagava pelo Japão empurrando um carrinho com seu filho bebê.
Traduzido para o inglês nos anos 80 e lançado nos Estados Unidos com capas de Frank Miller, foi um enorme sucesso. E muita gente hoje acredita que Seto copiava as histórias de Koike e os desenhos de Kojima, tamanha a semelhança.
"Mas isso não é verdade. Seto começou antes, em 1967", diz Júnior. As quitandas do interior de São Paulo, afinal, vendiam diversos produtos importados do Japão, como saquê, peixe seco e... mangás, que serviram de fonte para todos. E nunca largou o hábito, conforme lembra Franco de Rosa. "Na casa dele, havia um quarto só de gibis, amontoados, aos milhares, no chão. Ele me mostrou e disse: "Meu sonho era ter uma caixa forte igual à do Tio Patinhas, que nadava nas moedas". Então mergulhou na montanha de gibis como se fosse uma piscina. E ficou lá nadando, sorrindo para mim."

Leia uma história completa de Claudio Seto:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u554617.shtml

Periódico publica dois estudos plagiados na íntegra

Engenheiro copiou artigos de revista da Sociedade Brasileira de Química; autor de original vê "negligência" por parte dos editores

RAFAEL GARCIA
DA REPORTAGEM LOCAL

Um caso de plágio envolvendo dois estudos publicados no periódico científico "Revista Analytica" surpreendeu os autores dos artigos originais. Publicados em 2007, os dois trabalhos eram cópias de artigos anteriores da primeira à última palavra, com alterações apenas nos títulos. A revista "Química Nova", da SBQ (Sociedade Brasileira de Química), que havia publicado os estudos originais, negocia agora uma forma de retratação (anulação) dos plágios.
Um dos artigos, um estudo que descrevia um novo método para controle de qualidade de cachaça, foi copiado do grupo do químico Ivo Küchler, professor da UFF (Universidade Federal Fluminense).
"Eu trabalho no meio universitário há muitos anos, e a gente sempre fica sabendo de casos em que alguém copiou um pedaço do trabalho do outro, ou copiou uma ideia. Mas copiar um artigo inteiro eu nunca tinha visto", disse Küchler à Folha. O cientista ficou sabendo do caso de plágio pela SBQ e disse que ligou para um diretor da "Revista Analytica" na tentativa de se informar melhor.
"Ele não quis nem conversar comigo", conta. "Falou que o problema não era dele e que eu teria de conversar com a pessoa que tinha assinado o artigo."
O autor principal do artigo que plagiou Küchler é o engenheiro químico Johnson Pontes de Moura, formado pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte). A Folha tenta contatá-lo desde anteontem por e-mail, telefone celular e fixo, mas não obteve sucesso. Moura também já se desligou da faculdade onde dava aula, em Aracruz (ES).
Milena Tutumi, editora da "Revista Analytica" disse à Folha que está em negociação com a SBQ para publicar uma retratação. "Cedi uma página da próxima edição", diz. "Vamos dar um editorial explicando a posição da revista nesse caso e dando os devidos créditos aos autores verdadeiros." Além do artigo de Küchler, Moura plagiou um estudo sobre combustão de metano, do grupo de Ione Baibich, da UFRGS.
Em seu boletim informativo, a SBQ diz que vai dar "apoio aos autores reais em quaisquer ações jurídicas que venham a ser consideradas", mas afirma que a "Revista Analytica" também foi "vítima" no episódio. Küchler, porém, discorda.
"Acho que houve negligência dos editores", diz. "Se você pega as palavras-chave do meu artigo -cachaça, determinação de cobre, etc.- encontra na internet facilmente." Segundo a SBQ, esse procedimento não é comum em revistas científicas, mas "tem permeado discussões em fóruns internacionais".

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0705200903.htm

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A história do mundo

Biblioteca Digital Mundial, criada pela Unesco e pela Biblioteca do Congresso dos EUA, reúne instituições de todo o mundo; Brasil tem segunda maior participação

Uma viagem pelas tribos maoris, da Nova Zelândia, passando por índios zulus e esquimós, ficou possível em apenas alguns cliques, graças a centenas de fotos raras reunidas num portal da internet, que pretende ser a biblioteca de Alexandria do futuro.
A Biblioteca Digital Mundial www.wdl.org lançada semana passada em Paris, surgiu do esforço da Unesco e da Biblioteca do Congresso dos EUA em promover, de forma gratuita e em sete idiomas (português incluso), conteúdos culturais de vários países.
Por enquanto, há 1.340 itens, como manuscritos japoneses do século 16, mapas antigos da América Latina, gravuras do italiano Braccelli do século 17 e um livro ilustrado com fábulas de La Fontaine do século 19.
Entre os 11 filmes disponíveis, há um curta dos Irmãos Lumière com imagens de touradas na Espanha, em 1896.
O Brasil, único país de língua portuguesa participante e um dos membros fundadores do projeto, é responsável, por meio da Fundação Biblioteca Nacional, pelo segundo maior acervo do portal, perdendo para os EUA. Dos 4.000 itens que a instituição mandou ao projeto, 157 estão disponíveis, entre mapas dos séculos 16 ao 18 e 42 álbuns de fotografias. O resto entrará gradualmente.

Fotos do imperador
É bom saber que, antes da Biblioteca Digital Mundial, já existia a Biblioteca Nacional Digital www.bn.br/bndigital, organizada pela fundação brasileira e com um acervo sobre o país bem maior em relação ao portal internacional.
Está lá, por exemplo, a Coleção Thereza Christina Maria, com 2.570 fotos digitalizadas que pertenceram ao imperador Pedro 2º e foram deixadas por ele à Biblioteca Nacional. Na Biblioteca Digital Mundial, a coleção está presente em cerca de 70 registros. Além de uma foto da princesa Isabel, há vistas do Rio e imagens de quituteiras baianas do século 19.
No portal brasileiro, embora as ferramentas de navegação não sejam tão simpáticas quanto às do portal internacional, há arquivos de diversos países, como fotos do Líbano e da Grécia do século 19, refletindo os interesses do imperador.
Sobre o Brasil, há outras instituições dentro da Biblioteca Digital Mundial com itens relacionados, como a própria Biblioteca do Congresso, que guarda um mapa da cidade de Salvador de 1671 e um livro ilustrado do ex-presidente Theodore Roosevelt sobre sua expedição em terras brasileiras no começo do século 20.
A Unesco e os EUA investiram US$ 60 milhões no projeto. Já o custo para a participação da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) foi zero. "Eles nos cederam, em comodato, um scanner de alta definição para documentos de grande porte, o que acelerou nosso trabalho", disse Liane Amadeo, uma das diretoras da FBN.
"A Biblioteca Digital Mundial será a biblioteca de Alexandria do futuro, com o mais importante de cada nação", disse, sobre o maior acervo de cultura e ciência da antiguidade.
Segundo ela, o tema para a próxima fase da Biblioteca Digital Mundial é música. E a FBN mandará ao projeto, já na semana que vem, 100 arquivos sonoros de MP3, dos mais de 8.000 que possuem, com dez segundos de duração para não infringir leis de direitos autorais, de músicos como Pixinguinha.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2804200924.htm

sexta-feira, 17 de abril de 2009

A lista de Schindler



Encontrada uma cópia carbono da lista de Schindler, a relação de judeus que fugiram da máquina genocida nazista graças à ajuda do industrial alemão Oskar Schindler. Nas treze páginas de papel amarelado, há 801 nomes acompanhados de suas nacionalidades. Eram todos trabalhadores judeus de uma fábrica que Schindler mantinha na Polônia. A lista foi encontrada em uma biblioteca em Sydney, na Austrália, em meio a antigas anotações do novelista Thomas Keneally, autor do livro no qual foi baseado o filme A "Lista de Schindler" (1993), de Steven Spielberg. Keneally recebeu o documento em 1980 de Leopold Pfefferberg, um dos sobreviventes cujo nome está na lista, mas o vendeu a um negociante pouco depois e nunca mais teve notícias dele. Em 1996, a biblioteca comprou seis caixas com anotações de Keneally, mas até agora não sabia que a lista estava entre elas.

Disponível em: http://veja.abril.com.br/150409/datas.shtml

23 de abril, o Dia Mundial do Livro


No dia 23 de abril se comemora em Barcelona o dia de Sant Jordi (São Jorge). Este dia, conhecido como a festa do livro e da rosa, coincide com o aniversário de São Jorge, o santo padroeiro da Catalunha. Segundo a lenda, São Jorge matou o dragão que atemorizava o povo, e do sangue do dragão nasceu uma rosa que o santo deu de presente à sua princesa. O costume diz que nesse dia os namorados(as) devem dar de presente livros e rosas para seus amados (as).

A cada ano as ruas de Barcelona ficam repletas de vendedores de rosas e de livros, especialmente na Rambla, que se transforma em uma verdadeira maré humana de vendedores e compradores de livros. Além disso, durante todo o dia os autores dos livros mais populares autografam os exemplares dos leitores, tanto na rua como em livrarias.

Em 1995 a UNESCO declarou o dia 23 de abril como o Dia Internacional do Livro.

Disponível em: http://dreamguides.edreams.pt/espanha/barcelona/sant-jordi

Salve nosso Lobato!



Neste sábado, 18 de abril, é o Dia Nacional do Livro Infantil, dia também de nascimento do escritor Monteiro Lobato, autor mais admirado do Brasil e inventor da literatura infanto-juvenil Nacional e do próprio mercado editorial brasileiro.

Disponível em: http://blogdogaleno.blog.uol.com.br/

Coleção Atlas do Corpo Humano Discovery Health - 4 DVDs

DISPONÍVEL NA MIDIATECA


Embarque nesta aventura ao interior do corpo humano e entenda seu complexo e muitas vezes delicado funcionamento, saiba como se comportam os sentidos, o cérebro e outros órgãos, mecanismos fundamentais para a vida. Através de técnicas avançadas de computação gráfica revelaremos em treze episódios os segredos do funcionamento do corpo humano, desde o esqueleto até os mistérios por trás de um simples soluço, veremos a complexa geografia dos vasos sanguíneos, músculos e tecidos que nos envolvem. Mais do que apenas um curso de medicina, cada programa nos mostrará os processos interiores que ocorrem em nosso corpo e a maneira como isso afeta o nosso cotidiano.

DVD 1
1. O Sopro da Vida
2. A Máquina Alimentar
3. Defesa e Reparo

DVD 2
1. Pele
2. Ouça Isso
3. O Cérebro

DVD 3
1. Paladar e Olfato
2. Realidade Visual
3. Músculos e Ossos

DVD 4
1. Glândulas e Hormônios
2. Por Dentro do Útero
3. O Coração
4. Sexo

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Fotos da Aluna Yasmin Klein 1º A

Comecei tirar fotos há uns dois anos, sempre tive preferência pelo centro velho. Adoro fotos em sépia e preto e branco. Encontro em São Paulo paisagens maravilhosas, gosto muito de suas construções e das pessoas que fazem parte de seu dia-a-dia. Não sei explicar o que sinto ou quais são minhas inspirações quando eu estou tirando uma foto, eu simplismente olho para um lugar, penso que daria uma boa foto, então procuro um ângulo perfeito e aperto o botão. A fotografia já se tornou parte de mim e tenho certeza que vou levá-la para sempre.







Deixe seu comentário.

Acervo Digital da VEJA


A revista VEJA abre todo o seu acervo de 40 anos de existência na internet.

Todas as edições poderão ser consultadas na íntegra em formato digital no endereço.

http://veja.abril.com.br/acervodigital/

A revista liberou o acervo em comemoração ao seu aniversário de 40 anos. A primeira edição de VEJA foi publicada em 11 de setembro de 1968.

O sistema de navegação é similar ao da revista em papel: o usuário vai folheando as páginas digitais com os cliques do mouse.

O acervo apresenta as edições em ordem cronológica, além de contar com um sistema de buscas, que permite cruzar informações e realizar filtros por período e editorias.

Também é possível acessar um conjunto de pesquisas previamente elaborado pela redação do site da revista, com temas da atualidade e fatos históricos.

O projeto é resultado de uma parceria entre a Editora Abril e a Digital Pages e levou 12 meses para ficar pronto. Mais de 2 mil edições impressas foram digitalizadas.

Vale a pena conferir!!!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Livros para ouvir (no trânsito, no celular...)

Loja exclusiva para audiolivros acaba de ser inaugurada no Tatuapé; na cidade, há pelo menos quatro editoras especializadas no ramo

Edison Veiga

Comuns na Europa e na América do Norte, os audiolivros ainda não pegaram por aqui. Para tentar alavancar esse mercado, uma das pelo menos quatro editoras especializadas no filão em São Paulo acaba de inaugurar uma livraria destinada exclusivamente a comercializar os livros nesse formato: a Audiolivro, que fica na Rua Bom Sucesso, 247, no Tatuapé (0xx-11- 2098-3331). "No ano passado, mantivemos um quiosque no Shopping Metrô Santa Cruz, e foi uma experiência bem interessante. Então, resolvemos abrir nosso espaço", conta o proprietário, Marco Giroto.

Antes disso, os livros lançados pela editora fundada em 2007, acumulava cerca de 80 títulos, poderiam ser adquiridos somente em outras livrarias ou via internet. Como, aliás, acontece com suas principais concorrentes na cidade: a Livro Falante, a Livrosonoro e a Universidade Falada. Nelas, há a opção de comprar em CD, com preços que variam de R$ 24,90 a R$ 30, ou fazer um download do arquivo de áudio, em formato MP3, de R$ 4 a R$ 18 - a Livrosonoro não oferece esta última opção.

Boa parte dos títulos lançados não é produzida especialmente para o formato. Trata-se de uma nova versão de obras que se tornaram conhecidas em edição de papel. Pode-se ouvir clássicos como Iracema, de José de Alencar, e best sellers como O Monge e o Executivo, de James C. Hunter, e 1808, de Laurentino Gomes.

A falta de tempo e o trânsito de São Paulo são os principais argumentos utilizados por quem já se rendeu à mania. "Moro em Interlagos, estudo na Vila Buarque e trabalho no Morumbi", conta a estudante de Biblioteconomia Angela Reis Silva, que em dezembro comprou Quando Nietzsche Chorou, de Irvin D. Yalom o primeiro audiolivro de sua coleção, que já ultrapassa uma dezena. "Só para ir de casa à faculdade, gasto duas horas no ônibus. Vou ouvindo algum livro no meu (tocador de) MP3."

Não são só os leitores que utilizam esse raciocínio, a propósito. Giroto, o dono da Audiolivro, era analista de sistemas quando decidiu abrir o negócio. De sua casa, na zona leste, à empresa, em Alphaville, gastava um total de três horas, entre ida e volta. "Todas as rádios tocavam as mesmas músicas. Fiquei indignado", lembra. Resolveu fazer livros em áudio.

Situação parecida levou o médico dermatologista Claudio Wulkan a criar a Universidade Falada, em 2006. "Como sempre estou andando entre um consultório e outro, costumava ouvir audiolivros que trazia do exterior", conta ele. Sua editora já tem 250 títulos e mantém uma ação social disponibilizando seu acervo para a Fundação Dorina Nowill para Cegos.

Criada no ano passado, a Livrosonoro escolheu outro alvo para mirar: os jovens estudantes. "Estamos nos especializando nos títulos indicados para os vestibulares", explica um dos proprietários, Luiz Carlos Gioia. "O livro sonoro não substitui o impresso, mas é uma alternativa para quem tem dificuldade ou não gosta de ler. Há a facilidade de ouvi-lo no carro, no celular, no iPod... E o jovem não ?paga o mico? de ficar lendo perto de seus colegas." (Ao que parece, nas novas gerações há quem acredite que ler seja hábito vergonhoso.)

Por falar em vestibular, a Livro Falante tem um interessante projeto de transformar em áudio a obra de Machado de Assis. Na voz do repórter do CQC - programa jornalístico-humorístico da Band - Rafael Cortez, já foram lançados Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas e O Alienista. E está para sair Quincas Borba. Em MP3, Machado de Assis continua imortal.

Onde encontrar Audiolivro:

http://www.audiolivro.com.br/sistema/home.asp?IDLoja=6491
http://www.livrofalante.com.br/
http://www.livrosonoro.com/
http://www.universidadefalada.com.br/

Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090321/not_imp342382,0.php

Para gostar de ler

Apaixonado por livros, o imortal José Mindlin lança obra para espalhar sua paixão entre os novos leitores


José Mindlin, 94, é formado em direito pela USP, já foi empresário, advogado, repórter e secretário estadual de cultura em São Paulo. No entanto, o que o tornou conhecido não foi o exercício de nenhuma dessas atividades, mas seu vício por livros, ao qual ele se refere como uma "loucura mansa". Em sua nova obra, "No Mundo dos Livros" (ed. Agir, 104 págs., R$ 30), Mindlin fala de seus autores favoritos, da revolução causada pelo surgimento da imprensa e do consequente aumento do acesso à leitura no século 15. Também explica como começou a formar sua biblioteca pessoal, aos 13 anos. Hoje, ela tem aproximadamente 38 mil volumes. Imortal (como são conhecidos os membros da Academia Brasileira de Letras), o bibliófilo diz que seu objetivo com o novo livro é "infectar as pessoas com o vírus da bibliofilia". Ele não acredita que existam pessoas que não gostem de ler: "Certamente não foram devidamente estimuladas".

FOLHA - Quem começa lendo "Harry Potter" chegará a Machado de Assis? Os quadrinhos e best-sellers são boa porta de entrada?JOSÉ MINDLIN - Acho que uma coisa não tem relação direta com outra. Conheço muitos jovens que leram "Harry Potter" sem que isso tivesse prejudicado outras leituras, inclusive a de Machado de Assis. A leitura é um processo automultiplicador, não existem regras rígidas para desenvolver o hábito.

FOLHA - Quem fez o sr. se interessar pela leitura?MINDLIN - Cresci num ambiente em que a leitura fazia parte da vida de meus pais, da minha e da de meus irmãos. A leitura deve ser introduzida desde a infância. Não creio que haja regras para estimular a leitura, mas com certeza o hábito é uma força poderosa.

FOLHA - Qual foi o livro mais importante da sua adolescência?MINDLIN - Minha adolescência ocupou leituras as mais variadas. Por volta dos 12 anos, li obras de Júlio Verne com muito interesse. Confesso, no entanto, que pulei descrições muito prolongadas. Sempre gostei de contos, especialmente de Machado de Assis e de Artur Azevedo, mas procuro sempre textos novos.

FOLHA - O sr. acredita que o jovem lê menos hoje? A internet está prejudicando a leitura de livros?MINDLIN - Não creio que seja possível ou fácil generalizar a leitura dos jovens. Muita coisa é lida e, nas livrarias, a quantidade de livros para jovens não é pequena. Quanto à internet, acho que são processos paralelos, tenho a impressão de que a leitura do livro ainda conserva seu lugar.

FOLHA - Como é possível inspirar nos jovens a paixão pela leitura, num universo que é dominado pela internet, pela TV e pelo cinema?MINDLIN - Acredito, novamente, que são processos paralelos, e não acho que existam regras rígidas para desenvolver o hábito da leitura na vida doméstica. Uma forma óbvia é o exemplo, mas não é a única. Costumo dizer que apontar um livro sem insistir em que seja lido pode até ser um incentivo eficiente.

FOLHA - O sr. conhece aparelhos de leitura digital, como o Kindle, que procuram ser alternativas ao papel?MINDLIN - Não tenho experiência com esses aparelhos, mas também não tenho uma posição dogmática de que o conhecimento de um texto por meios não habituais seja necessariamente negativo.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhatee/fm2303200912.htm

Disponível na Midiateca

As Mais Belas Lendas Da Idade Media


Este livro compõe-se de duas partes independentes: Lendas dos cavaleiros da Távola Redonda narra as aventuras do rei Artur e a vida tumultuada dos cavaleiros e damas de sua corte; Contos e lendas da Idade Média apresenta aventuras épicas, contos de amor e fábulas cheias de malícia. No final de cada parte há um breve capítulo sobre a história, o cotidiano e as sociedades medievais. O texto foi adaptado ao jovem leitor, com cuidado de conservar um vocabulário e um estilo que evoquem a Idade Média.

Reservas: http://midiateca:8010/sophia/

sexta-feira, 20 de março de 2009

Disponível na Midiateca


Quando se fala em mitologia, a primeira idéia que nos vem é a dos deuses e heróis dos mitos gregos. A preocupação do autor desta antologia foi a de aproximar os heróis gregos do jovem leitor de hoje, usando uma linguagem simples e humanizando seus personagens. Pandora se enreda em problemas como tantas outras mulheres curiosas deste mundo; Perséfone enfrenta o ciúme de Deméter como muitas outras moças que escolhem um marido que não agrada à mãe; o ambicioso rei Midas é um ser humano como muitos outros que aprendem grandes lições por meio do sofrimento. Para ilustrar este livro, Pep Montserrat reinventa imagens da Antiguidade clássica adotando estilo e cores modernas. Assim, autor e ilustrador oferecem ao leitor de hoje uma versão vibrante e inovadora dessas histórias eternas .



O "gene da matemática" explica como nossa habilidade inata de formação de padrões permite-nos desempenhar confortavelmente o raciocínio matemático. Assim revela por que alguns pessoas odeiam matemática, outras têm dificuldades e uns previlegiados conseguem ter sucesso nessa área. O autor nos dá dicas e sugere caminhos por meios dos quais podemos melhorar nossas habilidades matemáticas. Trata-se de uma leitura essencial para quem é fascinado, enfurecido ou intimidado pela matéria.

Faça a sua reserva pelo nosso catálogo on-line

http://midiateca:8010/sophia/

sexta-feira, 13 de março de 2009

Disponível na Midiateca



Para você que ainda não teve a oportunidade de ler um dos 80 livros que Rubem Alves já publicou "O melhor de Rubem Alves" contém uma coletânea de seus pensamentos em um só livro.












Os poemas aqui apresentados fornecem uma visão clara e suficiente da lírica camoniana, que é, como se sabe, uma das maiores experiências da literatura amorosa na Europa. Além disso, o livro apresenta uma criteriosa introdução, em que se apresentam noções indispensáveis para o entendimento geral das rimas.







Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz idéia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama...




Antes de se tornar um dos maiores compositores da música popular brasileira, Vinicius já se consagrara como poeta da mais alta qualidade literária. Seus versos marcam mais de cinquenta anos da literatura brasileira. A presente antologia é mostra da habilidade poética de Vinicius de Moraes, que soube, entre outras coisas, atualizar o erudito e conceder tratamento culto a temas populares.

Faça a sua reserva pelo nosso catálogo on-line

http://midiateca:8010/sophia/

Uma página rasgada dos livros


Carmen de Patagones é uma cidade da Argentina desconhecida até mesmo para a maioria dos argentinos. Que também desconhecem o fato mais importante ocorrido lá, há exatos 182 anos.

Surgida na segunda metade do século 18 e hoje com cerca de 18 mil habitantes, é uma cidadezinha simpática, a mil quilômetros de Buenos Aires, que escorre por uma ladeira até encontrar-se com o Rio Negro, na Patagônia. Possui centro histórico conservado e sua catedral, dedicada à Virgem do Carmo, expõe duas bandeiras do Império do Brasil.

Essas bandeiras explicam o que ocorreu ali em 7 de março de 1827 e que constitui o maior vexame naval da história brasileira. Naquele dia uma força-tarefa a serviço do Império, formada por 4 navios de guerra e 650 homens, foi derrotada por um bando de corsários de várias nacionalidades.

O Brasil estava em guerra com a Argentina (1825-28) pela posse do atual Uruguai. Dispondo de poucos navios de combate, os argentinos arregimentaram esses aventureiros para seu esforço de guerra. Sua missão era apreender e saquear navios mercantes brasileiros. Essa ação causou prejuízos colossais ao Brasil. E para a já abalada imagem de D. Pedro I.

Bloquear o porto de Buenos Aires era crucial para os propósitos brasileiros, mas a tarefa era difícil. Apesar da superioridade sobre os argentinos, os veleiros brasileiros eram para alto-mar e inadequados para aquele cenário.

E tudo o que não poderia ter ocorrido aconteceu: planejamento deficiente, desconhecimento das armadilhas do rio, tempo traiçoeiro e a determinação do comandante de cumprir as ordens a ferro e fogo. Por fim, após um desembarque não planejado, um guia pouco confiável conduziu marinheiros e soldados, sem água, alongando penosamente o trajeto numa noite de calor exasperante. Quando estavam extenuados e o dia amanhecia, o adversário lançou-se sobre eles e se impôs facilmente. Não restou alternativa que não a rendição.

Carmen de Patagones comemora o 7 de março por 15 dias. O Brasil nem sequer o registra o episódio em sua historiografia oficial. Já as bandeiras expostas na Catedral de Carmen pertenciam à corveta Itaparica.

Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090307/not_imp334951,0.php

O Holocausto chique de Hollywood

Uma moratória a esse genocídio talvez evitasse sua contumaz exploração pela máquina de entretenimento.

Que tal dar um descanso ao Holocausto? Não negá-lo, como certos cretinos ainda o fazem. Nem esquecê-lo, pois um genocídio daquela proporção não pode ser esquecido, sob pena de incentivar novos crimes contra a humanidade. Apenas submetê-lo a uma, digamos, moratória. Talvez assim conseguiríamos inibir o seu uso inapropriado, e eventualmente torpe, nas discussões sobre a política externa israelense e sua contumaz exploração pela máquina de entretenimento. Até um musical ambientado em campo de concentração nazista, Imagine This!, já ousaram produzir. E A Escolha de Sofia já rendeu uma ópera.

"Quem quer que se aventure a fazer arte sobre a morte de milhões de pessoas deve antes se perguntar se sua obra acrescentará alguma novidade ao muito que já se sabe sobre o assunto", recomendou o crítico cultural Norman Lebrecht, depois de ler o romance de Bernhard Schlink que deu origem ao filme O Leitor. "Se a resposta for não", prosseguiu Lebrecht, um novo caso de exploração comercial e emocional do Holocausto está a caminho. Se a resposta for sim, há que se esclarecer o teor da novidade. Ele não gostou nada das novidades que Schlink acrescentou à tragédia do Holocausto.

Se filmes como A Escolha de Sofia, A Vida é Bela, A Lista de Schindler, O Menino do Pijama Listrado carregam o estigma da exploração emocional do Holocausto, sobre espetáculos como O Leitor e Operação Valquíria recai outra acusação: oferecer uma visão perigosamente revisionista da Alemanha nazista.

Revisionista e glamourizada ou a bela e sensual Kate Winslet não seria a estrela do primeiro, nem Tom Cruise, o astro do segundo. "Hollywood inventou o Holocausto Chique", proclamou um crítico de Los Angeles, quando da estreia, há dois meses, de Um Ato de Liberdade (Defiance), com Daniel Craig fugindo da máquina nazista pelas florestas polonesas e bielo-russas, na companhia de dois irmãos.

"Schlink desculpou o indesculpável", denunciou Cynthia Ozick, referindo-se à redenção de Hanna, a protagonista de O Leitor, através da cultura livresca. Usar a ignorância de uma impenitente guarda de campo de concentração como metáfora da aminésia alemã pareceu-lhe uma exorbitância. Desde quando o aprendizado das letras pode nos redimir de crimes inexpiáveis? Se conhecer Homero, Goethe e Tchecov criasse uma barreira contra o mal, Hitler, que muito leu antes de virar führer, não teria inventado a Solução Final.

Mesmo na Alemanha, onde foi publicado em meados da década passada, O Leitor recebeu críticas severíssimas; assim como o filme Operação Valquíria, que até o velho nouveau philosophe Bernard-Henri Lévi arrastou para uma polêmica nas páginas da revista Le Point. Mas nos Estados Unidos a grita foi maior. Principalmente por causa do tratamento dispensado ao comportamento dos alemães durante os mil, perdão, 12 anos do Terceiro Reich.

"Não precisamos de um filme que isente o povo alemão de cumplicidade no extermínio de judeus e humanize seus carrascos", protestou o estudioso do nazismo Ron Rosenbaum. "A tese de que qualquer um de nós pode tornar-se um genocida é absurda. O Holocausto não foi um surto, mas um genocídio planejado, e sua normalização é inaceitável", emendou Lebrecht, que reservou sua artilharia mais pesada para o cartapácio de Jonathan Littell, As Benevolentes, supino exemplo do Holocausto Chique traduzido pela Alfaguara em 2007 e só agora editado nos Estados Unidos.

Quanto aos bravos e bondosos oficiais nazistas que se opuseram a Hitler e sua louca obsessão antissemita, a ponto de tentar matá-lo num atentado, em 20 de julho de 1944um grão de sal, bitte.

Os oficiais da Wehrmacht envolvidos na Operação Valquíria só levaram seus planos adiante porque em julho de 1944, um mês depois da invasão da Normandia pelos Aliados, a guerra parecia perdida. Três anos antes, teria feito diferença, como gesto e, se dado certo, como ação política. Mais corajosos e sinceros foram os estudantes de Munique que, sob a sigla Rosa Branca, lutaram na clandestinidade contra o nazismo, boicotando o que podiam e escondendo judeus onde era possível. Sem a menor intenção de salvar o Reich da debacle, a intenção primeira dos oficiais liderados pelo coronel Claus von Stauffenberg.

Brutalmente executados em 1943, os integrantes da Rosa Branca bem mereciam um filme de peso. Da mesma forma que outros heróis da resistência alemã, como os oficiais Hans Oster e Hans von Dohnanyi, que se rebelaram em 1938, e o marceneiro Georg Elser, que planejou matar Hitler cinco anos antes da Operação Valquíria, e quem mais fizesse jus a uma dramatização no índice remissivo de um estudo do finado Joachim Fest, La Résistance Allemande à Hitler, recém-lançado na França pela Broché. Infelizmente, a badalação em torno da Operação Valquíria (que já havia inspirado um filme alemão de G.W. Pabst, em 1955) ofuscou todos eles.

Henri-Lévi queixou-se da escolha de Cruise para o papel de Von Stauffenberg por suas ligações com a Cientologia. A seita a que o ator pertence e defende com fanatismo tem lá seus pontos em comum com o nacional-socialismo (a visão apocalíptica do mundo é de somenos), mas incongruência maior é a santificação do coronel, nazista de carteirinha desde 1933 e figura de proa na invasão da Polônia em 1939. Só mesmo o Holocausto Chique seria capaz de alçar Von Stauffenberg ao pedestal dos autênticos mártires do nazismo.

Disponível em: http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup335243,0.htm

sexta-feira, 6 de março de 2009

Palco da vida



Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo. E você pode evitar que ela vá à falência.

Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você. Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões.

Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros.

Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos. Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples, que mora dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar "eu errei". É ter ousadia para dizer "me perdoe". É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você”. É ter capacidade de dizer "eu te amo". É ter humildade da receptividade.

Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz... E, quando você errar o caminho, recomece, pois assim você descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.

Usar as perdas para refinar a paciência.
Usar as falhas para lapidar o prazer.
Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.

Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário.

Pedras no caminho? Guardo todas... Um dia vou construir um castelo!

Fernando Pessoa 1888-1935

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O homem do castelo alto (Disponível para empréstimo na Midiateca)


DICK, Philip K. O homem do castelo alto. tradução de Fábio Fernandes. São Paulo: Aleph, 2006. 300 p. ISBN 8576570238.

Neste romance perturbador e surpreendente, publicado originalmente em 1962 e vencedor do Prêmio Hugo, Philip K.Dick apresenta um cenário sombrio: a Segunda Guerra Mundial foi vencida pelos Nazistas. O mundo vive sob o domínio da Alemanha e do Japão. Os negros são escravos. Os judeus se escondem sob identidades falsas para não serem completamente exterminados.

É nesse contexto assustador que se desenvolvem os dramas de vários personagens, cujas vidas acabam entrelaçadas pelos ditames do I Ching, o milenar oráculo chinês, e que se descobrem envolvidos em situações além de seu controle.

Considerado por muitos o melhor trabalho de Philip K. Dick, "O Homem do Castelo Alto" apresenta uma versão alternativa da história, revelando um olhar crítico e filosófico sob a condição humana. E, antecipando filmes e seriados de sucesso, como Matrix e Lost, levanta a grande questão:

"O que é a realidade, afinal?"

Ler um livro em voz alta pode ser considerado pirataria?


Ler um livro em voz alta pode ser considerado pirataria? O novo aparelho que reproduz livros eletrônicos da Amazon, o Kindle 2, tem gerado polêmica no mercado editorial norte-americano desde seu lançamento por causa de uma função que faz algo parecido com uma leitura 'robótica' dos livros eletrônicos.

A ferramenta, que está na segunda versão, é uma espécie de "iPod dos livros". O Kindle 2 reproduz na tela uma versão eletrônica de um livro comprado pelo usuário no próprio site da Amazon.com.

Como gadget também é capaz de "ler" em voz alta o texto do e-book, isso causou controvérsia entre editores e agentes literários nos EUA. De acordo com o Wall Street Journal, o presidente do sindicato dos autores, Paul Aiken, afirmou que comprar o livro eletrônico e instalar no aparelho não dá ao usuário o direito de ouvi-lo em voz alta, em áudio. Segundo ele, essa reprodução configura "um direito de reprodução auditiva, que está previsto na lei de direitos autorais".

O jornal também informou que um porta-voz da Amazon ressaltou que a função do Kindle 2 que "lê" o livro usa uma tecnologia automática que apenas transforma texto em áudio, e que os ouvintes não irão confundir esse tipo de ferramenta com a experiência proporcionada por um "audiobook", que é a gravação de uma leitura feita por um narrador humano.

De acordo com o advogado Rony Vainzof, especializado em direito eletrônico e autor de livros sobre o tema, no Brasil uma situação como essa dificilmente caracterizaria violação dos direitos autorais. "Apesar de a lei prever que qualquer transformação não-autorizada na obra poderia caracterizar infração de um direito, num caso como esse a lei de direitos autorais entraria em contraposição com as leis que preveem acessibilidade para deficientes visuais, por exemplo", explicou.

Para Vainzof, a questão depende das permissões contidas no contrato entre o autor da obra e o vendedor dela, no caso, a Amazon. Segundo ele, "se o contrato tiver uma cláusula [que permita a reprodução em áudio] isso anula a questão".

Disponível em: http://www.estadao.com.br/tecnologia/not_tec323570,0.htm

Enciclopédia do estudante ( Disponível na Midiateca)



Especialmente desenvolvida para alunos, mas também referência para familiares e professores.

- Abrange os parâmetros curriculares nacionais, a partir do 6º ano do Ensino Fundamental II até o vestibular.

- Textos atualizados com as últimas descobertas de cada área.

- 1.500 páginas de conteúdo sobre o Brasil, produzidas por 50 especialistas e professores experientes.

- Inclui mais de 900 mapas, 5.000 ilustrações e 8.500 fotos.

- 20 Volumes divididos por disciplinas em capa dura com 320 páginas cada.

Desde 2005, quando foi lançada, a Enciclopédia do Estudante vem sendo um sucesso: vendeu mais de 7 milhões de exemplares na Espanha e em dez países da América Latina. Em 2006, a obra recebeu o The Worlddidac Award, o mais importante prêmio do mundo para materiais educacionais e pedagógicos concedido pela Worlddidac Foundation, da Suíça.


01. Ecologia
02. Matemática I
03. Ciências da Terra e do Universo
04. História Geral
05. Geografia Geral
06. Matemática II
07. Literatura Universal
08. Redação e Comunicação
09. Biologia
10. Física Pura e Aplicada
11. Geografia do Brasil
12. História da Filosofia
13. Música
14. Literatura em Língua Portuguesa
15. Química Pura e Aplicada
16. História do Brasil
17. Gramática e Linguística
18. Religiões e Culturas
19. História da Arte
20. Geografia do Mundo

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Educação por outro foco

Estimado Lobato,
Escrevo esta carta para lhe contar que descobri outro lado de seu universo literário


Fiquei de olhos arregalados, meio parados, feito uma boba, tal qual a boneca Emília antes da pílula falante, quando descobri que o senhor, mesmo com a atarefada vida de escritor e batalhador das causas nacionalistas, fazia questão de reservar um tempo para se corresponder com os pequenos leitores da mesma maneira que fazia com Mário de Andrade e Erico Verissimo. Meu pensamento correu solto ao imaginar o rumo que as missivas tomavam, porque hoje em dia, meu caro, o contato entre autores e leitores mirins cai quase sempre numa burocracia escolar desanimadora, numa prosa que não rende mais que dois ou três parágrafos...

Curiosa, pesquisei na internet (uma maravilha eletrônica da atualidade que o deixaria boquiaberto) e descobri um arquivo com parte dessa correspondência, à disposição dos visitantes,http://www.unicamp.br/iel/monteirolobato/corre_ativa/BL_Ms00008.htm no Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulalio (Cedae), na Universidade Estadual de Campinas. Agendei uma visita e, em uma sexta-feira, lá estava eu.

Seguindo uma frase que Marisa Lajolo, professora que participou da organização do acervo, me disse – “O leitor infantil se sente respeitado por Lobato” –, comecei buscando notícias do passado. Com as mãos devidamente enluvadas – seus escritos são tratados como obras históricas –, alcancei uma carta enviada à garota Maria Luiza, em 1936, que comprova a afirmação. “Está aqui uma menina que bem merecia morar no sítio de dona Benta e tomar parte de nossas aventuras. Sabe alemão e tem ‘personality’.”

Minha pesquisa seguiu e percebi que na sua opinião essa escrita tem de ser mesmo inteligente e sem caráter de dever de casa. “Tem valor a opinião das crianças; mas não tem valor nenhum, nenhum, a de uma criança ‘assoprada’ por um adulto”, revela um trecho da correspondência enviada em 1947 para a então menina Josette. Aposto que ficou curioso para saber notícias dela. A “patriciazinha de Piracicaba”, como costumava chamar a pequena com quem trocou cartas durante dois anos, hoje tem 75 anos, e é escritora e professora de Música.

Antes de me despedir, mais notícias do presente. Tem muita gente bisbilhotando a sua correspondência, como Raquel Afonso. A pesquisadora me contou que leu 246 cartas suas trocadas com crianças e organizou uma tese de doutorado, comprovando que seu contato com os pequenos era intenso, além de rico, pois o universo das obras era transposto para a vida real naturalmente. Pela dedicação e pelo esforço, bem que ela merecia uma visita sua a bordo de um condor, como a prometida em correspondência também para Maria Luiza. O que acha da ideia?

Com saudades, me despeço,
RITA TREVISAN, de Campinas, SP

Quer saber mais?

Cartas enviadas pelo autor.
http://www.unicamp.br/iel/monteirolobato/

Informações sobre a vida e a obra de Monteiro Lobato.
http://www.unicamp.br/iel/monteirolobato/

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Amazon lança nova versão de "livro eletrônico"

A Amazon exibiu ontem a mais recente encarnação de seu leitor de livros eletrônicos, o Kindle. O aparelho é mais fino que a versão anterior, tem mais capacidade de memória e recurso que lê o texto em voz alta ao usuário.
O novo Kindle, que será vendido por US$ 359 (aproximadamente R$ 800) no site da empresa, está disponível para encomenda antecipada e começará a ser despachado no dia 24.
A nova versão resolve um problema com "viradas" de página involuntárias e traz controle de direções que permite ao usuário saltar entre artigos e seções de jornais.
A primeira versão do Kindle foi lançada em novembro de 2007.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1002200939.htm

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Poemas de livro que cai na Fuvest estão na internet


Os poemas que fazem parte da segunda edição do livro "Antologia Poética", de Vinicius de Moraes, que serão cobrados no vestibular 2010 da Fuvest, estão disponíveis para consulta no endereço www.viniciusdemoraes.com.br
A Fuvest recomenda ao candidato atenção para não estudar a partir de edições anteriores ou posteriores da obra, que contêm modificações e poemas diferentes.
A lista dos poemas cobrados no vestibular está no próprio site da instituição, em www.fuvest.br

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/fovest/fo0302200906.htm

Diálogos com Drummond


CASA DAS ROSAS TRAZ EXPOSIÇÃO SOBRE O POETA


A obra de Carlos Drummond de Andrade é tema de exposição gratuita na Casa das Rosas. O livro "A Rosa do Povo", do poeta, foi cobrado no último vestibular da Fuvest e não cai no próximo, mas o escritor é personagem importante da literatura brasileira. A exposição vai de 5 a 28 de fevereiro. Informações em
www.poiesis.org.br/casadasrosas

Veja para onde doar seus eletrônicos usados

ABRE (Associação Brasileira de Distribuição de Excedentes)
A associação recebe materiais eletrônicos usados, como computadores, televisões, aparelhos de vídeo e de DVD. Eles são encaminhados para outras instituições
Telefone: 0/xx/11/5052-0736
www.abre-excedente.org.br

CDI (Comitê para Democratização da Informática)
A organização não-governamental recebe computadores em funcionamento que tenham pelo menos processador Pentium III com velocidade de 1 GHz, memória RAM de 256 Mbytes e disco rígido com capacidade de 20 Gbytes
Telefone: 0/xx/11/3822-0988
www.cdisaopaulo.org.br

Museu do Computador
Recebe doações de computadores, telefones, máquinas de escrever e de calcular, videogames, impressoras e peças de computador, como teclado e mouses
Telefone: 0/xx/11/4666-7545
www.museudocomputador.com.br

Centro de Recondicionamento de Computadores - Oxigênio
O centro realiza atividades de recepção, triagem, recondicionamento, empacotamento e entrega de equipamentos de informática doados por empresas públicas ou privadas
Endereço: Rodovia Helio Smitd, s/nº, Guarulhos
Telefone: 0/xx/11/3051-3420
www.oxigenio.org.br

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Viaje de volta ao séc. 20 em um clique


Dona de um dos acervos fotográficos mais importantes dos últimos 150 anos, revista ‘Life’ ressuscita na web, e de graça.

Um baú com raridades históricas do século 20 acaba de ser aberto na internet. Dona de um acervo com alguns dos flagrantes fotográficos mais importantes dos últimos 150 anos, a revista norte-americana Life, que não circula mais em papel desde 2007, inaugurou na quarta um serviço com 2 milhões de fotos de seu arquivo. O projeto prevê mais 8 milhões. E tudo de graça, em alta resolução e ao alcance do mouse de qualquer pessoa.

Uma parceria com o Google, o http://images.google.com/hosted/life permite, por meio de buscas, acessar registros feitos desde 1860, como um flagrante de Santos Dumont em 1900 sobrevoando Paris ou um retrato de Lenin datado de 1918, época da Revolução Russa. Mas o forte mesmo é a partir de 1936, quando a revista foi lançada.

Daquele ano para cá, é possível ver fotos dos fatos mundiais mais importantes. Há registros chocantes da destruição da bomba atômica em Hiroshima, no Japão, em 1945; do fim da Segunda Guerra, no mesmo ano, com o Arco do Triunfo, em Paris, tomado por pessoas em comemoração; da construção de Brasília, em 1960; da Guerra do Vietnã, em 1966; da queda do Muro de Berlim, em 1989...

No mesmo período, há retratos únicos de personagens marcantes do século 20, como os ex-presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek; a atriz Marilyn Monroe; o gênio Albert Einstein em início e fim de vida; os Beatles rodeados por fãs ensandecidas; o líder Che Guevara; a cantora Carmen Miranda com turbante e tudo...

A abundância e a qualidade das imagens se justificam pelo perfil da Life. Ela nasceu como uma publicação semanal que cobria celebridades e fatos do mundo por fotojornalismo. Eram 50 páginas de imagens rodeadas por pequenos textos. Entre 1978 e 2000, virou mensal. Depois, até 2007, um encarte em jornais dos EUA.

Nesse meio tempo, perdeu público, ficou alguns anos sem ser publicada e foi outras vezes relançada. O novo projeto de levar as fotos para a web é mais uma tentativa de recolocar a Life no mercado. Só que agora na rede mundial. Em fevereiro, deve ser lançado o Life.com, no qual internautas poderão ver e compartilhar imagens históricas ou de fatos do dia.

“A parceria com o Google é uma forma de levar tráfego para o Life.com”, diz o presidente da Life, Andy Blau. “Agora (com as fotos na web) conseguiremos alcançar e fidelizar uma grande audiência com nosso vasto arquivo, que vai de fatos mundiais sérios a celebridades de Hollywood e bizarrices.”

Hoje, das 2 milhões de fotos no site, 97% nunca tinham sido publicadas e estavam em “arquivos empoeirados” na forma de negativos, slides e impressões antigas. Até agora, só 20% do conteúdo a ser digitalizado, processo que já dura dois anos. Em fevereiro, devem ser disponibilizadas mais 8 milhões de fotos, contemplando todo o acervo da revista.

A idéia da Life, mesmo depois de lançar o Life.com, é manter o acesso gratuito. O lucro virá com anúncios, impressão de fotos em formatos especiais e venda para usos profissionais. Para proteger esse modelo de negócios, desde já é possível acessar as fotos, inclusive em alta definição, salvá-las e até imprimi-las. Só não pode usá-las “para fins comerciais”. Ou seja: está liberado para os trabalhos escolares.

E publicar no blog, por exemplo, pode? Blau diz que esses sites ficam em um caminho intermediário entre comercial e não comercial. E dá a entender que fará vista grossa. “Nossa prioridade não será vigiar os blogs”, adianta. “O que ficaremos de olho é se houver abusos, como o uso não autorizado para ganhar dinheiro.” COM AFP E THE WASHINGTON POST

*As fotos cedidas para esta reportagem têm seus direitos autorais pertencentes à Time Inc.

Disponível em: http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=14939

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Milhares de registros de MPB chegam à internet

SERGIO TORRES
da Folha de S.Paulo

Com o propósito de preservar mesmo que a princípio só para ele e os amigos chegados um pouco da história cultural do Brasil, o compositor, escritor, produtor, diretor de espetáculos e pesquisador Hermínio Bello de Carvalho guardou em armários e gavetas um acervo de preciosidades que, agora, para espanto do próprio colecionador, estará disponível na internet.


O site http://www.acervohbc.com.br/BuscaSimples.aspx entrou na rede nesta terça-feira à noite. Traz mais de 10 mil itens armazenados por Hermínio nas seis últimas décadas. Com recursos do Programa Petrobras Cultural, o arquivo do múltiplo artista foi organizado, catalogado e digitalizado.

Hermínio, 73, conta que, para poder consultar seu próprio acervo, terá que se adestrar na internet, ferramenta que afirma não dominar com precisão.

"Estou aprendendo com eles [os produtores do site]. Estão sendo colocadas em circulação coisas que eu, sinceramente, já não pensava que pudessem ser mostradas", diz Hermínio.

Uma das jóias do acervo é a reprodução, no original datilografado, da letra de Hermínio para uma melodia de Tom Jobim (1927-1994). Composta na casa em que o maestro morava em agosto de 1964, ambos estimulados por muito uísque, como lembra o letrista, a canção é absolutamente desconhecida. Não foi gravada e Hermínio não memorizou a melodia, não localizada até hoje nos arquivos de Tom.

"Essa melodia se perdeu. Mas isso já se passou comigo e com Cartola. Quando ele morreu [em 1980], tinha dado a letra de "Camarim". Tempos depois, numa fita deixada por Cartola, foi encontrada a música. Estava prontinha."

Da noitada de música e pileque participou até o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), possivelmente desperto pelo telefonema na madrugada. "Liguei para o Drummond a fim de apresentar o Tom a ele. Tom começou a dizer poemas de Drummond. Foi nessa noite que fizemos a canção, na euforia do uísque. E houve essa inconveniência de ligar para o Drummond", conta Hermínio.

O site

O site é dividido em itens de áudio, iconografia e texto. As gravações trazem registros caseiros de música e conversa, interpretações inéditas, shows e concertos que nunca viraram disco. São centenas de canções, com intérpretes de primeira linha, muitos já mortos, Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim, Donga, Dalva de Oliveira, Aracy de Almeida, João Nogueira. Entre os vivos, Paulinho da Viola, Elton Medeiros e João Bosco.

As fotografias servem como referência ao trajeto de Hermínio na cultura nacional. São centenas delas, que o mostram na companhia de dezenas de brasileiros e também da norte-americana Sarah Vaughan (1924-1990), que se tornou sua amiga quando visitou o Brasil.

O acervo reproduz desenhos, caricaturas e quadros pertencentes a Hermínio e assinados por artistas plásticos de destaque, como Di Cavalcanti, Heitor dos Prazeres, Nássara, Cássio Loredano, Chico e Paulo Caruso e Hermenegildo Sábat.

A área de texto divide-se em quatro: poesia, com trabalhos de Hermínio publicados em livros, inéditos e manuscritos originais; cancioneiro, com parte da obra musical em parceria com compositores como Cartola, Pixinguinha, Nelson Cavaquinho, Paulinho, Elton, Sueli Costa, Ivone Lara, Martinho da Vila, Roberto Frejat, Ismael Silva e Ataulfo Alves; crônicas, ensaios e material jornalístico editados e inéditos escritos nos últimos 50 anos; e correspondência trocada com personagens como Drummond, Oscar Niemeyer, Isaurinha Garcia e Carlos Cachaça.

Disponíve em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u466372.shtml

Livro reúne 60 poemas escritos com os olhos

UIRÁ MACHADO
COORDENADOR DE ARTIGOS E EVENTOS

Leide Moreira faz poesia. Poeta rara, quiçá única, não mexe as mãos, os pés, a cabeça. Tampouco mexe o tronco, os braços, as pernas. Nem piscar os olhos ela pisca. Mas escreve.
Portadora de esclerose lateral amiotrófica desde o final de 2004 (mesma doença degenerativa do físico Stephen Hawking), Moreira, 60, perdeu completamente o controle sobre os músculos. A doença só não afeta o raciocínio e os cinco sentidos: olfato, paladar, audição, tato e visão.
Para escrever, Moreira usa o único movimento que lhe resta: o do globo ocular. Com os olhos, indica letras em uma tabela e forma palavras. Assim se comunica, assim faz poesias.
Desde que contraiu a doença, Moreira já escreveu 60 poemas, todos estão reunidos em "Poesias para me Sentir Viva", livro que teve seu lançamento dia 12 no auditório da Folha (al. Barão de Limeira, 425, 9º andar). Na ocasião, as atrizes Fernanda D'Umbra e Chris Couto fizeram a leitura de alguns textos de Moreira.
Com 40 poemas inéditos e 20 publicados em obra anterior, o livro expõe sentimentos que variam entre a alegria ("Amo a vida e a vida me embala") e a angústia ("Mesmo rezando a minha dor não passa"), mas que guardam sempre ao fundo o tom da esperança ("Volto ao futuro esperança").

O livro, que teve patrocínio de Bradesco Vida e Previdência (com benefícios da Lei Rouanet) e o apoio da ABrELA (Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica), poderá ser comprado por R$ 20 na Livraria Cultura e na ABrELA.

Leide Moreira: http://www.leidemoreira.com.br/letras_minha_emocao/port/home.asp
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0911200815.htm

Sai na Argentina seqüência do livro "O Pequeno Príncipe"


Alejandro Roemmers se tornou responsável pela segunda parte da história criada por Saint-Éxupery.

No dia 25, os argentinos antes do restante do planeta, poderão ler a continuação de O Pequeno Príncipe, obra emblemática da literatura infantil, escrita pelo piloto francês Antoine de Saint-Éxupery, em 1943. Nessa data será lançado oficialmente o livro O Regresso do Jovem Príncipe, publicado em Buenos Aires pela Editora Grijalbo. Mas a segunda parte das aventuras do personagem que imortalizou a frase “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” não foi escrita pelo francês, morto no final da Segunda Guerra.

O autor é o argentino Alejandro Roemmers, poeta premiado no país e no exterior, além de herdeiro de um dos maiores laboratórios farmacêuticos do país. Ele conseguiu a aprovação dos herdeiros do francês para dar continuidade à obra que tem prefácio de Frédéric D’Agay, sobrinho-neto de Saint-Éxupery e presidente da Fundação Saint-Éxupery.

D’Agay garante que a Argentina “impregnou a obra de seu tio-avô”. Para ele, o formato de uma ilha na Patagônia inspirou o desenho da jibóia que engole o elefante, encontrado no início de O Pequeno Príncipe. Na obra de Roemmers, o solitário habitante do asteróide B 612 volta à Terra, já adolescente, e aparece na Patagônia. Ali, faminto, é encontrado por um homem que viaja pelo sul do país e que o ajuda.

Segundo Roemmers, a base de O Regresso do Jovem Príncipe é "espiritual e não um argumento”. A conexão do Pequeno Príncipe com a Patagônia remete aos anos que Saint-Éxupery morou em Buenos Aires, para onde foi enviado em 1929 pela companhia Aéroposta-Argentina para abrir novas rotas aéreas. Ali, apaixonou-se pela imensidão da gélida região meridional da Argentina.

Para os argentinos, Saint-Éxupery é praticamente um compatriota. Como piloto, entre 1929 e 1931 abriu rotas aéreas por todo o país e deu início aos vôos noturnos (um de seus livros, chama-se Vôo Noturno, que teve a introdução do escritor André Gide, e transcorre na Argentina). Saint-Éxupery também se casou na Argentina, com a artista salvadorenha Consuelo Suncin.

Disponível em: http://www.estado.com.br/editorias/2008/11/13/cad-1.93.2.20081113.5.1.xml

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Arqueólogos de Israel disseram ter encontrado o texto hebraico mais antigo

Arqueólogos de Israel disseram ter encontrado o texto hebraico mais antigo, ao escavarem uma fortaleza perto do vale onde Davi teria matado Golias. O texto, de cinco linhas, gravado em um pedaço de cerâmica, foi datado em 3.000 anos é mil anos mais velho que os manuscritos do Mar Morto e ainda não foi completamente decifrado. Algumas das palavras identificadas foram "rei", "escravo" e "juiz". Segundo Yosef Garfinkel, da Universidade Hebraica, o achado pode ajudar a entender o reinado de Davi.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0111200804.htm

Sai novo livro de José Saramago, "A Viagem do Elefante"


A épica viagem do elefante Salomão nasceu na imaginação do escritor português José Saramago em 1999, mas só tomou forma como livro no ano passado, quando ele esteve entre a vida e a morte. "A Viagem do Elefante" chegou na segunda-feira, 3, às livrarias, em lançamento da Companhia das Letras.

Os leitores terão tempo para saborear a leitura até a chegada do autor ao Brasil, no final do mês, quando promove seu lançamento no dia 27, Saramago participa de um encontro com os fãs no Sesc Pinheiros. Na mesma época, será homenageado pela Academia Brasileira de Letras, em cerimônia realizada no Rio de Janeiro. E, finalmente, cederá objetos e manuscritos para uma exposição a ser aberta no Instituto Tomie Ohtake.

Uma celebração da vida do autor português mais lido no planeta. Meses atrás, o próprio Saramago não conseguia imaginar que lançaria mundialmente o livro no Brasil. Ele sofreu uma grave doença respiratória, da qual temeu não escapar. "Escrevê-lo não foi um passeio ao campo: Saramago lançou-se a esta tarefa quando estava incubando uma doença que tardou meses a deixar-se identificar e que acabou por manifestar-se com uma virulência tal que nos fez temer pela sua vida.

Ele próprio, no hospital, chegou a duvidar que pudesse terminar o livro", escreve Pilar del Río, com quem Saramago é casado. O texto figura no blog do escritor http://blog.josesaramago.org/, no qual ele vem registrando suas impressões a respeito da recepção do livro e também de O Ensaio Sobre a Cegueira, versão cinematográfica dirigida por Fernando Meirelles.

Pilar conta que, aos olhos do escritor, o livro de 262 páginas não lhe pareceu um romance, daí tratá-lo como conto. A história se baseia em um fato verídico, ocorrido em 1551, quando dom João III, então rei de Portugal, decidiu presentear o arquiduque da Áustria com um elefante indiano.

Organizou-se, então, uma comitiva formada por homens e bois que acompanhou o animal de Lisboa até seu destino final, Viena. E, como quase ninguém conhecia um elefante, sua passagem por vilas e aldeias provocava festa e espanto. A partir desse fato inusitado, Saramago utiliza seu tradicional humor e pregação humanista para mostrar a habitualmente difícil relação do homem entre si e também com os animais. Uma solidariedade compassiva, como já observou Saramago.

A idéia de "A Viagem do Elefante" surgiu quando o escritor visitou a Áustria, há quase dez anos, e almoçou, por acaso, em um restaurante de Salzburgo chamado O Elefante. Na narrativa, Saramago uniu figuras históricas verdadeiras com personagem criados em sua imaginação. "Estas são pessoas que os membros desta caravana encontram na sua viagem, e com quem partilham perplexidades, esforços e a harmoniosa alegria de um telhado sobre as suas cabeças", disse, em entrevista à imprensa espanhola.

Mesmo temendo não concluir o livro por causa do agravamento da doença, Saramago conta que não alterou a história original. "Os anos não passam em vão. Não foi um passeio no jardim. Algo do que vivi terá passado para o que escrevi. Mas, de qualquer forma, os elementos essenciais da história não mudaram", disse ele, revelando sua felicidade e alívio por ter concluído o trabalho. "Escrevi os meus três últimos livros no mais deplorável estado de saúde, que não é de todo o mais favorável para idéias felizes. Prefiro dizer: se tens que escrever, escreverás."

"Pode a literatura salvar a nossa vida?", pergunta o entrevistador. "Não como um medicamento, mas é uma das fontes mais ricas onde o espírito pode beber."

Disponível em: http://www.estadao.com.br/arteelazer/not_art270358,0.htm

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Coleção Atlas National Geographic (disponível na Midiateca)


Muito mais do que um Atlas, essa coleção é um mundo de conhecimento para quem quer aprender tudo sobre o nosso planeta. São 26 livros em grande formato com conteúdo e imagens inéditas, mais de 1.000 mapas físico-políticos e temáticos, 1.300 quadros estatísticos e 2.500 fotos fascinantes e exclusivas do acervo da National Geographic, apresentando as principais características geográficas, políticas, econômicas, infra-estrutura e culturais de cada país.

vol. 1 (América do Sul)
vol. 2 (Brasil)
vol. 3 (Europa I)
vol. 4 (Europa II)
vol. 5 (Europa III)
vol. 6 (América do Norte e Central)
vol. 7 (Ásia I)
vol. 8 (Ásia II)
vol. 9 (África I)
vol. 10 (África II)
vol. 11 (Oceania, pólos e oceanos)
vol. 12 (A terra e o universo)
vol. 13 (Brasil em imagens)
vol. 14 (Europa em imagens)
vol. 15 (Ásia em imagens)
vol. 16 (África e Oriente Médio em imagens)
vol. 17 (América em imagens)
vol. 18 (Oceanos e o universo em imagens)
vol. 19 (A terra em números
vol. 20 (Dicionários geográfico A / B)
vol. 21 (Dicionários geográfico C / E)
vol. 22 (Dicionários geográfico F / K)
vol. 23 (Dicionários geográfico L / N)
vol. 24(Dicionários geográfico O / SA)
vol. 25 (Dicionários geográfico SC / Z)
vol. 26 Índice de topônimos

Biblioteca Nacional completou 198 anos no dia 29 de outubro


Na semana em que completou 198 anos, a Biblioteca Nacional do Brasil anunciou que irá comprar cerca de 800 mil livros a serem distribuídos no primeiro semestre de 2009para 410 bibliotecas municipais e 600 pontos de leitura espalhados por todo o país. Os títulos, nas categorias de ficção, não-ficção, e referência, já foram selecionados por uma comissão de especialistas, e o edital de licitação para a aquisição será divulgado em novembro. Cerca de 30% dos livros serão destinados ao público infantil e juvenil.



Disponível em: http://www.bn.br/portal/

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

DVD disponível para empréstimo na Midiateca

Sinopse

A Aurora DVD tem a honra de iniciar a Coleção Cinema Essencial com o lançamento de Noite e Neblina, de Alain Resnais (Hiroshima Meu Amor), um dos mais importantes documentários da história do cinema mundial. Realizado em 1955, a partir de um convite feito ao cineasta pelo Comitê da História da Segunda Guerra Mundial, o filme tinha como objetivo comemorar o segundo aniversário da libertação dos campos de concentração.

Mas o impacto das imagens de Noite e Neblina, que ainda hoje assombram a humanidade, e do texto do escritor Jean Cayrol, um ex-prisioneiro do campo de Orianemburgo, suplantaram a sua intenção de memorial dos desaparecidos e transformaram-se num "dispositivo de alerta" contra o nazismo e todas as formas de extermínio.

Mesclando imagens coloridas dos campos abandonados e filmes de arquivos, Alain Resnais nos dá, segundo François Truffaut, "uma lição de história, inegavelmente cruel, mas merecida". Exibido no Brasil apenas no âmbito das cinematecas, Noite e Neblina (Prêmio Jean Vigo, em 1956) ganha cópia em DVD com som e imagens restaurados e remasterizados digitalmente, além de extras que confirmam a importância histórica do filme e a participação dos judeus na sociedade brasileira.

Você também pode fazer a sua reserva através do nosso catálogo on-line, utilizando seu LOGIN e senha
http://www.midiateca.peretz.com.br:8010/sophia/

O futuro do livro, na palma da mão


Editores, reunidos no evento que terminou no dia 19, acreditam que, até 2018, produtos como e-book superam obras em papel

Dentro de dez anos, muito provavelmente não acontecerão cenas desconfortáveis como a que marcou o primeiro dia do estande do Brasil na Feira de Frankfurt: prateleiras completamente vazias, com as quase duas toneladas de livros retidas na alfândega de Madri. Ao menos, é o que prevê a maioria dos editores presentes a Frankfurt, no maior evento literário do mundo que encerrou ontem sua 60ª edição. Uma pesquisa realizada pelos organizadores com mais de mil representantes do mercado editorial de todos os continentes aponta 2018 o ano em que os livros eletrônicos, os chamados e-books, superarão em volume de negócios os existentes hoje, em papel.

"A chegada do livro digitalizado é inevitável", comentou Juergen Boos, diretor da feira, lembrando que, já neste ano, 361 exibidores (ou 5% de um total de 7.373) incluíram e-books em seu mostruário. Se o número ainda parece ínfimo, revela um grande crescimento em relação ao ano passado, quando aproximadamente 2% já tinha aderido à nova tecnologia. "É importante notar que 42% dos produtos que estavam em exibição aqui eram livros, enquanto 30% eram digitais", observou.

O assunto prometia ser o prato principal da feira desde seu início, quando Paulo Coelho, convidado a participar da abertura oficial, fez menção ao fato em seu discurso. "Os livros digitais reclamam seu espaço e tudo indica que chegará o momento em que o digital superará o papel", disse o escritor. "O tempo que falta até isso acontecer é o que resta a autores e editores se adaptarem até sermos alcançados pela rede mundial."

A contagem regressiva, de fato, começou. "Não sei se precisaremos esperar uma década", acredita Paulo Rocco, presidente do selo editorial que leva seu nome. "Acho que em cinco anos o e-book já terá ocupado um espaço considerável." Segundo ele, a corrida, no entanto, movimenta hoje mais a indústria que vai desenvolver as ferramentas para carregar o texto dos livros que propriamente o mercado editorial. "Estamos esperando pelas novidades para então fornecermos as obras."

Exemplos já não faltam, um novo estande, Books & Bytes, surgiu na feira deste ano, em que algumas empresas apresentaram seus modelos. Com o Kindle, aparelho de compra e leitura de e-books da Amazon.com. Ou o produto criado pela Sony, que orgulha-se de abrigar 160 livros em uma pequena pasta e que já está à venda na França, por 300 euros. Na Alemanha, o aparelho deve chegar em março, pois o mercado ainda está preocupado com a acomodação que deverá fazer com a nova tecnologia.

O cuidado com os direitos autorais, por exemplo, e seu principal rival, a pirataria digital. "É importante, pois com esses mecanismos será possível comprar desde a obra completa como apenas uma parte, algo como apenas um parágrafo", imagina Rocco. "Quando o leitor pagar, digamos, R$ 2 por um trecho, será preciso ter um controle dessa quantia."

O assunto motivou um debate durante a feira, que reuniu profissionais já ocupados com tais temas. Como Eric Merkel-Sobotta, da Springer, uma das maiores editoras de livros científicos do planeta e que já oferece cerca de 3.400 novos e-books por ano, além de disponibilizar cerca de 25 mil títulos na internet. "A regulamentação atual já representa um bom começo, mas teremos, é evidente, de cuidar dos detalhes", comentou. "O livro como existe hoje tem a grande capacidade de ser um bem público, pois pode passar por várias pessoas. O mesmo acontecerá com o e-book: ao baixar um texto, por exemplo, o leitor terá a opção de tê-lo apenas em seu aparelho ou, a partir de outra quantia, disponibilizá-lo para, digamos, outras seis pessoas."

As obras de referência, desde científicos até os de uso geral (como de turismo, culinária etc.), deverão ser os primeiros a ganhar impulso digital. "São textos que necessitam de constantes atualizações", explica Ronald Schild, da MVB, empresa responsável pelo serviço de marketing do comércio livreiro alemão. Ele gerencia um ambicioso projeto, o Libreka, criado em 2005 com a finalidade de criar uma biblioteca digital, ou seja, oferecer ao leitor tanto obras clássicas, como Goethe, quanto as mais populares, como aventuras de Perry Rhodan, mas todos em língua alemã.

Hoje, estão já disponíveis para consulta cerca de 2.300 livros, a maioria ligada à área das ciências sociais, do direito e da economia (601 obras), todos com versão digital à venda. "A expansão dessa tecnologia vai provocar mudanças importantes também nos livreiros", acredita Schild. "Será uma ótima oportunidade para as pequenas empresas, que hoje não dispõem de espaço para abrigar muitos livros, oferecerem um catálogo de fazer inveja a qualquer megastore."

Para isso, acredita ele, terá mais sucesso quem criar uma rede de compradores fiéis. "Será preciso intensificar o sistema de relacionamento personalizado em que o leitor é informado dos lançamentos que lhe interessam."

Editores não acreditam, porém, no fim definitivo do livro em papel. "Esse continuará insubstituível para parcela dos leitores que jamais vão se desfazer, por exemplo, de seu dicionário favorito", acredita Luciana Villas-Boas, da Editora Record. "Também os livros infantis sobreviverão, pois, para criança, o contato tátil é essencial", completa Paulo Rocco. Ambos, porém, acompanham atentos à mudança inevitável.

Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081020/not_imp262772,0.php

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Quadrinhos em cliques


Novos elementos transformam quadrinhos on-line em "nova arte'; além da distribuição democrática, meio permite mais interação entre autor e leitor

CRISTINA LUCKNER
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Nem nanquim nem papel. A nova geração de HQs se vale de outros recursos. É como se um iluminismo digital surgisse e um Rousseau cibernético declarasse: "As HQs nasceram puras e a web as corrompeu".
Para Anselmo Gimenez Mendo www.nez.com.br, 42, autor do recém-lançado livro "História em Quadrinhos: Impresso vs. Web", com a popularização da internet, criou-se uma nova forma de fazer quadrinhos. "A internet ajudou a criar uma nova arte", diz.
Os quadrinhos já haviam se apropriado da rede, até como uma alternativa a meios de distribuição e publicação.
"A internet mudou o mercado", afirma Amauri de Paula, 33, editor do site Acervo HQ www.acervohq.quadrinho.com e presidente da Associação Cultural Nação HQ. No Acervo HQ, 70% dos trabalhos são especialmente desenvolvidos para a web.
Scott McCloud www.scottmccloud.com, 48, cartunista norte-americano e autor de livros sobre quadrinhos, diz que, além de ter modificado a forma de produção de HQs, há mais oportunidades para os artistas e interação autor-leitor na internet. "A tela é uma janela, é mais do que uma página, as possibilidades são enormes."
As idéias de McCloud publicadas no livro "Reinventing Comics" (2000) que analisa o potencial dos quadrinhos on-line- foram consideradas "perigosas" por críticos. "Minhas idéias são estranhas e inusitadas e na época isso chateou muita gente. Continuo achando que há potencial para uma revolução nesse mercado."
Uma de suas publicações mais recentes os quadrinhos do Google Chrome foi pensada especificamente para ser impressa, mas ficou muito popular na internet. "Irônico, não?", insinua McCloud.

Novos elementos
Alguns elementos diferenciam as HQs feitas para a internet das para versão impressa.
"Animação, diagramação dinâmica, trilha e efeitos sonoros, tela infinita, narrativa multilinear, interatividade", enumera Edgar Silveira Franco www.ritualart.net, 37, autor do livro "HQtrônicas: do Suporte Papel a Rede Internet".
Para Franco, entusiasta das HQs eletrônicas (ou HQtrônicas, como prefere chamá-las), esse é um momento de "transição". "As HQtrônicas tiveram um período de muita experimentação no seu início e agora já começam a se aperfeiçoar."

Profecia
"A internet se tornou necessária para os quadrinistas mostrarem seu trabalho. Alguns alcançam boa repercussão e conseguem, por meio da divulgação virtual, trabalhos no mundo real", analisa Paulo Ramos, 36, editor do Blog dos Quadrinhos blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br
Foi assim para o desenhista Fábio Yabu, 29 www.comborangers.com.br. Ele fez parte dessa geração inicial com os quadrinhos "Combo Rangers", sucesso na rede que chegou a ganhar versão impressa. "Fazia por diversão", conta. O site esteve no ar de 1997 a 2003.
Em 2005, Elias Martins, 30, e C.George, 36, também começaram a fazer quadrinhos para web. As HQs do ae comics www.aecomics.com.br foram criadas, escritas e produzidas por eles.
A dupla que fez história com as HQs eletrônicas diverge sobre os rumos dessa arte. "Sou radical. Como as HQs vão se adaptar à internet vai decidir a função dos quadrinhos e até sua própria existência", diz C.George. Para Martins: "É inevitável que apareçam novas formas de se ler e fazer quadrinhos, como para celulares".
Sobre o futuro, voltemos ao profético McCloud: "O processo de se fazer histórias em quadrinhos está na imaginação e isso nunca vai mudar".

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1410200812.htm

Em ano de anistia, Chibata ganha HQ

Revolta de 1910 contra maus-tratos a marinheiros é tema de livro. Em julho, Lula sancionou projeto de anistia ao líder.

Autores visitaram o cenário da ação e mesclaram ficção e documentos para narrar a trajetória do marinheiro João Cândido da infância à velhice

MARCO AURÉLIO CANÔNICO
DA REPORTAGEM LOCAL

"Há muito tempo/ nas águas da Guanabara/ o dragão do mar apareceu/ na figura de um bravo marinheiro/ a quem a história não esqueceu."
Apesar da homenagem de Aldir Blanc e João Bosco em "O Mestre-Sala dos Mares" (1975), o personagem da canção, João Cândido Felisberto (1880-1969), líder da Revolta da Chibata, foi largamente ignorado por quase um século, como mostra o recém-lançado álbum em quadrinhos "Chibata!".
Criada pelos cearenses Olinto Gadelha (texto) e Hemeterio (desenhos), a HQ mistura ficção e documentos históricos para narrar a vida de João Cândido da infância à velhice, tendo como foco sua liderança na rebelião dos marinheiros contra os castigos físicos, em 1910.
A sugestão do tema veio da Conrad, em 2005 a editora convidou Hemeterio para desenhar a HQ e este chamou Gadelha, com quem já trabalhava há tempos, para criar o roteiro.
A partir daí, começou um trabalho de pesquisa nas bibliotecas públicas de Fortaleza e na internet, além de uma visita ao Rio, cenário da ação.
"A gente conhecia superficialmente a história do João Cândido e, quando acabamos a pesquisa, descobrimos um herói do mesmo porte do Tiradentes", diz Hemeterio.
"É a típica saga do herói: ascensão e queda, abnegação, sacrifício. Ele entregou sua vida por uma causa, mesmo sabendo que era uma causa perdida. É um personagem grandioso que estava escondido."

Revolta e traição
A HQ é narrada com idas e vindas cronológicas, a partir de flashbacks do velho João Cândido no período em que esteve internado no hospício da Praia Vermelha, no Rio.
Os autores imaginam a infância do filho de ex-escravos no Rio Grande do Sul e mostram sua entrada na Marinha e as condições degradantes a que eram submetidos os marujos com comida estragada e chibatadas como punição.
Além de narrar a noite da revolta, em 22 de novembro de 1910, quando João Cândido e 2.300 marinheiros tomaram as grandes embarcações da armada, o livro mostra os desdobramentos políticos do episódio.

Tabu
Apesar de terem conseguido um acordo e uma anistia por parte da Marinha, os revoltosos foram punidos posteriormente com prisão, tortura e, em alguns casos, execução.
A partir daí, o tema virou tabu. "Mesmo nos tempos modernos, todos que tentaram falar sobre a Revolta da Chibata sem se ater à versão oficial sofreram represálias", diz Gadelha. A HQ mostra um desses episódios: a infame surra no jornalista Aparício Torelly, o Barão de Itararé.
"Chibata!" vem coroar, pelo lado da cultura pop, o ano em que João Cândido e seus companheiros foram oficialmente anistiados pelo lado político.
Em março, a Marinha tornou públicos documentos oficiais referentes a João Cândido. Em julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou projeto de anistia ao marinheiro.
"[A anistia] foi simbólica, mas deveria ter acontecido enquanto ele estava vivo. Agora é como pedir perdão para o vento", diz Gadelha. "Com a proximidade do centenário [da revolta, em 2010] espero que haja outros projetos sobre ele."

CHIBATA!
Autores: Olinto Gadelha (texto) e Hemeterio (desenhos)
Editora: Conrad
Quanto: R$ 40 (224 págs.)

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1510200810.htm

Autor acerta em recorte sobre obra de Jobim


LUIZ TATIT
ESPECIAL PARA A FOLHA

Para explicar Tom Jobim em poucas páginas é preciso acertar no recorte. Os fatos cruciais que marcaram a trajetória do compositor pela música brasileira e internacional são quase sempre acompanhados de anedotas que retiram o foco da sua obra. Assumindo o ponto eqüidistante entre os universos erudito e popular, o mesmo em que o maestro se situou desde sua aparição nos anos 50, Cacá Machado pôde explicar como suas famosas composições se beneficiaram ao mesmo tempo dos formatos sinfônico e cancional, das influências de Villa-Lobos e de Pixinguinha, dos recursos do jazz e do samba e até mesmo da seriedade e do prazer dispensados a cada peça. Isso permitiu que já se distinguisse, logo de início, as particularidades da atuação musical de Jobim no meio artístico brasileiro. Embora tenha sido um dos mais prolíficos cancionistas da nossa história, o criador de "Águas de Março" concentrou sua produção em 11 discos-solo, enquanto nossos compositores de primeira grandeza surgidos nos anos 60 exibem dezenas de álbuns ao longo do mesmo período. Acontece que o trabalho de Jobim como compositor, arranjador e pianista em colaboração com outros autores, intérpretes e músicos, nacionais e estrangeiros, constitui a outra face, também imensamente explorada, de sua identidade artística. Foi por esse canal, aliás, que Jobim conseguiu ultrapassar as fronteiras históricas e geográficas que, até o período bossa nova, impediam que nossa sonoridade desse vôos mais amplos. O autor analisa o respaldo musical que o maestro deu ao famoso LP "Canção do Amor Demais", de Elizete Cardoso, no qual João Gilberto introduziu sua batida inconfundível, mas não despreza a glória nacional em discos lançados com Dorival Caymmi, Elis Regina, Edu Lobo e Miúcha. Machado devota atenção especial à produção sinfônica do compositor e seu estreito vínculo com a criação de canções. Quando define o "pensamento circular" de Jobim, destaca sua predileção por "regravar, reinterpretar" e "reutilizar fragmentos melódicos, rítmicos e harmônicos de um tema em outros". Tudo ocorre como se o maestro jamais desprezasse seus motivos já inseridos em outros contextos sonoros. Um tema sinfônico vira tema cancional e vice-versa. O autor ainda dedica algumas páginas à importante relação de Jobim com a literatura brasileira. Se o tema é inesgotável, não se pode negar que o volume dá início a um enfoque explicativo da obra do compositor.

LUIZ TATIT é compositor e pesquisador musical

FOLHA EXPLICA TOM JOBIM
Autor: Cacá Machado
Editora: Publifolha
Quanto: R$ 17,90 (168 págs.)

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1110200823.htm

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

DVD´s diponíveis para empréstimos na Midiateca (faça sua reserva pela Internet)


Marco Polo

Sinopse
A Versátil Home Video orgulhosamente apresenta a monumental minissérie italiana Marco Pólo, em sua versão integral com mais de 8 horas de duração e muitos extras, incluindo entrevistas, especiais e making of. Embalagem de luxo Digipack, com 4 DVDs.

Filmada na China, Itália, Mongólia e Marrocos, essa superprodução milionária acompanha as viagens do veneziano Marco Polo (1254-1324), o primeiro dos grandes exploradores da história da humanidade. Em suas aventuras, percorreu a chamada "Rota da Seda", que abrange vários países do Oriente; e se tornou emissário do lendário imperador mongol Kublai Khan. No final da vida, Polo escreveu um livro com suas impressões sobre a rica cultura local, influenciando as gerações posteriores de grandes navegadores europeus.

Vencedora dos Prêmios Emmy de Melhor Minissérie e Figurinos, Marco Pólo é um espetáculo histórico de primeira grandeza, valorizado pela direção do renomado Giuliano Montaldo (Giordano Bruno) e pelo excelente elenco internacional, que inclui os astros Burt Lancaster, Ann Bancroft, John Gielgud, F. Murray Abraham e Leonard Nimoy.



Sinopse
Longe de serem apenas histórias antigas de gregos, fábulas para serem lidas em livros velhos ou contadas à noite às crianças, os mitos são narrativas com um extraordinário poder de penetração na psicologia humana. No trabalho de uma vida inteira, Joseph Campbell, um dos maiores mitólogos do mundo, mostrou que as mesmas histórias, ou os mesmos modelos básicos, em roupagens diferentes, podem ser encontrados na cultura de todas as civilizações humanas, do Oriente ao Ocidente, do tempo das cavernas até hoje.

Nessa inebriante entrevista, conduzida pelo jornalista Bill Moyers, transmitida para o mundo inteiro e aqui no Brasil pela TV Cultura, Joseph Cambell fala sobre os mitos em todas as suas formas. Ele mostra, por exemplo, que filmes como Star Wars ou fatos históricos como o assassinato do presidente Kennedy têm uma enorme força sobre a imaginação popular porque estão profundamente ligados a mitos ancestrais.

Uma divertida viagem pela mente e espírito de homem extraordinário que sintetizou diferentes disciplinas: História, Religião, Filosofia e Cinema, e criou um dos mais importantes estudos de nossa época.



Sinopse
Cem anos após sua morte, Machado de Assis continua atual, moderno e surpreendente. Considerado por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos, o bruxo do Cosme Velho teve sua obra revisitada em DVD com o humor e a inteligência típicos de sua literatura.

São 3 programas inspirados em 3 diferentes obras de Machado. Cada um pertence a um momento da televisão brasileira. Com direção geral de Guel Arraes, o clássico O Alienista exibido em 93 parece ter sido feito sob encomenda para a sociedade de hoje, cada vez mais vigiada e delirante. J